| Tim Festival/Divulgação |
 Ao longo de mais de 30 anos de carreira, o Kraftwerk não apenas abalou profundamente as estruturas do pop, como também ajudou a gerar o hip hop e foi precursor da música eletrônica. Em termos locais, graças à sua influência surgiu o funk carioca |
|
|
 |
Busca |
|
Busque outras notícias no Terra:
|
 |
|
Nunca na história da música homens e máquinas se fundiram de forma tão perfeita quanto no Kraftwerk. Ao longo de mais de 30 anos de carreira, o grupo alemão não apenas abalou profundamente as estruturas do pop, como também ajudou a gerar o hip hop e foi precursor da música eletrônica. Em termos locais, graças à sua influência surgiu o funk carioca.
Confira programação
A idéia de um som minimalista, repetitivo e, por isso mesmo, hipnótico, não foi exclusiva do Kraftwerk. Grupos como Can e Tangerine Dream - ambos alemães também - se consagraram usando essa mesma fórmula. Mas nenhum deles foi tão longe e causou tanto impacto quanto o Kraftwerk ("Casa de força", em alemão).
Criado em 1970 por Ralf Hütter e Florian Schneider, estudantes de música clássica de Dusseldorf, desde cedo o grupo abdicou de instrumentos tradicionais - como guitarra, baixo e bateria - optando por ferramentas musicais até então consideradas de vanguarda - como baterias eletrônicas e sintetizadores. Depois de três discos quase experimentais - Kraftwerk 1, Kraftwerk 2 e Ralf and Florian - seu estilo se consagrou com o clássico Autobahn, lançado em 1974. Nele, estavam os elementos que ainda hoje marcam o som do Kraftwerk: o som "robótico", mas ainda assim humano; de formas retas, mas ainda assim com balanço. Autobahn trazia também um elemento que se repetiria em seus discos posteriores: o conceito acoplado ao disco, no caso, as estradas alemãs, suas curvas, suas retas, sua sinalização etc. A faixa título -um épico de mais de dez minutos - virou hit nos Estados Unidos em formato editado.
Nos discos seguintes - Radio Activity, Trans Europe Express e The Man Machine - o Kraftwerk fortaleceu sua sonoridade. Coerente com sua linguagem musical, o grupo optou também por aparecer pouco em sua forma, digamos, humana, preferindo usar em capas e material de divulgação figuras similares a andróides. We Are The Robots, dizia uma faixa de The Man Machine. Muitos ficaram na dúvida se o Kraftwerk era mesmo uma banda real ou não.
A partir do disco Computer World (1981), o grupo passou a ter grandes períodos de ausência entre trabalhos, ficando mais em seu estúdio, Kling Klang, experimentando novas sonoridades e apostando cada vez mais num formato visual para acompanhar suas músicas. Enquanto isso, as batidas mecanizadas do Kraftwerk foram parar no Bronx, em NY, e caíram como música nos ouvidos de Afrika Bambaataa e outros pioneiros que criaram o hip hop. Anos depois, nos guetos negros de Chicago e Detroit, essas batidas ajudaram a moldar a house music e o techno. Na Alemanha, o resultado de tanta dedicação ao aspecto visual começou a se explicar: embora raros, os shows do Kraftwerk valem qualquer espera, pois mostram sua música mecânica e cristalina aliada a visuais estonteantes, em telões que parecem absorver figuras humanas (?) em cima do palco.
Seu mais recente disco, Tour de France Soundtrack foi lançado em 2003, como uma espécie de seqüência da música Tour de France, lançada em 1983 e desde então um clássico, no qual a respiração de um ciclista marcava a batida da música. A sonoridade cinematográfica, quase widescreen, do disco mostrou que os pioneiros do som eletrônico continuam atuais e ainda inovadores.
O Kraftwerk se apresenta ao lado de Kik606 no palco Stage, dia 05 de novembro, às 21h30.
|