Vasti Jackson: "não existem estilos melhores do que outros"

Guitarrista do Mississipi durante show com Henry Butler, no encerramento do Bourbon Street Fest, em SP Foto: Adriano Lima / Terra
Guitarrista do Mississipi durante show com Henry Butler, no encerramento do Bourbon Street Fest, em SP
Foto: Adriano Lima / Terra
 
David Shalom
Direto de São Paulo

Quando se apresenta ao vivo, Vasti Jackson pula, cai no chão, toca deitado com as pernas para o ar e caminha em meio ao público saltitante, fazendo caras e bocas. Um sujeito elétrico. Quando conversa, tal característica não sofre muitas mudanças. Um dos grandes nomes do Bourbon Street Fest 2012, o guitarrista natural do Estado do Mississipi, nos EUA, conversou com exclusividade com o Terra pouco antes de subir ao palco para improvisar ao lado do projeto Playing for Change, durante o encerramento do evento, no último dia 19 de setembro, em Moema, zona sul de São Paulo. Dono de um visual peculiar - terno, camisa laranja, bigode fino e chapéu -, ele falou animadamente sobre a experiência de voltar a se apresentar no festival, no qual, neste ano, marcou presença pela terceira vez.

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"Eventos como este mostram a conexão entre as pessoas apaixonadas pela música negra - pelo jazz, pelo blues e pelo gospel. O que temos aqui nesta noite é a perspectiva americana, mas a música mesmo é de raiz. Você tem diversas gerações de músicos se apresentando, cada qual com seu estilo, mas sempre se respeitando entre si", disse com discurso acelerado, sempre feito com o rosto o mais próximo possível ao do repórter. "Até porque só há dois tipos de música: a boa e a ruim. Não existem gêneros melhores do que outros, é tudo música."

Para deixar seu ponto mais claro, o guitarrista explicou como outros estilos foram essenciais para a criação do jazz - e como outros, ainda mais recentes, acabaram colaborando para torná-lo ainda mais completo. "Isso que estamos ouvindo não é apenas um estilo, é uma série deles, misturados para dar alma a um todo", filosofou. "Sem o blues e sem o gospel, não há jazz. O gênero simplesmente não existiria. Se você quer o feeling do jazz, precisa do blues, do gospel, porque, senão, tudo fica muito cerebral. O blues e o gospel são os esqueletos do jazz."

Apaixonado pela música brasileira, da qual afirmou conhecer a fundo nomes como Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Jackson possui apenas uma diferença de status em relação a seus colegas de Bourbon: ele não é natural do Estado da Lousiana, onde está localizada a cidade de Nova Orleans, e sim do Mississipi. "Mas os dois são muito próximos", esclareceu. "E não só geograficamente. O clima, a cultura, as pessoas, que amam a música, a comida. São como Estados-irmãos."

Além da participação no show do Playing for Change, na noite de encerramento do festival Jackson se apresentou com o acordeonista Dwayne Dopsie e com Henry Butler, com quem executou na íntegra o repertório de mais de uma hora de duração. "Conheci Henry em Chicago, anos atrás, gravamos juntos e ele me pediu para produzirmos algo também", contou, sem esconder a admiração pelo colega. "Ele é um gênio, virtuose e não se limita a nenhum estilo de música. Adoramos trabalhar juntos, seja no palco, seja no estúdio", concluiu.

Terra