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 Detalhe da capa do álbum Man With a Movie Câmera, do Cinematic Orchestra |
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Usar os recursos da música eletrônica e os melhores sons do jazz para criar trilhas sonoras de filmes que podem existir... ou não. Eis o que levou o DJ e produtor Jason Swinscoe a fundar em 1999 a Cinematic Orchestra, um dos mais elogiados projetos da cena musical britânica dos últimos anos.
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Estudante de arte da Universidade de Cardiff, Jason começou nos anos 90 com o grupo Crabladder, que fundia jazz e punk hardcore e lhe deu grande experiência com o sampling - a arte de cortar e colar trechos musicais. DJ de várias rádios piratas. Ele terminou os anos 90 como funcionário da gravadora Ninja Tune, fundada por outros mestres do sampling, a dupla Coldcut (que veio ao Brasil em 2003, no primeiro TIM Festival).
Lá, ele aprofundou suas pesquisas na área das trilhas sonoras com elementos orquestrais e jazzísticos. Depois de alguns remixes para o próprio Coldcut e o tecladista japonês Ryuichi Sakamoto, ele montou a sua Cinematic Orchestra, que consistia em uma série de músicos improvisando sobre loops feito com samples de batidas ou linhas de baixo. Free jazz total, que acabou rendendo o disco de estréia Motion, uma charmosa peça musical em que Jason se aproveita de trechos de trilhas clássicas de Ennio Morricone e Roy Budd para criar uma paisagem sonora digna dos melhores trabalhos de DJ Shadow.
A música daquele CD não passou em branco: os ouvintes do prestigiado programa de Gilles Peterson na Radio One o elegeram o disco do ano. E assim a Cinematic começava sua carreira muito bem: logo, foi convidada pra tocar em uma festa em que o diretor Stanley Kubrick era premiado pelo conjunto de sua obra.
No segundo disco, Every Day, o produtor foi em busca de um resultado mais orgânico e orquestral. Abriu espaço para seus músicos de apoio, como o baixista Phil France e o baterista Luke Flowers, estrelas do novo jazz britânico, e chamou, para participações especiais, a diva do soul Fontella Bass e o rapper Roots Manuva - no fim das contas, não dá para saber onde acabava o jazz, começava a eletrônica e vice-versa.
Foi só uma questão de tempo até que Swinscoe fosse chamado para criar a trilha de um filme. A convite de um festival português de cinema, ele fez Man With a Movie Câmera, para a obra de mesmo nome, rodada em 1929 pelo cineasta russo Dziga Vertov. Com toda a liberdade possível, o músico embarcou numa viagem orquestral que incluiu toques de jazz-funk dos anos 70 e batidas de hip-hop do começo dos 80. É uma experiência que a Cinematic Orchestra tem recriado ao vivo, em vários clubes de jazz e em festivais de música pop como o Homelands (Inglaterra), Sónar (Espanha), Cannes (França) e Fuji Rock (Japão). Uma experiência que o Brasil enfim vai poder compartilhar com os gringos.
The Cinematic Orchestra se apresenta no dia 06 de novembro, no palco Lab, ao lado de Bebel Gilberto. O show está marcado para começar às 23h.
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