| Guy Webster/Divulgação |
 Brian Wilson abandonou Smile em 1967. O músico teve um colapso nervoso e precisou ser internado |
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"Meu Deus, ele deveria doar esse ouvido ao Instituto Smithsonian", declarou Bob Dylan. "É difícil pensar em algum artista contemporâneo que não tenha sido tocado pela contribuição de Brian Wilson à história do pop", afirmaram os integrantes do Garbage. "É o maior gênio do pop", disse George Martin.
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O californiano Brian Wilson, nascido em 20 de junho de 1942 em Inglewood, sempre teve reconhecimento pela sua obra única e original. E o que é melhor: foi exaltado também por seus colegas e rivais. À frente do grupo The Beach Boys, gestado em 1961, ele criou o que se convencionou chamar de surf music, fez clássicos eternos como Surfin' USA, California Girl, I Get Around e outros, mas sua influência é mais extensa e intrincada.
O escritor inglês Barry Miles, autor da biografia de Paul McCartney, Many Years from Now, conta que toda a rivalidade entre Beatles e Stones era "fajuta". "O verdadeiro adversário dos Beatles sempre foi Brian Wilson, o compositor e arranjador dos Beach Boys", escreveu Miles. Garoto precoce, aos 19 anos ele já compunha as canções do grupo Carl & The Passions, embrião dos Beach Boys. Com Mike Love (voz), Al Jardine (guitarras e voz) e seus irmãos Dennis e Carl Wilson, ele gravou Surfin' na garagem de sua casa.
A história de Wilson é grandiosa, mas também triste. Ele era surrado desde bebê pelo pai, o ambicioso Murry Wilson (ficou surdo do ouvido direito por conta de uma dessas surras). O velho, inicialmente o manager do grupo, explorou os Beach Boys o quanto pôde, até que Mike Love (primo dos Wilson) o expulsou da banda.
Em 1966, ele criou um disco considerado até hoje um das maiores pérolas do pop, Pet Sounds, inspirado, segundo Brian, em Rubber Soul, dos Beatles. Era janeiro de 1966, os Beach Boys estavam em turnê pelo Japão e Brian, que tinha sofrido um colapso nervoso na estrada, resolveu ficar compondo em sua mansão em Bel-Air, onde mantinha um estúdio doméstico. Naquela ocasião, sofria bloqueio para escrever.
Mas, embora Wilson parecesse mentalmente confuso, sua genialidade musical estava a mil. Na faixa instrumental Let's Go Away for Awhile, ele usou 12 violinos, quatro saxofones, piano, oboé, vibrafone, dois baixos, percussão e uma guitarra com uma garrafa de Coca-Cola sobre as cordas para criar um efeito de steel. Os cachorros de Brian, Banana e Louie, adicionaram "vocais" em Caroline, No. Pet Sounds foi algo tão renovador que os Beatles também fizeram a sua resposta, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Foi aí que Brian pirou, começando a gestar, em 1967, o chamado "disco perdido" dos Beach Boys, Smile.
Esquizofrênico, Brian teve graves problemas com drogas (cocaína, LSD) e com terapeutas oportunistas. Perdeu tudo, mas foi resgatado das sombras e está vivíssimo. A vinda de Wilson ao Brasil, para o TIM Festival, equivale a um show de Paul McCartney, ou Stockhausen, ou Bob Dylan. Ele é um dos verdadeiros criadores da música pop.
Brian Wilson terá o palco Stage todo para si no dia 07 de novembro. O show está marcado para às 21h30.
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