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Pitty lança CD "feito em casa"; leia a entrevista

8 ago 2009
11h34

Lançando seu terceiro disco de estúdio, Chiaroscuro, a cantora Pitty teve a oportunidade de realizar as gravações do álbum em um clima caseiro e longe dos quartos de hotéis onde a banda "mora" na estrada. As sessões aconteceram no Estúdio Madeira, montado na casa do baterista Duda, em São Paulo. Com todos os integrantes morando na região da Rua Augusta, centro da cidade, Pitty afirmou ao Terra que o álbum ganhou um clima "caseiro".

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» Ouça Me Adora no Sonora

"É lindo. Conforto e liberdade total. Gravar no Rio era massa, mas não é nossa casa. A gente fica hospedado em hotel e ninguém aqui agüenta mais ficar quarto de hotel. Todo mundo mora perto, almoça em casa com a mulher e o filho e volta pra gravar guitarra", disse a rouca cantora depois de passar horas atendendo a imprensa ao telefone. Durante as gravações, era comum encontrar Pitty ou os integrantes da banda nos bares da região desfrutando de um salgado ou uma cerveja nas raras pausas.

Confira a entrevista completa:

Como foi gravar esse CD "em casa"?
Pitty - É lindo. Conforto e liberdade total. Gravar no Rio era massa, mas não é nossa casa. A gente fica hospedado em hotel e vamos concordar que ninguém aqui agüenta mais ficar quarto de hotel. Todo mundo mora perto, almoça em casa com a mulher e o filho e volta pra gravar guitarra.

E o ambiente entre vocês? Influenciou?
Pitty - Influência muito. A gente fazia rango junto, sentava na mesinha pra comer. Bem acampamento de amigo mesmo. É aquela coisa de ir contra aquilo que todo mundo faz, acreditar e arriscar pra ver se dar certo. A gente resolveu rever todos esses conceitos. Um lance mais orgânico mesmo, sabe? Junta aí e grava a base tocando os três. Vai ficar tocando quinhentas vezes até ficar bom?

Vocês optaram por um esquema mais "cru"?
Pitty - Foi a primeira coisa que a gente falou. Nada de copy paste. A gente ia gravar os coros dos backing vocals e eu gravei todas as vezes, duzentas vozes se fosse preciso porque cada vez é diferente.

Vocês ficaram quatro anos sem entrar em estúdio. Rolou um receio na volta?
Pitty - Não teve receio. A gente não teve vontade de gravar antes porque estávamos ocupados, essa é a real. A turnê do DVD rendeu um ano a mais do que a gente esperava. Começamos a falar do disco novo no meio do ano passado e começou a pintar muito show, shows legais mesmo e resolvemos não interromper. "Go with the flow". Mas a vontade já estava rolando.

Mais uma vez vocês trabalharam com Rafael Ramos como produtor. Qual é o papel dele quando vocês gravam?
Pitty - As pessoas têm uma visão mística dos produtores por conta de tantos picaretas que maquiam e formatam bandas ao invés de aproveitar potencial. Não é assim. Rafael é o quinto cara da banda e se comporta como tal. Toda vez que ele dá ideia é como mais um membro. A gente pode achar demais ou falar "não, cara, você tá viajando". Ele ama música. É pesquisador e se interessa em saber como as bandas gringas estão produzindo e tiram som das coisas. Ele me alimenta muito musicalmente também.

No single Me Adora você fala a palavra f*** no refrão. Como tem sido a recepção?
Pitty - Até agora não soube de nenhum tipo de censura. Esse refrão é para ser um sarro. Um sarro de ironia. Não é mais um palavrão para nossa geração. F*** é adjetivo. Não chega a ter uma conotação do mal e nem sexual. É um adjetivo tanto pro bem quanto pro mal. A língua se modifica mesmo. Estamos aí para propor essas mudanças. Senão estaríamos aí escrevendo "vosmecê".

A letra é uma alfinetada na imprensa?
Pitty - Não necessariamente. Se a carapuça couber. Mas não é só isso. Ela tem um sentido muito mais amplo. Não é direcionada aos críticos. É para qualquer tipo de pessoa que se sentiu vítima de difamações e se sentiu injustiçada por um julgamento alheio que não foi profundo.

No álbum há sons de castanholas, efeitos na voz e barulhos em geral. Como começaram a trabalhar esses sons?
Pitty - Acho muito legal essa coisa do baixo, guitarra e bateria, mas queria brincar com outras coisas. Queria somar. Mas não com plugin de computador, com pedais mesmo com efeitos de outros instrumentos com vocal.

Você começou a divulgar muitas coisas no site e no twitter deixando os fãs curiosos sobre o disco e fazendo até a imprensa "chutar" algumas coisas. Você se arrependeu?
Pitty - Achei uma delícia. Achei massa. O negócio é circo pegar fogo mesmo. Movimentar. O ruim é ficar parado. Gosto muito de coisa de mistério. Acho mais interessante quando a vida é um mistério. Comecei a dar pistas e soltar frases malucas que não revelavam nada do que a gente tava fazendo. Estimular neguinho e deixar a pulga atrás da orelha. Que nem eu coloquei no twitter: "siga o coelho branco" e "coelhos brancos correndo pela sala" e isso não foi revelado até agora.









Terceiro álbum da banda foi gravado em São Paulo
Terceiro álbum da banda foi gravado em São Paulo
Foto: Caroline Bittencourt / Divulgação
Fonte: Redação Terra

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