
Atualizada às 17h00 Osmar Portilho
Direto de São Paulo
Com exceção da veterana pianista Carla Bley, 72 anos, o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, acompanhou nesta quarta-feira Esperanza Spalding e Stacey Kent, dois grandes nomes do jazz contemporâneo que admitem se inspirar na música brasileira.
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Abrindo a segunda noite do Tim Festival 2008, chamada Sophisticated Ladies, Esperanza mostrou o mesmo peso do seu baixo acústico além da versatilidade de sua potente voz. Com muita influência da música brasileira, a cantora arriscou falar português. "Olá, fico muito nervosa quando falo", disse. E ainda respondeu com um "obrigado" um grito de "linda" vindo da platéia.
Com a presença do guitarrista Chico Pinheiro, Esperanza Spalding também tocou uma versão de Ponta de Areia, música de Milton Nascimento. "Esta é uma das primeiras músicas brasileiras pela qual me apaixonei. Parece que o coração vai explodir e atingir alguém no olho", declarou.
Além da canção, ela apresentou a música I Know You Know, She Got to You e Fall In. Além do fato pouco comum de tocar o baixo acústico e cantar, Spalding chama a atenção por sua facilidade ao soltar sua voz emendando linhas melódicas tão complexas quanto as partes da música sem letra.
Stacey Kent
Já Stacey Kent, que já foi comparada a grandes nomes do jazz tradicional em função de seu timbre de voz, mostrou seu repertório baseado em seu último CD, chamado Breakfast On The Morning Tram.
A cantora também se arriscou a falar português e comentou várias vezes que estava emocionada por tocar no Brasil. "Para mim é um grande prazer compartilhar minha música com vocês. Sempre sonhei em tocar no Brasil, este mundo de música e ritmo".
Stacey também mostrou uma versão de Águas de Março, composta por Tom Jobim, e finalizou a apresentação com uma versão de What a Wonderful World, consagrada na voz de Louis Armstrong, sendo aplaudida de pé ao final da apresentação.
Carla Bley
Limitando-se a ir ao microfone apenas para agradecer ao público e apresentar a banda, a pianista e compositora Carla Bley provou sua fama consagrada como grande nome da inovação do jazz mostrando seu experimentalismo associado ao estilo clássico.
Em turnê com seu último álbum, chamado The Lost Chords Find Paolo Fresu, Bley usa temas coesos para preparar climas específicos para as linhas melódicas conduzidas pelo baixo, trompete e saxofone.
Como o experimentalismo é sua marca, a banda liderada pela pianista aproveita boa parte das jams sessions e improvisos para mostrar novos rumos melódicos, sempre mudando constantemente o ritmo e andamento da música, que por várias vezes, pode lembrar compassos de blues e até rock, fugindo do jazz tradicional.
Redação Terra
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Nicola Pizarro/FOTOCOM.NET/Divulgação
Esperanza Spalding e Stacey Kent
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