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Jarvis Cocker: me expresso no palco de uma forma diferente da vida real

19 nov 2012
10h59
atualizado às 11h26
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Barcelona era a cidade para se estar naquela última semana de maio de 2011. No sábado (28), o Barcelona enfrentaria o Manchester United, em Wembley, pela final da Liga dos Campeões da Europa. A cidade transpirava o duelo, mas a Praça Catalunha, no alto das ramblas, tradicional local de comemoração da torcida, estava tomada pelos "indignados", os jovens manifestantes que ocupavam diversas cidades pela Espanha de forma pacífica para protestar contra o sistema político, que eles argumentavam não os representar. Um dia antes do grande jogo, a polícia invadiu a praça para retirar os manifestantes e garantir a festa em caso de vitória. Nos confrontos, cerca de 110 pessoas acabaram feridas. Naquela noite, em seu primeiro show à frente do Pulp em nove anos, Jarvis Cocker dedicaria Common People aos indignados. Prestes a vir para o Brasil pela primeira vez, ele se apresenta com o Pulp no dia 28, no Via Funchal, em São Paulo, com transmissão ao vivo do Terra.

Jarvis Cocker se apresenta no Brasil com o Pulp no dia 28 de novembro, no Via Funchal, em São Paulo
Jarvis Cocker se apresenta no Brasil com o Pulp no dia 28 de novembro, no Via Funchal, em São Paulo
Foto: Matt Cardy / Getty Images

"Ela não foi composta como uma canção política, mas pode ser. É baseada na vida real, e não é exatamente disso que se faz a política", comenta Cocker em entrevista por telefone ao Terra relembrando aquela noite. O cantor disse que soube do conflito horas antes de fazer o show que marcaria a volta do Pulp aos palcos. Na plateia, diversos cartazes pediam que ele dedicasse a música ao movimento. "Eu estava nervoso com o show, e de repente percebi o quão egoísta estava sendo, porque em outro lugar da cidade pessoas estavam sendo atingidas na cabeça pela polícia."

Cocker confessa que estava ansioso de novo na última terça-feira (13), quando o Pulp se apresentou em Paris quatro meses após o último show e logo antes de vir à América Latina para uma turnê de quatro apresentações. "Fiquei me perguntando se ainda conseguia fazer um show", diz, calmamente. Cocker ficou conhecido nos anos 1990 por sua narrativa simples e cheia de imagens, transformando músicas quase em crônicas do cotidiano. Vestindo sempre ternos impecáveis, no palco sua interpretação intensa acaba ampliando o significado das canções. "O palco é um local onde me expresso de uma forma que não consigo na vida real", ele explica. "Ali, tenho acesso a uma parte de mim que não costumo ter. E há o fato de você estar na frente de muitas pessoas, ao vivo, em tempo real, e tendo que fazer com que aquilo valha a pena."

O Pulp é o quarto artista relevante do britpop a passar pelo Brasil em 2012 - Noel Gallagher veio para shows solos, Gaz Coombes, ex-Supergrass, tocou no Porão do Rock e o Suede se apresentou no Planeta Terra -, mas Cocker garante "tentar não entender" o movimento nos dias de hoje. Para ele, o britpop foi importante pois, em algum momento, parecia que bandas alternativas teriam um crescimento cada vez maior de público. "Infelizmente, ele acabou se tornando um movimento que só olhava para o passado. Era como se vivêssemos nos anos 1960." Uma crítica que o cantor estende à nova geração de músicos. "Hoje temos tanta informação que praticamente ninguém cria nada novo, apenas copia. Eu sei que isso funciona em diversos campos, como moda, e acaba funcionando para a música, mas transforma o mundo numa espécie de karaokê."

Assim, Cocker desconversa quando fala sobre planos futuros. "Eu não tendo a ver minha vida como minha carreira", justifica. Ele está feliz apresentando um programa de rádio semanal, aos domingos, na BBC, e pretende começar a fazer alguns curta-metragens com sua câmera recém-comprada. Livros estão fora de questão. "Não gosto de usar muitas palavras. Músicas não são fáceis, mas consigo condensar melhor meus pensamentos", explica. "E assim eu uso apenas uma folha de papel, livros consomem muitas. Me preocupo com o ambiente, sou verde", brinca. Um novo álbum do Pulp ou de sua carreira solo também não estão no horizonte, pelo menos por enquanto. "Sempre escrevo, mas já há muita música, filmes e livros para as pessoas consumirem. vale esperar para quando se tiver algo bom a dizer."

Naquela noite de sexta-feira, em Barcelona, Cocker economizou nas palavras, mas condenou a ação da polícia na Praça Catalunha. Algumas horas antes, uma marcha pelas ramblas, que ficaram lotadas, levou os moradores da região às janelas, munidos de panelas, para protestar contra a violência. Apesar da ação policial, os "indignados" reocuparam a Praça até a noite. No sábado, o Barcelona não deu chance ao Manchester e, com um 3 a 1 incontestável, conquistou mais um título de uma geração brilhante, sob (também) os olhos de uma parte do público que havia aplaudido o Pulp um dia antes e assistia ao jogo em um telão no Primavera Sound. Os torcedores se dirigiram à Praça catalunya, mas os manifestantes passaram a madrugada formando um círculo de proteção ao redor dela, de mãos dadas e com cartazes de não violência. Quase todos os acessos estavam bloqueados pela tropa de choque da polícia, que parecia esperar o mínimo problema para entrar em ação. Nada aconteceu, porém, como na vida das pessoas comuns.

Terra Live Music
O projeto anual Live Music Rocks é realizada em parceria entre Terra e XYZ Live e traz ao Brasil nomes importantes do cenário da música internacional. Já recebeu em 2012 Morrissey, Noel Gallagher, Maroon 5, Evanescence e Robert Plant.

Já a plataforma Terra Live Music, que engloba todos os shows transmitidos ao vivo pelo Terra, no último ano trouxe de graça via web apresentações de artistas como Paul McCartney, que atraiu audiência de 1,5 milhões de pessoas em toda a América Latina. Este sucesso de público também aconteceu nas transmissões ao vivo dos shows de U2 e Kasabian, que literalmente encerrou as transmissões de shows ao vivo em 2011, com apresentação, direto de Londres, em 31 de dezembro.

O projeto também inclui a realização de um programa semanal, todas às quintas-feiras a partir das 16h, com apresentação de Lorena Calabria e participação de internautas. Uma banda convidada faz apresentação direto do estúdio do Terra em São Paulo.

Fonte: Terra

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