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Tim Festival 2004
Terça, 26 de outubro de 2004, 18h57 
Brad Mehldau verte Beatles e Radiohead para o jazz
 
Tim Festival/Divulgação
O que vale realmente é quando alguém consegue dizer algo marcante baseado na força na música, acredita  Brad Mehldau
"O que vale realmente é quando alguém consegue dizer algo marcante baseado na força na música", acredita Brad Mehldau
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Raros jazzistas teriam coragem e bagagem musical, como esse inovador pianista, para misturar num mesmo disco (o polêmico Largo, de 2002) releituras de hits da banda Radiohead, dos Beatles e de Tom Jobim com composições próprias. Transgressões estilísticas como essa, além de sua criatividade para improvisar, creditam Brad Mehldau como um dos músicos mais instigantes no cenário do jazz contemporâneo. Não é à toa que críticos de renome já o compararam a grandes pianistas do último século, como Keith Jarrett, Bill Evans (suposta influência que Mehldau rejeita) e o erudito Glenn Gould.

Confira programação

Nascido em 23 de agosto de 1970, Mehldau cresceu em West Hartford, Connecticut, no Leste dos EUA. Estudou música clássica na infância, cursando posteriormente a New School de Manhattan, onde teve aulas com os pianistas de jazz Fred Hersh, Junior Mance e Kenny Werner. Sua estréia em disco, como líder, aconteceu em 1995, no álbum Introducing Brad Mehldau (Warner).

Antes disso ele já tinha começado a despertar a atenção dos críticos e dos aficionados do jazz, em 1994, como integrante do quarteto do saxofonista Joshua Redman, Desde então Mehldau vem desenvolvendo uma trajetória musical de várias facetas. Como acompanhante, já deixou sua marca pessoal em gravações de Charlie Haden, John Scofield, Charles Lloyd, Chris Potter, Jesse Davis e Mark Turner, entre outros jazzistas de categoria. Como solista, já gravou mais de uma dúzia de álbuns, sendo cinco deles especialmente focados em seu trio com o contrabaixista Larry Grenadier e o baterista Jorge Rossy. Intitulados The Art Of The Trio, esses discos mostram em ação um dos grupos mais coesos e inventivos do jazz dos anos 90.

"O que vale realmente é quando alguém consegue dizer algo marcante baseado na força na música. Não importa se isso acontece com uma composição original ou interpretando uma composição de outra pessoa. Acho que muita coisa pode ser feita com os velhos standards", diz o inquieto pianista, que em seu novíssimo CD Live in Tokyo (selo Nonesuch), gravado ao vivo no Japão, recria composições de Thelonious Monk, George & Ira Gershwin, Radiohead e Nick Drake.

Misturas pouco ortodoxas como essa já se tornaram uma marca na carreira de Mehldau, que em trabalhos anteriores exibiu versões pessoais para canções pop de Jimi Hendrix, da banda Supertramp, de Henri Mancini e Charles Chaplin, assim como releituras de clássicos temas de jazz de John Coltrane, Miles Davis e Charlie Parker.

"O que mais me excita na música improvisada, seja tocando solo ou em trio, é o processo de assumir uma forma e abstraí-la, mas ficando sempre dentro dessa forma. Gosto de ter uma forma para pular fora, seguir em frente, mas poder sempre retornar a ela", explica o pianista, que atualmente está trabalhando em uma composição patrocinada pelo Carnegie Hall de New York, que será interpretada pela soprano Renee Fleming, no primeiro semestre de 2005.

Brad Meldhau se apresenta no palco Club, dia 05 de novembro, ao lado de Chico Pinheiro e de Nancy Wilson.

Formação: Brad Mehldau (piano), Larry Grenadier (baixo) e Jorge Rossy (bateria).
 

Redação Terra