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Tim Festival 2004
Terça, 26 de outubro de 2004, 18h44 
PJ Harvey mistura blues e punk com muito charme
 
Tim Festival/Divulgação
Fora de sua carreira oficial, PJ Harvey já gravou com Nick Cave, Tricky e Queens of The Stone Age, entre outros
Fora de sua carreira oficial, PJ Harvey já gravou com Nick Cave, Tricky e Queens of The Stone Age, entre outros
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Pegue as quatro personagens de Sex & The City, acrescente uma dose de Nina Simone, bote pitadas de amargura, poesia, doçura, independência, estranheza, misture e sirva bem alto. Pronto. Você tem nas mãos Polly Jean Harvey, uma mulher de verdade, tal e qual Amélia. PJ Harvey - pode chamá-la assim - não é uma garota material. Muito menos uma princesinha fake, produzida pela indústria do disco. Forte como uma cantora de blues, sensual à sua maneira, PJ Harvey é dona do próprio nariz, capaz de tocar diversos instrumentos, produzir seus discos e cantar músicas sobre sexo, amor e religião, com uma assustadora mistura de honestidade e ironia.

Confira programação

Sem ela, o rock dos anos 90 em diante seria 'beeeem' menos interessante. Apesar de ter sido criada numa fazenda cheia de ovelhas, em Yeovil, na Inglaterra, PJ Harvey nunca quis ser uma ovelhinha. Em 1991, aos 22 anos, quando já dominava instrumentos como o saxofone e a guitarra, ela formou sua primeira banda. E causou um impacto no circuito de rock alternativo inglês já com seu debut, o single Dress. Depois de mais um single, Sheela Na Gig, o grupo - que tinha também o baixista Steve Vaughn e o baterista Robert Ellis - lançou seu primeiro disco cheio, chamado Dry. Fazendo jus ao título, ele vinha repleto de canções secas, cruas, um estilo de rock em que não havia espaço para a purpurina e para o excesso de enfeito. Dry era quase um disco de blues punk. Ou de punk blues. A ordem dos fatores não importa.

Já consagrada como musa alternativa, PJ e sua banda chamaram o produtor Steve Albini (ex-Big Black) para produzir seu segundo disco. Rid of Me ficou com a cara de Albini: barulhento, distorcido, quase metálico. Apesar do sucesso, Vaughn e Ellis saíram do grupo e PJ Harvey virou o que era para ser desde o começo: o grupo de Polly Jean Harvey. Aos poucos, ela passou a investir em sua estranha e enigmática imagem, aparecendo em fotos bizarras e ainda assim sexy. Era a sua forma de ser subversiva também no visual. Com seu terceiro disco, To Bring You My Love, PJ Harvey saiu definitivamente do status de estrela cult inglesa para conquistar o público alternativo americano também. Quase como uma forma de retribuir esse carinho, ela se mudou para Nova York, onde morou por seis meses. Na volta, inspirada por esse tempo na cidade, fez o disco Stories From The City, Stories From The Sea, que ganhou o Mercury Prize Awards de 2001, o Grammy da música inglesa, um fato até então inédito para uma mulher.

Seu mais recente trabalho é o disco Uh Huh Her, escrito, produzido, gravado e mixado pela própria PJ Harvey. O disco mantém seu som agressivo, intercalado dessa vez com baladas tão esquisitas como sua autora. Fora de sua carreira oficial, PJ já gravou com Nick Cave, Tricky e Queens of The Stone Age, entre outros. Ela também fez o papel de Maria Madalena, no estranhíssimo filme The Book of Life, do diretor Hal Hartley. Também, queria o quê? PJ Harvey cantando e dançando num blockbuster de Hollywood?

A roqueira Polly Jean Harvey se apresenta ao lado de Primal Scream e Picassos Falsos no palco Stage, dia 06 de novembro, às 21h30.
 

Redação Terra