TIM Festival 2006

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Segunda, 30 de outubro de 2006, 09h55  Atualizada às 10h37

Roy Hargrove entusiasma no melhor show do Tim Festival em SP

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A organização do Tim Festival lutou para que as três apresentações de domingo no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, não demorassem tanto para terminar quanto às de sexta-feira e sábado. Deu certo, para azar do espectador, que só pôde acompanhar o melhor show da edição 2006, realizado pelo quinteto do trompetista Roy Hargrove, por pouco mais de 45 minutos.

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No domingo, a jornada musical teve quatro horas de duração contra as seis horas dos dois dias anteriores.

Hargrove mostrou as músicas de seu mais novo trabalho, registrado no álbum Nothing Serious (2006), o primeiro dedicado exclusivamente ao jazz após cinco anos. O quinteto iniciou o espetáculo com duas composições do próprio Hargrove: The Gift, com as texturas do hardbop dos anos 1960, e Trust, uma balada conduzida pelo seu flugelhorn.

Em uma pequena pausa para o jazz, o trompetista apresentou uma versão para os grooves de Can''t Stop, faixa do álbum Distractions, trabalho reservado somente para as experiências com o funk instrumental, a soul music e o hip hop, lançado simultaneamente com Nothing Serious.

Foi o suficiente para que as pessoas do auditório começassem a balançar o corpo, apesar de estarem sentados comportadamente em cadeiras numeradas.

Na sequência, o grupo expôs Camaraderie, outra obra do estudioso Hargrove, dessa vez sob influência da última fase dissonante do saxofonista John Coltrane e dos primeiros passos free do saxofonista Ornette Coleman.

Depois da execução do standard Fools Rush In, o público pôde finalmente sentir ao vivo a vibração do jazz caribenho de Nothing Serious, música composta pelo guitarrista venezuelano Leo Quintero e enriquecida pelo arranjo de Hargrove. Foi o fim. No bis, com apenas três minutos de duração, apareceu o clássico Invitation, de Paul Francis Webster e Bronislau Kaper. Hargrove, sempre discreto, agradeceu às palmas da platéia apenas curvando o corpo.

Após um intervalo reduzido a menos de dez minutos, o quarteto do baixista Charlie Haden teve disposição para subir ao palco e manter animado um público que ainda estava contagiado com a vibração de Hargrove.

"Eu amo o Brasil e especialmente eu amo a cidade de São Paulo", disse Haden, baixista que fez parte da criação do free jazz no final dos anos 1950 ao lado de Ornette Coleman. Com a presença marcante do saxofonista Ernie Watts, o grupo tocou músicas como The Good Life e Passport, essa última de Charlie Parker, além de Lonely Woman, peça fundamental do disco de Coleman de 1959, The Shape Of Jazz To Come.

"Vocês são pessoas que escutam. E vocês escutam coisas boas", disse Haden.

"O mundo precisa de mais pessoas como vocês. Porque só quem tem condições de escutar coisas boas pode melhorar esse mundo. Dedico esse show a vocês e à paz mundial", disse o baixista.

Abertura
O show que abriu a noite de domingo foi realizado pelo trio do pianista brasileiro André Mehmari, uma das revelações da música instrumental brasileira. Ao lado do baixista Zé Alexandre Carvalho e do baterista Sérgio Reze, Mehmari apresentou algumas de suas composições, como Veredas e Lachrimae, e versões para Chovendo na Roseira, de Tom Jobim, e Penny Lane, de John Lennon e Paul MacCartney.

A grande surpresa, porém, foi a participação especial da cantora Ná Ozzetti, com uma versão para Round Midnight, o clássico de Thelonious Monk, batizada como Planalto Sampa.

Reuters
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