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Morrissey abre turnê no Brasil com casa cheia em BH

7 mar 2012
23h04
atualizado em 31/5/2012 às 16h59
Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O show que abriu a turnê brasileira do cantor inglês Steven Patrick Morrissey, 52 anos, em Belo Horizonte (MG), durou uma hora e meia, cerca de 30 minutos a mais que os anteriores na Argentina. E parece não ter sido coincidência o ex-vocalista do The Smiths "esticar" a apresentação na capital mineira, já que Morrissey se mostrou bastante à vontade no palco e por diversas vezes interagiu com o público presente no Chevrolet Hall, na noite desta quarta-feira (7). Morrissey também se apresenta neste domingo (11) no Espaço das Américas, em São Paulo, com transmissão ao vivo do Terra.

Morrissey abriu o show sem surpresas - exatamente igual às quatro apresentações realizadas na Argentina. O músico cantou primeiro First of the Gang to Die, do disco You Are the Quarry, de 2004, e em seguida You Have Killed Me, de Ringleader of the Tormentors, de 2006. E logo de cara fez questão de agradecer à platéia belorizontina em português: "Obrigado, obrigado", disse ao final de You Have Killed Me.

O cantor inglês trouxe a Belo Horizonte 18 músicas, uma mescla de sua carreira solo, iniciada em 1987 depois do fim dos Smiths, e também sucessos do antigo grupo. Do antigo grupo entraram canções como How Soon Is Now, Still Ill e There Is a Light that Never Goes out. De sua carreira solo, Everyday like Is Sunday, Black Cloud, Let Me Kiss You e Alma Matters, entre outras.

Durante a execução de Meat is Murder, Morrissey aproveitou da letra e do vídeo exibido no telão atrás do palco para fazer críticas ao consumo de carne animal. No clipe foram mostrados frangos e outros animais em granjas, prontos para o abate e o consumo humano. Em um dos trechos apareceu a frase, com letras grandes: Chickens and Turkeys (Galinhas e Perus). O ritmo arrastado da música e também a exibição de figuras geométricas no telão ajudaram a compor o cenário sombrio em torno do tema.

Os integrantes da banda de Morrissey também protestaram contra a matança, desta vez de civis na Síria, país do Oriente Médio. Eles estavam vestidos com camisas vermelhas com a frase "Assad is shit" (Assad é m...) estampada na parte da frente, em uma referência ao ditador Bashar al-Assad, que se mantém no poder há quase 12 anos e que enfrenta forte resistência popular para que deixe o comando da Síria, onde desde março milhares já morreram em confrontos.

Morrissey trocou de camisa várias vezes e duas delas foram parar nas mãos de fãs no meio da pista. Ele também fez questão de mostrar mais uma vez o seu agradecimento ao público mineiro: "Don´t forget you. We love you, I love you", gritou, para delírio dos fãs.

O show terminou após o cantor levar a balada Please, Please, Let Me Get what I Want e encerrar no bis com One Day Goodbye will Be Farewell. "Obrigado, Brasil, thank you", agradeceu.

Expectativa recompensada
Antes da apresentação a ansiedade dos fãs era grande, já que esta foi a primeira vez que Morrissey veio a Belo Horizonte. E o show aconteceu por acaso, já que a a apresentação prevista para Porto Alegre foi cancelada. Expectativa compensada pelo vigor e animação do artista e da banda, logo percebidos pela platéia que tomou completamente a pista e arquibancadas do Chevrolet Hall.

O público era formado, em sua maioria, por pessoas na faixa dos 35 aos 45 anos de idade, geração que melhor pôde acompanhar a trajetória do músico quando despontou na música pop com o The Smiths no início da década de 1980.

"Os críticos reclamam que o show do Morrissey é curto, que ele não toca quase nada do The Smiths, mas isso não importa", opinou o gestor cultural Felipe Amaral, que acompanhou apresentação do cantor recentemente em Glasgow, na Escócia. "Quando eu soube que ele viria ao Brasil, pulei de alegria! Já estava pronta para ir ao Rio, mas disseram que ele viria a Belo Horizonte e aí foi só comemorar", completou a designer Daniela Melo.

A publicitária Verônica Lopes, por outro lado, não estava muito contente. Isso porque, na porta da casa de shows, descobriu que havia gastado mais em sua entrada do que com a de uma amiga, a quem esperava para acompanhar o evento. "Paguei R$ 100 da mão de um cambista para ela e, antes disso, comprei para mim por R$ 150! Não dá para entender como com o cambista é mais barato!", lamentou.

O cantor inglês Morrissey se apresentou em Belo Horizonte
O cantor inglês Morrissey se apresentou em Belo Horizonte
Foto: Paulo Fonseca / Futura Press
Fonte: Especial para Terra
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