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'Terra Live': Pavilhão 9 promete peso e surpresas para Lollapalooza

5 abr 2012
17h04
atualizado às 18h06

Um dos principais representantes do hip-hop nacional nos anos 1990, o Pavilhão 9 retorna aos palcos depois de cinco anos de recesso, neste sábado (7), na primeira noite do Lollapallooza. E, convidada do Terra Live Music desta quinta-feira (5), a banda prometeu compensar os fãs no festival devido à longa ausência do cenário da música.

"O set vai ser pesado. Estamos há tanto tempo longe que vamos dar tapa na orelha mesmo", disse o baixista Marinho, prometendo um repertório que incluirá todos os cinco discos de estúdio do septeto, cujo debut, Primeiro Ato, foi lançado há exatamente vinte anos.

Rhossi, Mc desde a formação original da banda, foi mais longe e afirmou que, a exemplo do ocorrido no Rock in Rio, em 2001, haverá surpresas no festival paulistano - na ocasião, os sete integrantes subiram pela primeira vez a um palco sem suas famosas máscaras, que devem voltar a ser vestidas no evento. "Vamos ir com tudo. O Pavilhão tem músicas mais pesadas, outras mais raps e ainda outras eletrônicas. Mas o peso vai dominar", afirmou.

O retorno em grande estilo, a ser realizado no até agora principal evento roqueiro do País no primeiro semestre, deveria, no entanto, vir acompanhado por um single, não lançado em consequência da "correria" dos últimos meses. "A ideia era que mostrássemos ela antes e tocássemos essa música nova já no festival, mas acabamos não tendo tempo e vamos deixá-la para depois", explicou Rhossi.

Sem o baterista Fernando Schaefer, famoso por ter tocado na banda Rodoxx, que não pôde comparecer ao programa por causa de compromissos, o Pavilhão apresentou nos estúdios do Terra alguns de seus principais sucessos em formato pocket show. Canções como Mandando Bronca e Otários Fardados foram executadas pelos Mcs Rhossi e Doze acompanhadas apenas pelos samplers e scratches do DJ Paul, mais novo integrante do grupo.

Sempre polêmico
Uma das maiores curiosidades em relação à banda fundada no bairro periférico do Grajaú são as máscaras usadas por seus integrantes ao longo de mais de uma década. O uso de tais artifícios, no entanto, teve motivo. O conteúdo do primeiro hit do Pavilhão, Otários Fardados, uma crítica direta à polícia paulista, rendeu aos músicos uma série de ameaças anônimas vindas de supostas autoridades que teriam ficado ofendidas com o posicionamento da letra.

"Na época que lançamos, descobriram o telefone da nossa então gravadora e passaram a ligar direto, falando um monte. Quando fomos fazer o primeiro show depois de o disco sair, começamos a usar a máscara", explicou Rhossi, creditando a ideia a ele e ao ex-integrante DJ Branco. "Mas as máscaras acabaram criando um impacto com a galera e decidimos passar a usá-las sempre."

No entanto, apesar de terem cansado seus portadores, os disfarces foram também rendendo histórias engraçadas a respeito deles ao longo do tempo. "Eu tinha um vizinho que nos levava aos shows e, certa vez, quando estávamos chegando, colocamos as máscaras para irmos nos preparando, já que nunca aparecíamos publicamente sem elas. Só que ele não sabia que as usávamos e começou a perguntar: 'o que vocês vão fazer com isso aí'", se divertiu Rhossi.

"Mas chegou um momento que ficou inviável usar essas máscaras", completou Marinho. "Alguns diziam que seríamos que nem o Kiss, que tirou a máscara e não fez sucesso, mas as tiramos mesmo assim."

O próprio nome da banda rendeu bastante polêmica no início de sua carreira - algo que, em vez de prejudicar, ajudou a impulsionar seu sucesso. O Pavilhão 9 ficou famosos por ter sido a mais violenta divisão do Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru, desativada em 2002. Foi nele que ocorreu o massacre responsável pela morte de 111 detentos, em 1992.

"Lançamos nosso primeiro disco bem na época do famigerado massacre, então acabamos atraindo a mídia e o público, o que foi positivo", disse Rhossi.

Fonte: Terra

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