| Tim Festival/Divulgação |
 O Libertines chega ao Brasil no exato momento em que seu segundo disco vira febre no Reino Unido |
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Libertino, segundo o dicionário, é "alguém que age livremente, sem restrição moral". Adequadamente, foi esse o nome adotado por um jovem quarteto de dandies de Londres, que surgiu para o mundo no verão de 2002, liderado por Pete Doherty (voz e guitarra) e Carl Barât (voz e guitarra), e ainda com John Hassall (baixo) e o hiperativo Gary Powell (bateria). Ancorados em shows caóticos, duas almas em combustão no front do palco e com um histórico de heroína e cadeia na bagagem, o Libertines virou lenda.
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A crítica especializada inglesa foi rápida: aquele era o maior grupo a surgir em Londres desde o Oasis. A GQ foi ainda mais longe: "Eles são a mais importante banda de rock da Grã-Bretanha desde The Clash". Foi justamente com um ex-integrante do The Clash, Mick Jones, que eles fizeram seu aclamado álbum de estréia, Up the Bracket, em 2003 (eles lançaram também The Libertines, em agosto de 2004). Segundo contam, fizeram 23 canções em três dias com Jones botando pimenta na mistura. Com energia punk, o som dos Libertinos incorporava estilos como blues, rock, britpop, funk e mesmo folk music, como na balada Radio America.
Houve quem se apressasse a classificar o som do Libertines como "garage rock", mais um exemplar da onda que gerou The Strokes, Jet, The Killers e The Vines. Mas os ingleses logo reconheceram ali um legítimo representante da cultura pop britânica, com um ingrediente romântico que os projetava no mesmo patíbulo sentimental de Joy Division ou The Smiths. Uma espécie de encontro entre Baudelaire e o britpop.
É uma história conturbada. Carl Barât e Pete Doherty tinham sido amigos desde meados dos anos 90. Errantes e visionários, conta-se que foram espancados por uma garota em Holloway Road, viveram num squat em Stoke Newington e fizeram shows acústicos no Filthy McNasty's Whisky Cafe, na região de King's Cross. Em 2002, arrumaram um manager (Banny) e um contrato com a Rough Trade Records e gravaram um single com What A Waster e I Get Along. O sucesso veio numa avalanche. Em agosto de 2002, Doherty e Carl Barât se esmurraram antes de um show no Scarborough Festival, Inglaterra. Pete desapareceu e a banda teve de se apresentar como um trio. Foram se distanciando.
Ano passado, Pete, dependente de heroína e crack, invadiu o flat de Carl Barât enquanto o The Libertines estava em turnê pelo Japão e roubou uma guitarra, um gravador de vídeo, um laptop, uma gaita de boca e um CD player. Foi condenado e pegou seis meses de prisão - foi libertado com três. Há alguns dias, foi a julgamento de novo depois de ser preso com uma faca no bolso do jeans.
Doherty iniciou várias temporadas de tratamento, uma delas num mosteiro tailandês, o Thamkrabok Monastery. Enquanto The Libertines excursionava com o guitarrista Anthony Rossamondo no seu lugar, ele chegou a fazer alguns shows em clubes com sua banda Babyshambles. Há quem diga que ele volta, e Carl Barât diz que o Libertines não tem sentido sem ele.
O que vem por aí, no TIM Festival, é a mística do rock em estado bruto, e aqui, e agora.
O Libertines se apresenta no dia 07 de novembro, após os brasileiros do Grenade e os americanos do Mars Volta, no palco Lab, às 23h.
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