TIM Festival 2006

TIM Festival 2006

Sábado, 28 de outubro de 2006, 10h50  Atualizada às 11h40

Pianista Herbie Hancock faz resumo de 40 anos de carreira no Tim

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O pianista Herbie Hancock, uma das atrações mais aguardadas do Tim Festival, fechou a noite desta sexta-feira, primeiro dia de espetáculos no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, apresentando um resumo coerente de sua carreira de mais de 40 anos.

Confira a programação completa do festival

Foram executadas apenas oito músicas em 90 minutos, mas o suficiente para agradar ao público que estava ansiosamente aguardando a execução dos principais clássicos do pianista e torcendo para que ele evitasse as composições mais populares dos últimos trabalhos, como as canções do álbum pop Possibilities, de 2006, por exemplo.

Ao lado do baixista Matt Garrison (que o acompanha frequentemente em shows pelos Estados Unidos), da baterista Terri Lyne Carrington e do saxofonista Chris Potter (ativo colaborador da orquestra e do quinteto do baixista Dave Holland), Hancock despejou peças de suas fases mais distintas, passando pela influência do bues de início de carreira com o super sucesso Cantaloupe Island e One Finger Snap, caminhando sobre o explosivo eletrofunk dos anos 1970 de Chameleon, até alcançar o minimalismo experimental dos anos 1990 de Sonrisa.

Mais estranhas, porém, foram as novas versões para Maiden Voyage e Dolphin Dance, duas obras emblemáticas gravadas originalmente no álbum Maiden Voyage, de 1965, com o apoio do trompetista Freddie Hubbard e do saxofonista George Coleman e encantadas por uma atmosfera cool da época mais promissora da Blue Note.

Dessa vez, apenas sustentadas pelos sopros de Potter e desvirtuadas por um teclado Korg de Hancock com um timbre pra lá de estranho, as duas composições perderam força.

"Vou tocar Dolphin Dance, mas preparem-se porque será uma versão bem diferente daquela que vocês já conhecem," alertou Hancock segundos antes de começar a tocar.

Antes do início da apresentação de Hancock, estava no palco o pianista Ahmad Jamal. "Vocês acabaram de escutar o Ahmad Jamal. Um dos grandes músicos da história do jazz. Ele foi uma influência para mim", disse Hancock logo após ter sido recepcionado pelas palmas intermináveis do público.

E o show de Jamal, o mais veterano entre os jazzistas da edição 2006 do Tim Festival (ele tem 76 anos), deu o tom clássico para o evento, algo que provavelmente nenhum outro artista do casting jazzístico terá condições de repetir.

Imortalizado por versões para But Not For Me e Ponciana, Jamal, vestindo terno cinza, apresentou seu blues sincopado, valorizado pela sua clássica economia de notas e sustentado principalmente pelo preciso senso rítmico do baterista Idris Muhammad, que fez um contraponto ao austero comportamento de Jamal ao subir ao palco com enorme calça vermelha e uma boina branca.

Mas foi o show de abertura a grande surpresa da noite. Poucos conheciam o pianista italiano Stefano Bollani e seu quinteto. Em sete músicas, o instrumentista deixou claro que não se submete a nenhuma escola específica do jazz.

Suas composições trazem influências do cool jazz dos anos 1950, atualizadas por uma bateria mais acentuada e dinâmica (La Sicília) e do fusion europeu dos anos 1970 (Il Fiore Canta e Poi Svanisce, Visione Numero Uno e Storta Va), todas pontuadas por reminiscências dos cortejos fúnebres de New Orleans e dos festejos circenses do Vaudeville europeu dos anos 1920 (Quando La Morte Verrá a Prendermi).

Para finalizar, durante o bis, Bollani apresentou uma versão melodramática ao piano de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, cantada em português com um simpático sotaque italiano.

"É uma música brasileira muito apreciada na Itália. E lá as pessoas cantam uma versão com letra em italiano", disse Bollani em entrevista após o show. "Eu adoro a música brasileira e não poderia deixá-la de tocar em minha apresentação por aqui. Na verdade, estou feliz e surpreso com o carinho do público", disse o pianista.

Neste sábado, estarão presentes no Auditório Ibirapuera a cantora Jennifer Sanon, a orquestra da arranjadora e compositora Maria Schneider e o cantor e pianista Ivan Lins com seu tributo a Paulo Albuquerque. No domingo, se apresentam o trio do pianista André Mehmari, o trompetista Roy Hargrove e o baixista Charlie Haden.

Reuters
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