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João Bosco & Vinícius: não há mais vergonha em gostar de sertanejo

3 mai 2012
17h00
atualizado às 18h25

Antes do sertanejo universitário, subgênero da música caipira nacional que se tornou febre no Brasil nos últimos anos, havia uma certa vergonha entre as pessoas em assumir gosto pelo estilo. Isso não existe mais. Ao menos é o que afirmou a dupla João Bosco e Vinícius, nesta quinta-feira (3), no Terra Live Music, exibido ao vivo pelo Terra. A prova disso, segundo eles, é o uso cada vez maior de canções do tipo nas principais novelas dos últimos anos - que antes restringiam o gênero a trechos protagonizados por personagens do meio rural.

"Na época da faculdade, a gente falava que tinha uma dupla e as pessoas sempre tiravam sarro. O tempo foi passando e, depois que nos assistiram, passamos a ver colegas usando cinto, bota", lembrou João Bosco, formado em odontologia. "O sertanejo já estava se modernizando naquela época e hoje se tornou esse estilo que todo mundo gosta."

Para a dupla, o principal motivo para a popularização do sertanejo atual é a enorme gama de estilos que influenciam as atuais canções do gênero - como reggae, rock, eletrônico, pop e até axé -, que finalmente o levaram ao grande público das metrópoles. "Foi uma grande sacada desses músicos que estão surgindo de transformar o sertanejo em música urbana", explicou Vinícius. "A gente não toca só sertanejo: vamos misturando muitas coisas e acaba dando muito certo. A galera vai no embalo."

A prova disso é que o maior sucesso da dupla, Chora, Me Liga, canção mais tocada nas rádios no ano de seu lançamento, em 2009, ganha duas versões nos shows: a original, executada na abertura de cada apresentação, e uma em estilo reggae, que o público confere mais ou menos na metade do repertório.

"Há também a mistura do axé, cada vez mais forte. No ano passado, tocamos no Carnaval de Salvador durante 7h em cima de um trio elétrico. E cantando em todos os estilos", exaltou Vinícius.

Raiz
Apesar da mistura de estilos cada vez mais comum no sertanejo - hoje representado principalmente por nomes como Luan Santana e Michel Teló -, João Bosco e Vinícius fazem questão de não deixar de lado as origens de suas carreiras. Além das letras de amor e do sotaque forte do interior sul-matogrossense, os dois procuraram manter, mesmo passados dez anos de estrada lado a lado, os instrumentos mais característicos da música caipira em suas músicas.

"A viola, os violões de nailon, estão até hoje. O acordeão também está sempre presente, desde que começamos nos botecos da vida, 19 anos atrás", explicou João Bosco, falando também sobre o gosto por guitarras elétricas, bastante presentes no disco Curtição, indicado ao Grammy Latino de melhor álbum no ano de 2009. "A galera fala que sertanejo universitario é diferente do sertanejo, porque parece bacana dizer que gosta de sertanejo universitário. Mas, para nós, é tudo sertanejo."

Mas de onde, afinal, veio o termo "universitário" para definir o estilo? Para Vinícius, isso pode fazer parte da própria origem da dupla, que teve seu primeiro público fiel, no início da década de 2000, formado majoritariamente por colegas de faculdade. "Nossos amigos e os amigos deles eram os que frequentavam nossos shows. Quando partimos para estrada e começamos a contar nossa história para os locutores das rádios, essas coisas, acho que acabaram pegando essa origem para batizar esse novo rótulo", teorizou Vinícius.

João Bosco e Vinícius mostram versão reggae de "Chora, Me Liga"
Fonte: Terra
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