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O palco dedicado ao jazz do Tim Festival deste ano, que começa na sexta-feira no Rio de Janeiro, está bem mais eclético do que nos anos anteriores, aproximando-se do conceito antigo do evento, quando ele ainda se chamava Free Jazz. Samba (Dona Ivone Lara), frevo (SpokFrevo Orquestra) e música cubana (The Conga Kings) unem-se ao jazz (Wayne Shorter Quartet, John McLaughlin, Bob Mintzer Big Band e outros) para provar, mais uma vez, que o gênero musical nascido em Nova Orleans não tem fronteiras. "Uma banda de frevo não tem nada a ver com jazz? Tem, sim", afirma o curador do palco Club, Zuza Homem de Mello, 72 anos, experiente estudioso e crítico de música. "A SpokFrevo é formada com a mesma concepção de uma big band, e há espaço para improvisos", explica. Ele ressalta que a fusão de ritmos marca a própria história do jazz. "O John McLaughlin está trazendo um projeto voltado à música indiana. Mas ele também trabalhou com Miles Davis". Outro exemplo é Candido Camero, um dos Conga Kings, "um percussionista fundamental na história do jazz cubano." E Dona Ivone Lara? "O disco em tributo a ela gravado pelo pianista Leandro Braga, ''Primeira Dama'', se aproxima mais do jazz, é quase todo instrumental", disse Homem de Mello, acrescentando que o show terá participação do próprio Braga. O curador ressalta ainda que vários fatores influem na programação e que a questão da agenda dos artistas é outra determinante. "O McLaughlin foi um caso típico. Já estava tudo acertado para vir no ano passado, mas ele cancelou na última hora, e combinamos que viria este ano. Em março, ele desistiu de novo e tivemos que correr atrás de um substituto. Dois meses depois, voltou atrás e resolver vir", conta. RIO E SAMPA Mesmo que alguns reclamem do ecletismo, o público de jazz acabou sendo privilegiado este ano com apresentações simultâneas no Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2004, o palco ficou restrito à capital paulista e, no ano anterior, ao Rio. Os shows acontecem de sexta-feira a domingo, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio, e no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Já estão esgotados os ingressos para sexta-feira no Rio e para sábado em São Paulo. A programação completa é: Wayne Shorter Quartet, Bob Mintzer Big Band e a dupla Russell Malone & Benny Green (sexta-feira, no Rio, e sábado em São Paulo); John McLaughlin, Enrico Rava e SpokFrevo Orquestra (sábado no Rio, e domingo em São Paulo), e Dr. John, The Conga Kings e Dona Ivone Lara (sexta-feira em São Paulo, e domingo no Rio). CONHEÇA AS ATRAÇõES DO TIM CLUB Wayne Shorter é um dos maiores saxofonistas contemporâneos, e seu quarteto é o típico grupo "all stars": Danilo Perez (piano), John Patitucci (contrabaixo) e Brian Blade (bateria). Seu novo CD, "Beyond the Sound Barrier", foi saudado pela crítica como um dos melhores e mais ousados lançamentos do ano. Dr. John é uma lenda de Nova Orleans, cidade considerada berço do jazz e recentemente devastada pelo furacão Katrina. Pianista de estilo único, influenciado pelo rhythm & blues, o rock, o jazz e ritmos típicos de sua cidade, ele costuma usar roupas extravagantes e adereços relacionados ao vodu, culto que já foi comum em Nova Orleans. O inglês John McLaughlin foi um dos mais famosos guitarristas de jazz fusion nos anos 1970, tanto à frente da Mahavishnu Orchestra como em posterior carreira solo. Ele vem com o projeto Remember Shakti, revisitando o grupo que manteve nos anos 1970 com músicos indianos. O saxofonista Bob Mintzer é mais conhecido como integrante do Yellowjackets, grupo fusion de grande sucesso. Paralelamente, ele realiza trabalhos com a big band que traz ao festival. Russell Malone, ex-guitarrista de Diana Krall, com quem gravou vários CDs, vem trabalhando em duo com o jovem pianista Benny Green, ex-"aluno" de Art Blakey e seus Jazz Messengers. O jazz cubano, além de Candido Camero, tem outros dois ícones das congas (instrumento de percussão semelhante ao nosso atabaque): Carlos "Patato" Valdés e Giovanni Hidalgo. É o típico show para "bailar". O jazz europeu está representado, além de John McLaughlin, pelo trompetista italiano Enrico Rava. Influenciado por Chet Baker, ele já gravou com Lee Konitz, Cecil Taylor e Carla Bley, entre outros.
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