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"Ainda se discute se a guitarra é permitida no Brasil", diz Siba

19 abr 2012
16h48
atualizado às 18h57
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Marcando sua fase solo e sua volta à guitarra, Siba disse em sua participação no Terra Live Music desta quinta-feira (19) que o instrumento é ainda visto com maus olhos na música popular brasileira. O cantor e compositor que começou a carreira em 1992 no Mestre Ambrósio, um dos fundadores do movimento Manguebit no Recife, está lançando seu primeiro trabalho solo, Avante.

"Essa discussão se a guitarra é permitida no Brasil vem desde dos anos 1950. Na África, eles usam o instrumento desde a mesma época e ninguém fala nada", explicou o músico, que em sua passagem pelo Mestre Ambrósio abandonou o instrumento e se dedicou somente a rabeca.

Acompanhando de um músico na bateria, na tuba e nos teclados, Siba começou seu experimentalismo com toque regionalista de Pernambuco com o single Avante.

Na sequência, Siba comentou o desapego que teve pela guitarra em seus trabalhos anteriores. "Penso muito na concepção do instrumento na música e na época do Mestre Ambrósio a tuba começou a ser mais importante. Vendi todas as minhas guitarras na época".

Envolvido por quase 10 anos com o Fuloresta do Samba - projeto com músicos da Zona da Mata -, o cantor, músico e compositor agora lança sua carreira solo com Avante. Siba explicou que o novo álbum é um trabalho de cerca de cinco anos de experiências pessoais. "A linha condutora dele é o texto, que foi construído com momentos que passei ou pensei ao longo do tempo, com indagações profissionais e questões da minha própria vida", contou. "Tenho o mau costume de focar em uma coisa só. Cada trabalho meu marca muito o momento da minha vida".

Siba seguiu com a faixa Brisa antes de falar sobre o vazamento do disco na internet, em fevereiro deste ano. "Foi perfeito, porque deu uma abertura maior. Vazou pelas pessoas que receberam em primeira mão e eles tiveram uma audição muito atenta do disco. Acabou que foi charmoso de alguma forma", disse.

A terceira música do programa foi a Ariano, primeira música ouvida do disco, que foi divulgada no documentário Siba - Nos Balés da Tormenta, sobre a carreira do músico.

Com Avante produzido por Fernando Catatau (ex-Cidadão Instigado), ele também contou sobre a presença do músico e como foi a escolha dos instrumentos no disco. "Foi fácil trabalhar com ele, foi só não deixa-lo tocar o disco todo", disse, rindo. "Sobre a tuba, não foi uma invenção minha. Ela tem esse timbre do metal e em um momento da minha vida comecei a ver aquilo com uma maneira muito sedutora de ter os graves. Hoje é quase uma relação de dependência".

Antes de apresentar Canoa Furada, Siba comentou sobre a presença da empresária Melina em seu trabalho. "Ela extrapola esse nível apenas de empresária. Ela está antes, durante e depois da construção da música, guiando para onde ela vai. É difícil achar esse nível de envolvimento do artista com o produtor".

Única que não está presente em Avante, o bolero Alados foi a quinta faixa tocada por Siba. A música é uma antiga parceira do músico com Lúcio Maia, do Nação Zumbi.

Depois veio Bravura e Brilho, canção escrita em homenagem a seu filho, Vicente. Abraçado ao pai na capa do disco, o músico contou que ele é o motivo central deste trabalho. "O álbum não é dedicado a ele, mas sua presença está toda ligada".

Perguntado se incluirá mais músicas de Mestre Ambrósio em seus shows, Siba comentou que já toca Mestre Guia e que pretende tocar Gavião ("ela tem tudo a ver com a minha vida") e Brevemente. Para terminar, o músico tocou Prepare Seu Salto

A Bagaceira, por Siba
Fonte: Terra
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