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SP: The Cure equilibra faceta dark com hits radiofônicos em show extenso

7 abr 2013
03h52
atualizado às 14h35
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Robert Smith deixou claro antes de chegar ao Brasil: para não sair frustrado de cima do palco, precisa tocar pelo menos 3 horas, o que significa abusar do arsenal de sua vasta carreira de 13 álbuns. No show deste sábado (6), no Anhembi, em São Paulo, o cantor repetiu o que havia feito no Rio de Janeiro na quinta-feira (4), enfileirando 40 canções em um show extenso, que balanceou a faceta dark sem sonegar os hits radiofônicos, que vieram espalhados pelo set, como alpinos em caixas de chocolate. Robert Smith suou - literalmente - para dar um show perfeito para fãs que ficaram 17 anos sem vê-los.

Com quase 35 anos de carreira, o The Cure está em um clube restrito dentro da história do rock: as instituições. São pouquíssimas bandas que conseguem, depois de décadas, manter prestígio e popularidade capazes unir mundo diferentes lado a lado. Friday I'm In Love, hit de comédia romântica e trilha de dezenas de casais, por exemplo, viu lado a lado na plateia Felipe Solari, tirando foto com a vendedora de chiclete, e Jair Naves, cantor da cena independente que carrega suas canções do clima soturno do Cure.

Se a introspecção de seus momentos mais dark tornou o The Cure ícone de um estilo e de uma década, foi a sensibilidade de Smith para falar de amor que os alçou ao sucesso de massa. Do sofrimento tímido de Boys Don't Cry, que apareceu quase no final do segundo bis, à declaração escancarada de Just Like Heaven, passando por Lovesong (com direito a vídeo cheio de corações no telão), são esses os momentos de maior participação e ânimo da plateia. De resto, o clima foi de apatia.

Uma semana após o Lollapalooza, o The Cure sofreu do mesmo mal de uma das melhores apresentações do festival, o Flaming Lips: show certo no lugar errado. Após ser transferido do Morumbi - que já teria 30 mil ingressos a menos que o habitual - para o Anhembi, o show provou que seria bem melhor aproveitado se o público pudesse levar cadeiras para descansar nos momentos mais contemplativos, como a reta final da primeira parte, com músicas como Wrong Number e Want. A dinâmica do show também foi prejudicada pela área VIP. Apesar de lotada - o setor teve seus ingressos esgotados -, estava abarrotada, como de hábito, de pessoas que normalmente não estão muito preocupadas com o show, criando um distanciamente entre banda e fãs. 

No palco, Robert Smith e banda - Simon Gallup no baixo, Roger O'Donnell no teclado, Jason Cooper na bateria e Reeves Gabrels na guitarra - fazem um show extremamente competente, mantendo-se tão fieis quanto possível aos arranjos originais. A execução é exemplar, com riffs e climas de teclados se destacando sobre uma base precisa qual relógio da cozinha. Destaque para a voz de Robert Smith, que, mesmo aos 53 anos, soa idêntica aos registros do começo dos anos 1980, ainda que o cantor já não se arrisque em alguns momentos mais altos das melodias.

<p>Robert Smith suou literalmente para dar aos fãs o melhor show possível, com set de 40 músicas e hits de todas fases</p>
Robert Smith suou literalmente para dar aos fãs o melhor show possível, com set de 40 músicas e hits de todas fases
Foto: Marcelo Pereira / Terra

Se a primeira hora e meia foi generosa com os hits - High, Inbetween Days, Lullaby, Mint Car apareceram -, após Friday I'm In Love, a vigésima canção, a banda emenda uma sequência mais lenta até End, que marca a primeira saída para o bis. Neste momento, um clarão se abriu na frente do palco, mas o público remanescente não arredou pé até os acordes de Killing An Arab, que encerrou a apresentação. Ganharam no meio tempo The Lovecats, Close to Me e Why Can't I Be You. Nada mal.

Smith disse em entrevista ao Terra que a primeira passagem pelo Brasil foi o momento em que percebeu que a banda era gigante. Pudera: aqueles seis shows eram raridade no Páis, à época fora da rota das grandes turnês. O Cure também era presença garantida em programas como o Globo de Ouro e o rock nacional bebia diretamente da fonte do pós-punk inglês - A Forest está aí para não deixar dúvidas. Após 26 anos, ainda ancorado naqueles sucessos, o Cure encontrou o mesmo público, envelhecido como suas canções, mas fez jus à carreira, mesmo que alternando altos e baixos no show. Noite de nostalgia e reverência.

Fonte: Terra
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