0

"É muito simbólico abrirmos show do Kiss", diz vocalista do Viper

17 nov 2012
20h26
atualizado em 19/3/2013 às 14h04
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

Principal voz do heavy metal nacional, André Matos não se mostrava muito ansioso antes de entrar no palco com o Viper, neste sábado (17), na abertura do show do Kiss, na Arena Anhembi, em São Paulo. O vocalista, também conhecido por seus trabalhos no Angra e no Shaman, explicou em entrevista exclusiva ao Terra que o principal motivo para tamanha tranquilidade era, além dos mais de 25 anos de estrada, o fato de a banda que ajudou a fundar há um quarto de século ter tudo a ver com o quarteto norte-americano, deixando seus integrantes à vontade para lidar com as quase 30 mil pessoas presentes no local.

André Matos durante entrevista concedida ao Terra, neste sábado, na Arena Anhembi, em São Paulo
André Matos durante entrevista concedida ao Terra, neste sábado, na Arena Anhembi, em São Paulo
Foto: Osmar Portilho / Terra

"É muito especial este momento, mas estamos todos muito confortáveis. Há 25 anos, quando começamos, o Kiss era a grande referência do rock, então é muito simbólico eles estarem aí, há tanto tempo na ativa, e nós podermos dividir esse mesmo palco tanto tempo depois, com os mesmos grupos", explicou, lembrando ter tido experiência semelhante em 1994, quando tocou dividiu o com Paul Stanley e companhia o line-up da primeira edição nacional do finado festival Monsters of Rock.

Na última década, o vocalista viu sua carreira passar por diversos altos e baixos, entre eles a saída do Angra, até hoje seu maior legado, a fundação e o posterior abandono do Shaman, a falência do o mega-projeto Symphonia e o início de um trabalho solo, ainda não muito bem sucedido no Brasil. A reunião do Viper - que não incluiu o guitarrista Yves Passarel, atualmente envolvido com compromissos com sua banda atual, o Capital Inicial -, no início do ano, levou o nome de Matos de volta à mídia, gerando um novo auge após anos de vacas magras.

"Foi tudo planejado de forma muito repentina. Somos todos grandes amigos e pensamos que seria legal fazer algo para marcar essa data tão especial. Só que nossos planos eram uma turnê de apenas um mês, que acabou tomando uma proporção tão grande entre os fãs que acabou durando três", disse Matos, que encerra o giro nacional com o grupo no próximo dia 2 de dezembro, na Via Marquês, em São Paulo, mesmo local onde o Viper gravou um DVD meses atrás, com previsão de lançamento para 2013.

"Acho que foi por esse motivo que os promotores do Kiss resolveram nos chamar, além do fato de termos tudo a ver com eles, por todo esse paralelo entre nossas histórias. Acaba sendo uma cereja no bolo para o encerramento desse giro."

No entanto, apesar da excelente repercussão da reunião da banda paulistana, cujo primeiro trabalho de estúdio, Soldiers of Sunrise, foi lançado em 1987, o giro não deve ter continuidade. "Desde o início, combinamos que essa volta seria pontual. Claro que não dá para dizer que nunca mais voltaremos a fazer isso, mas eu tenho minha carreira solo, acabei de lançar um novo disco, e os outros integrantes também têm seus próprios projetos e trabalhos", afirmou.

E, se o atual momento do heavy metal é aparentemente um dos piores da história do estilo no Brasil, com seus principais representantes com problemas para angariar novos fãs - e, naturalmente, vendo o afastamento daqueles mais antigos -, Matos garante não sentir muito esse problema. Isso porque, além de ver o gênero como cíclico, marcado desde a década de 1970 por momentos de altos e baixos, ele vê os fãs do gênero, como é comumente discursado, longe de abandonar seus ídolos.

"Não tenho do que reclamar, porque o cara que curte metal é fiel, colecionador, e nós, cientes disso, procuramos dar a ele motivos para continuar sendo assim. Por isso caprichamos nos encartes, nas produções dos álbuns", explicou, citanto o Kiss como exemplo máximo de quem leva esse fanatismo em consideração para se manter sempre em alta. "Eles são especialistas em afagar o público, em criar produtos que os fãs querem ter, e usamos isso como um exemplo para melhorarmos."

Nada de Angra
Enquanto a reunião com o Viper pegou a maioria dos fãs de surpresa, já que Matos deixou o grupo em 1990 e comandou duas bandas de grande importância ao cenário do metal nos anos seguintes, há mais de uma década é esperado pelo público um possível retorno do Angra à sua formação original. O assunto se torna ainda mais atual visto que o grupo paulistano, o maior nome do estilo no País depois do Sepultura, está atualmente sem vocalista e completará, em 2013, 20 anos do lançamento de seu primeiro álbum, Angels Cry. Mais: Kiko Loureiro, guitarrista da banda, já confessou ver como viável a possibilidade de o quinteto voltar a dividir o palco para comemorar a data. Matos, no entanto, pensa de outra maneira.

"Meu ponto de vista em relação ao Angra é que, quando nos separamos, deixamos as coisas muito mal resolvidas. A banda se tornou muito mais profissional do que prazerosa, e eu preciso ter prazer quando faço música", esclareceu o vocalista, explicando que o caso é totalmente diferente do ocorrido com o Viper, pois a amizade com os integrantes deste, mesmo após sua saída, sempre permaneceu forte. "Para rolar algo com o Angra, muitas coisas teriam de ser resolvidos. Estou muito bem em minha carreira solo, com o Viper. Da minha parte, não interessa uma reunião, definitivamente."

Mas Matos garante que não vai deixar a data passar em branco, até por ela fazer parte do início da fase mais bem-sucedida de sua carreira. E, para 2013, ele promete relembrar clássicos do disco, cujo play-list inclui as populares Carry On e Wuthering Heights, releitura da canção homônima da cantora Kate Bush. "Até hoje eu canto algumas músicas do Angra nos meus shows, até porque é impossível deixá-las de lado, pois fazem parte da minha história. No ano que vem, farei o mesmo, mas procurando dar uma ênfase especial ao Angels Cry. É um trabalho muito importante", resumiu.

Terra Live Music
O projeto anual Live Music Rocks é realizada em parceria entre Terra e XYZ Live e traz ao Brasil nomes importantes do cenário da música internacional. Já recebeu em 2012 Morrissey, Noel Gallagher, Maroon 5, Evanescence e Robert Plant.

Já a plataforma Terra Live Music, que engloba todos os shows transmitidos ao vivo pelo Terra, no último ano trouxe de graça via web apresentações de artistas como Paul McCartney, que atraiu audiência de 1,5 milhões de pessoas em toda a América Latina. Este sucesso de público também aconteceu nas transmissões ao vivo dos shows de U2 e Kasabian, que literalmente encerrou as transmissões de shows ao vivo em 2011, com apresentação, direto de Londres, em 31 de dezembro.

O projeto também inclui a realização de um programa semanal, todas às quintas-feiras a partir das 16h, com apresentação de Lorena Calabria e participação de internautas. Uma banda convidada faz apresentação direto do estúdio do Terra em São Paulo.

Veja também:

Netinho de Paula e os 30 anos de Negritude Jr
Fonte: Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade