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Fresno: não dá para aceitar executivo de gravadora criticando sua música

28 jun 2012
17h08
atualizado às 18h34

Os gaúchos do Fresno se encontram em um momento de liberdade. Depois de terem passado por uma grande gravadora e por um dos principais escritórios de agenciamento do Brasil, a Arsenal Music, com quem romperam simultaneamente, eles se veem atualmente mais à vontade do que nunca para criar e experimentar influências novas em sua música, quase uma década depois de terem lançado o primeiro disco de estúdio, Quarto dos Livros, em 2003. E, para os integrantes do quarteto, convidado do Terra Live Music desta quinta-feira (28), esse se tornou o grande trunfo de sua fase atual.

"Logo que a gente saiu da Universal (Music), surgiram propostas de outras gravadoras. Mas era uma fase em que não estávamos lançando nada, só fazíamos shows e apenas pensávamos no que fazer depois em termos de música", disse o vocalista e guitarrista da banda, Lucas Silveira. "Então decidimos gravar nosso novo disco logo por conta própria. Se for para ser lançado por uma gravadora, ele irá para ela pronto. Isso é bom, porque eu não consigo aceitar que um executivo de gravadora nos diga que uma música não vai rolar. Ele não conhece a gurizada, nunca ouviu uma música nossa, nunca viu um show nosso. Gravamos da maneira mais livre possível e, assim, tudo o que está lá no disco é culpa nossa."

Aliada à experiência de anos dedicados exclusivamente à música, a total independência deu ao Fresno a oportunidade de colocar em seu próximo trabalho - o sétimo de estúdio, que deve chegar às lojas em setembro - canções que jamais entrariam nos discos anteriores. "A liberdade na música é uma responsabilidade. Tem pessoas que se sentem mais à vontade amarradas, fazendo sempre o mesmo. Mas nós queríamos expandir. Misturar música clássica com rock, fazer um som mais pesado. E fazer isso requer muito aprendizado, muito estudo, o que não tínhamos antes", explicou Silveira.

No entanto, tal sentimento em relação à música já existia antes do rompimento com a gravadora que até 2010 lançou todo os seus trabalhos. Revanche, por exemplo, seu último disco de inéditas, teve o aval da Universal, mesmo trazendo um som consideravelmente mais pesado e menos comercial do que seus antecessores. "Tivemos liberdade da gravadora para fazê-lo, o que, na época, foi primordial. A obra de qualquer artista costuma evoluir, desde os diretores de cinema, atores, músicos. Existem fases e a gente teve aquela do Revanche. Quando começamos na música, era uma influência muito de hard core, estávamos pegando experiência. Mas expandimos, crescemos."

Novos tempos
Em março deste ano, o Fresno anunciou a saída do baixista Rodrigo Tavares da banda, mudando bastante toda a ideia em torno do novo trabalho, ainda sem título. Assim, além de o disco contar com todos os baixos gravados por Silveira, nos shows o quarteto também deixou de ter um representante do instrumento, passando executá-lo integralmente por meio playbacks, controlados pelo tecladista pernambucano Mario Camelo.

Mais: o preparo do álbum, inicialmente com a ideia de ser lançado em formato de vários EPs ao longo dos meses, algo iniciado com o lançamento de Cemitério das Boas Intenções, de 2011, também foi modificado: "queríamos fazer mais dois EPs, mas isso era com a formação antiga. Optamos por não dar continuidade a isso, porque era quase outra banda com a saída do Tavares. Acabamos, então, nos juntando um dia no estúdio e vimos que tínhamos músicas suficientes para um novo disco", garantiu Silveira, afirmando que o grupo também resgatou para ele canções antigas, que ficaram ausentes de outros trabalhos por um motivo ou outro.

Mas a principal característica do Fresno atual é o aprofundamento musical, consequência dos anos dedicados à música. "A gente é bem fruto da geração que consome tudo ao mesmo tempo, sem se aprofundar. Mas em 2009/2010, eu resolvi mudar isso. Comecei a ouvir com mais cuidado Beatles, Rolling Stones, o que me abriu muito a cabeça. Mas as ideias musicais do novo disco tem como maior influência a música do cinema, de filmes. Fiquei meio sem saco de ouvir bandas", apontou Silveira.

O resultado? Ao menos para o quarteto, não poderia ser melhor: "chegamos a um som que nunca havíamos feito antes". Resta, agora, aguardar.

Revanche, por Fresno
Fonte: Terra
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