| Tim Festival/Divulgação |
 Bumba Beat é o mais legítimo sound system jamaicano, transposto para as ruas pelo jornalista e radialista Otávio Doc Reggae Rodrigues |
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Traduzir o que significa um "sound system" na Jamaica para o universo musical brasileiro não é tarefa das mais fáceis, seja no dicionário, seja na prática. Não se trata apenas de uma equipe de som, animando festas em clubes ou casas noturnas. Não apenas isso. Na ilha de Bob Marley, um "sound system" é o coração da música, o local onde ela respira livremente, sem a pressão das rádios e seus playlists viciados.
Confira programação
Em ação desde os anos 40, os SS jamaicanos são um misto de equipe de som móvel com programa de auditório, levando as novidades para as ruas, muitas vezes em cima de um caminhão ou uma Kombi, tendo no comando MCs, improvisando rimas, palavras de ordem e chamando a galera para a dança. E não convém subestimar esse inusitado formato de propagação musical. Sem os "sound system" jamaicanos não teríamos o reggae, o dub, os remixes e até mesmo o rap. Por tudo isso e o resto que o espaço não permite comentar, é fantástico ver a herança dos "sound systems" jamaicanos se espalhar pelo Brasil.
Além das já tradicionais radiolas maranhenses, os SS fecundaram também duas novas equipes de som: uma do Rio (Digitaldubs) e outra de São Paulo (Bumba Beat). No comando de ambas, dois veteranos da cena reggae brasileira: respectivamente, o baixista e produtor Nélson Meirelles e o jornalista, radialista e militante regueiro Otávio Rodrigues. Nélson Meirelles tem credenciais impecáveis: foi produtor do Cidade Negra é um dos fundadores do Rappa, onde tocou baixo durante a primeira formação do grupo.
Mesmo tendo que abandonar o cargo por razões particulares, nunca deixou de sentir o impacto do reggae bater no coração. Tanto que formou o Digitaldubs, ao lado do DJ MPC e do MC Cristiano Dubmaster. De dois anos para cá, o DD se tornou referência em termos de dub reggae no Rio de Janeiro, promovendo eventos, abrindo espaço para novos talentos e, claro, tocando dub, com todos os ecos e efeitos especiais que tem direito, algumas músicas produzidas e tocadas pela própria equipe Digitaldubs. Pelas suas festas, onde sempre há um microfone aberto, têm passado figuras premiadas como os rappers De Leve, B Negão e Black Alien, e cantores como Bernardo e Valnei (Negril).
Otávio "Doc Reggae" Rodrigues e o Bumba Beat seguiram uma trajetória parecida com a de Meirelles e o Digitaldubs. Otávio comandou um dos primeiros programas exclusivamente à base de reggae na rádio brasileira ("Roots, Rock Reggae", na Nova Excelsior FM) e também coordenou um selo dedicado ao hipnótico gênero (na Continental).
Tudo isso entre os anos 80/90. Quando os dígitos mudaram, em 2000, ele fundou o Bumba Beat, ao lado do parceiro Paul Tokely. A festa/equipe de som percorreu diversos points da capital paulista, até se fixar no formato atual, o Radiola Bumba Beat, que, por conta do novo parceiro (Bruno Lancellotti, da Radiolla Records) acrescentou ska, o avô do reggae, na brincadeira. Nos últimos quatro anos, entre um Bumba e outro, recebeu o apoio de convidados como Samuel Rosa, Daúde, Marcelo D2, Paula Lima e o DJ Yellow P.
"Sound system" que se preze é assim mesmo: uma grande família, onde sempre cabe mais um. É só chegar.
Bumbabeat e Digitaldubs se apresentam no dia 06 de novembro, no palco Motomix, ao lado de Stone Love e De Leve. O show está marcado para começar às 2h.
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