TIM Festival 2006

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Quarta, 25 de outubro de 2006, 11h45  Atualizada às 11h45

Fãs lembram show histórico dos Beastie Boys no Rio

Ricardo Calazans
Divulgação

O grupo americano Beastie Boys
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No canhoto do ingresso que o publicitário Jefferson Neto, 35 anos, guarda com carinho até hoje, está a prova escrita da passagem do tempo: "Imperator, 20/04/1995, Beastie Boys, R$ 15".

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Onze anos depois, o trio nova-iorquino está de volta ao Rio, como parte da escalação do Tim Festival 2006. A casa de shows do Méier fechou há tempos, os ingressos a R$ 15 ficaram no século passado e Jefferson não espera que o grupo repita o show catártico de 1995.

Por via das dúvidas, sacou R$ 120 e garantiu seu ingresso para o show de domingo, na Marina da Glória. "Lembro que todo mundo saiu extenuado daquele show, de tanto pular. Você sabe quando viu uma apresentação histórica", diz.

O rapper B Negão estava lá, na posição privilegiada de banda de abertura, ao lado de Marcelo D2, no então iniciante (e hoje extinto) Planet Hemp. "Tinha Beastie Boys no DNA do Planet. Estávamos gravando o primeiro disco e corremos atrás para abrir o show. Foi tudo fantástico, um 'groove' sensacional, do outro mundo", conta.

Na época, Mike D, MCA e AdRock divulgavam o disco I'll Communication, de 1994. "Os três estavam tocando empolgados e todo mundo pulava junto. Sabotage fazia sucesso na época e quando eles tocaram a música, a casa veio abaixo", lembra o advogado Alexandre Marques, 34 anos, sem saber o que fazer para repetir a dose no domingo. "Deixei para comprar ingresso na última hora e me dei mal", lamenta.

O editor musical Yuri Fortuny, 34 anos, comprou o seu e agora busca companhia. Ou não. "Vou sozinho, na boa", diz. Só não perde o show dos punks branquelos, na ativa desde 1979, que se meteram no hip hop e ajudaram a divulgar o gênero. "Falaram mal do último CD (To The 5 Burroughs, 2004), mas eu gostei." E conta as horas para rever os ídolos.

Muito balanço debaixo do capacete

Em meados dos anos 90, muita gente ainda achava que "música" e "eletrônica" eram dois termos excludentes (por mais que grupos como Kratwerk e New Order já houvessem provado o contrário).

Coube a midas do pop, como os ingleses Chemical Brothers e os franceses do Daft Punk, fazer a passagem para as pistas mais populares. E a pista do Daft Punk é popularíssima. Apesar de ser o ingresso mais caro deste Tim Festival, R$ 150, a lotação para seu show, sexta-feira, está esgotada há semanas.

Com os Beastie Boys, o pianista de jazz Herbie Hancock e o grupo de rock experimental TV On The Radio (também esgotados) são o que todo mundo quer ver no festival.

A dupla bizarra, que se esconde por trás de capacetes futuristas, é formada por Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter. Na "pista" desde 1997, o Daft Punk não se prende muito aos muitos rótulos eletrônicos: ora é disco, ora é house, ou funk, electro, industrial.

Podem ser absolutamente pop, como nos hits One More Time ou Around The World, ou herméticos, a exemplo de Electroma, o filme futurista que dirigiram e estreou este ano. O negócio deles é surpreender.

O Dia
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