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Talento indiscutível e abusos marcaram vida de Amy Winehouse

23 jul 2011
14h53
atualizado em 24/7/2011 às 01h53

A morte de Amy Winehouse aos 27 anos coloca ponto final em uma das mais inconstantes trajetórias da música contemporânea. Com talento vocal impressionante, a cantora britânica foi unanimidade em duas características opostas: talento e polêmicas. Com capacidade vocal inquestionável, suas performances eram apenas atrapalhadas por seu principal problema: o abuso de álcool e drogas.

A cantora Amy Winehouse em foto de 2009
A cantora Amy Winehouse em foto de 2009
Foto: AFP

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Amy Winehouse nasceu em Londres no dia 14 de setembro de 1983 em uma família judia, que teria sido a fonte de seu interesse por jazz. Foi criada nos subúrbios de Southgate, ao norte de Londres, e iniciou seus estudou na Ashmole School.

Aos nove anos, por sugestão de sua mãe Janis, entrou em uma escola de teatro, a Susi Earnshaw, e lá ficou por cerca de quatro anos. Aos 12 anos ingressou na prestigiosa escola de teatro Sylvia Young Theatre School, de onde foi expulsa antes de se formar por "falta de aplicação" e por ter colocado um piercing no nariz.

Foi nessa idade que Amy começou a escrever cancções e ingressou rapidamente no meio musical. Além de cantar em um grupo de jazz, Amy chegou a colaborar com textos para a World Entertainment News Network.

Com alguma publicidade de seu trabalho - e graças ao cantor e amigo Tyler James que levou um disco demo dela a um produtor musical - assinou um contrato em 2002 com a Island Records.

Sucesso arrebatador
Em alguns meses de trabalho, Amy conheceu Salaam Remi, que produziu a maior parte de seu álbum de estreia, Frank. Lançado em outubro de 2003, o disco foi bem acolhido pela crítica, recebeu elogios e Amy foi comparada a grandes vozes, como Macy Gray e Sarah Vaughan. Este trabalho lhe rendeu uma nomeação ao Mercury Prize e ao Ivor Novello Award em 2004 pela música Stronger Than Me.

O segundo álbum, Back to Black, lançado em outubro de 2006, catapultou a fama da cantora. Foi o disco mais vendido no Reino Unido em 2007, com 1,85 milhão de cópias vendidas. O single mais famoso, Rehab, foi eleito pela revista Time como a melhor música de 2007.

Back to Black ainda recebeu seis indicações ao Grammy 2008, das quais venceu cinco: Canção do Ano, Gravação do Ano, Artista Revelação, Melhor Álbum Vocal Pop, Melhor Performance Vocal Pop Feminina.

Graças aos numerosos prêmios que recebeu, a Universal reeditou o disco em formato de luxo com um CD adicional que incluía oito clássicos interpretados por Amy, como Cupid, de Sam Cooke, e uma versão acústica de To Know Him Is To Love Him, de Phil Spector.

Em 2007 foi considerada a revelação musical do ano, liderando a lista de vendas no mundo todo com o álbum Back to Black, do qual vendeu mais de seis milhões de cópias até 2008 e com o qual ganhou um Brit Award na categoria de Melhor Artista Britânica.

Além disso, Rehab foi eleita a "Melhor Música do Ano" nos prêmios concedidos anualmente pela prestigiosa revista Mojo. Nesse mesmo ano, a cantora ganhou o prêmio "Artist Choice" nos MTV Europe Music Awards, em Munique (Alemanha).

Em 2008 conquistou cinco prêmios Grammy em uma cerimônia que foi celebrada em Los Angeles e à qual a cantora britânica não pôde comparecer por problemas na concessão de seu visto.

Em 4 de julho de 2008 cantou no "Rock in Rio Madri", em Arganda del Rey, junto a outros artistas internacionais como The Police, Lenny Kravitz, Jamiroquai, Franz Ferdinand, Tokio Hotel, Alejandro Sanz e James Morrison.

Vida conturbada
Enquanto sua carreira musical disparava, Amy enfrentava problemas na vida pessoal, especialmente com as drogas. Em diversas entrevistas, ela relatou ter problemas com depressão, alimentação e abuso de entorpecentes. A partir de 2005, começaram a vir à tona diversos as polêmicas com alcoolismo, perda de peso e frequente uso de drogas.

Os problemas pareceram piorar quando começou a se relacionar com o diretor de videoclipes Blake Fielder Civil, que, de acordo com pessoas próximas a ela, inclusive seu pai, foi o responsável por lhe apresentar a heroína e o crack. Os dois se casaram em 2007 e foi nesse ano que a cantora foi presa pela primeira vez, por posse de maconha, fato que viria a se repetir ainda algumas vezes em sua vida, por acusações como agressão e distúrbio de ordem pública.

Em agosto de 2007, Amy cancelou diversos shows na Europa alegando exaustão e saúde debilitada. Durante essa época, ela foi hospitalizada por, supostamente, overdoses de heroína, ecstasy, cocaína e álcool. No ano seguinte, a cantora chegou a ser novamente presa por posse de drogas, e foi internada em clínicas de reabilitação.

Amy fez uma carreira repleta de músicas pessoais e cativantes, escândalos por seu comportamento e envolvimento com drogas e álcool. Nos últimos tempos, ela fez poucos shows e foi criticada pela indústria musical: além de desapontar alguns fãs ao fazer apresentações muito curtas, muitos especialistas afirmaram que sua potência musical, característica marcante da cantora, estaria menor.

Nos meses mais recentes, no entanto, as coisas pareceram começar a se acertar. Amy, já divorciada de Blake Civil desde 2009, assumiu um relacionamento estável com o diretor de filmes Reg Traviss, que em março de 2011 confirmou que estava há um ano com a cantora, garantindo que ela se mostrava saudável e feliz - fato corroborado por muitas fotos divulgadas pela mídia ao final de sua vida. A aparente recuperação da estrela foi confirmada quando ela anunciou uma pequena turnê europeia.

Contudo, no dia 18 de junho deste ano, Amy iniciou o giro no continente com o que acabou se tornando o último show de sua carreira, em Belgrado, na Sérvia. A cantora mal conseguiu se apresentar porque estaria muito bêbada, chegou a derrubar o microfone no chão e teria sido vaiada pelo público. Após a malograda apresentação, ela cancelou duas apresentações na Turquia e na Grécia, e, posteriormente, todas as outras etapas do tour. Seus representantes alegaram "problemas de saúde".

Na tarde deste sábado, a cantora foi encontrada morta em sua casa em Londres.

Fonte: Terra
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