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Domingo, 29 de outubro de 2006, 09h30 Maria Schneider faz o show mais denso do Tim Festival em SP |
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A arranjadora e compositora norte-americana Maria Schneider talvez não tenha sido tão festejada quanto o pianista Herbie Hancock, mas sua apresentação, fechando a noite de sábado no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, foi a mais consistente até agora entre os jazzistas do TIM Festival de 2006.
Veja fotos dos shows!
Fotos da sexta-feira
Confira a programação completa do festival
Enquanto a estrela Hancock se contentou em realizar um show burocrático na noite de abertura, na sexta-feira, descrevendo em arranjos frágeis e descuidados um resumo de sua carreira de mais de 40 anos, Schneider preferiu incorporar o ambiente do festival e mostrar a intensidade de sua música em apenas seis composições próprias.
"Queria agradecer vocês todos por ainda estarem por aqui. Esse festival é uma maratona e vocês merecem um prêmio", disse ao público assim que entrou no palco, minutos depois da meia-noite de sábado para domingo.
A Maria Schneider Orchestra, composta por 18 integrantes, abriu seu espetáculo com Concert In The Garden, peça do álbum homônimo de 2005, ganhador do Grammy de orquestra de jazz em 2005. A composição impressionista, com arranjos influenciados pelos seus mestres Gil Evans e Bob Brookmeyer, despertou um público sonolento, já cansado após os dois shows de abertura.
A apresentação prosseguiu com El Viento, Journey Home, Sea of Tranquility e Hang Gliding, essa última mais uma de suas várias homenagens ao Brasil, composta após um vôo de asa delta sobre o Rio de Janeiro.
"É maravilhoso estar aqui. O Brasil é o meu país favorito de todo o planeta", disse Schneider.
No final, a arranjadora chamou Ivan Lins ao palco para o encerramento. "Se eu contasse para algumas pessoas nos Estados Unidos que toquei aqui no Brasil ao lado do Ivan Lins muitos talvez não acreditassem", disse Schneider, que já demonstrou anteriormente sua paixão pela música do compositor brasileiro em 2003, ao organizar um concerto com as músicas de Ivan Lins em tour pela Europa.
O público se levantou da cadeira para aplaudir a apresentação de Schneider que, mesmo às 2h da manhã, foi convencida pela platéia a retornar ao palco para fazer o bis com Choro Dançado.
Abertura
Ivan Lins foi o responsável pelo show de abertura da noite, com uma homenagem a Paulo Albuquerque, produtor e amigo, que morreu logo após o lançamento do disco Acariocando, lançado neste ano.
"O Paulinho ajudou a criar esse festival quando ele ainda se chamava Free Jazz, em 1984. Ele foi um dos curadores do evento naquela época", disse Ivan Lins. "A importância dele para a MPB só será compreendida no futuro."
O compositor brasileiro fez um espetáculo longo para um show de abertura, com 12 canções, intercalando peças de seu mais novo trabalho, como A Gente Merece Ser Feliz e Por Sua Causa, e clássicos de sua discografia, como Daquilo que Eu Sei, Depois dos Temporais e Lua Soberana, por exemplo.
A cantora Jennifer Sanon, segunda apresentação da noite, trouxe seu quinteto para interpretar alguns standards do jazz, como Bye Bye Blackbird, de Mort Dixon e Ray Henderson, e My Favourite Things, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein, essa última com um arranjo para recordar o saxofonista John Coltrane e o pianista McCoy Tyner.
Tímida ao extremo, Sanon, 20 anos, revelada pelo trompetista Wynton Marsalis, permaneceu estática em um único local do palco, levantando os braços somente para levar o microfone próximo de sua boca.
Durante os solos dos integrantes da banda, ela apenas cruzava os braços e não conseguia nem mesmo virar o rosto. Apesar da pouca experiência, Sanon tem uma voz cristalina, extremamente afinada, bem diferente das entonações carregadas das divas atuais, como Diana Krall e Madeleine Peyroux.
"O Brasil é um país muito romântico, por isso vou cantar canções românticas", disse Sanon, segundos antes de cantar Azalea, de Duke Ellington.
Nesse domingo, estarão no Auditório Ibirapuera o trompetista Roy Hargrove, o baixista Charlie Haden e o trio do pianista brasileiro André Mehmari.