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'Sound City’, de Dave Grohl, é ode à alma da música analógica

Documentário dirigido pelo líder do Foo Fighters conta história de estúdio e debate uso da tecnologia na música

7 fev 2013
08h59
atualizado às 10h11
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Vira e mexe ouvimos no meio musical: “Dave Grohl é o cara mais legal do rock”. A frase, que pode soar exagerada para alguns, se torna cada vez mais realidade. Além de baterista do Nirvana e líder do Foo Fighters, o músico agora “ataca” como diretor de cinema provando ser uma das figurinhas mais ativas do rock. ‘Sound City’, que teve sua estreia no mês passado no festival de Sundance e é exibido no circuito de cinemas dos Estados Unidos, está disponível para download em seu site oficial.

Um estúdio, uma mesa de som cheia empoeirada e dezenas de músicos que venderam milhões de discos da mesma forma: fazendo música com paixão. É mais ou menos por aí que passeia Sound City, contando a trajetória do lendário estúdio que fica na Cabrito Road 15456, em Los Angeles, e como sua história se confunde com a história da música em si.

Mal localizado, sujo e empoeirado, essa é a definição dada por boa parte dos músicos que passaram por lá. O que eles não conseguem explicar no documentário é o porquê de um lugar como este ter produzido tantos álbuns de sucesso. Discos como Damn the Torpedoes (Tom Petty), Nevermind (Nirvana), After the Gold Rush (Neil Young), Rumours (Fleetwood Mac), Holy Diver (Dio), Rage Against the Machine (Rage Against the Machine) e Unchained (Johnny Cash) são apenas alguns dos títulos que nasceram nesta antiga fábrica de amplificadores Vox com paredes cobertas por carpete marrom.

Se de um lado o ambiente de Sound City “peca” pela falta de glamour, sobra alma quando o documentário nos apresenta bastidores das gravações de bandas e produtores que fizeram história por lá. A lista de convidados é extensa e seleta: Frank Black, Josh Homme, Paul McCartney, Tom Petty, Trent Reznor, Rick Rubin, Pat Smear, John Fogerty, Rick Springfield, Lars Ulrich, Corey Taylor, Butch Vig, Brad Wilk, Neil Young e outros.

<p>Dave Grohl é diretor de 'Sound City'</p>
Dave Grohl é diretor de 'Sound City'
Foto: Divulgação
O documentário cumpre um papel bem didático ao mostrar o nascimento do estúdio, seus principais personagens, o equipamento e o espírito que transformou o lugar e fez com o estúdio renascesse tantas vezes ao enfrentar períodos de crise ou gozar de épocas de glória.

Sound City esmiúça os temas e personagens com o propósito básico de creditar todos que fizeram parte desta história que se encerrou com o fechamento do estúdio, em 2011.

Conhecemos a história do criador e da própria mesa de som Neve 8028 (comprada posteriormente pelo próprio Dave Grohl e instalada em seu estúdio particular), de funcionários gerais que viraram produtores e engenheiros de som em Sound City e todos os capítulos que transformaram aquele prédio em um lugar cultuado e inexplicavelmente especial para tantos.

Analógico X Digital
A discussão no documentário vai além do estúdio de Los Angeles. Em seus principais períodos de crise, Sound City se viu pressionado pela chegada de novas tecnologias e equipamento de ponta como aconteceu nos anos 80. Seu renascimento veio na contramão, quando o exagero dos aparatos foi deixado de lado em busca de uma música mais orgânica e humana, fato mostrado após o lançamento de Nevermind, do Nirvana.

Estes ciclos que ditam os rumos da música feriram “templos da música” como Sound City. O debate proposto pelo filme questiona a música atual pasteurizada e corrigida digitalmente em programas como Pro Tools e vocais corrigidos com o Auto Tune. O argumento vem da boca de lendas da música, como Tom Petty – que lembrou tocar o mesmo take de uma música 150 vezes em uma gravação – e John Fogerty, que também alfinetou a falta de empenho da nova geração. “95% da música que se ouve hoje foi feita em laptops”, lembra o produtor Rick Rubin. 

Dave Grohl usa o exemplo do amigo Trent Reznor, do Nine Inch Nails, para apontar como o meio musical deveria enxergar o uso destas ferramentas: “Ele é um dos músicos mais geniais que já vi. Ele usa a tecnologia como instrumento, não como uma muleta”.

<p>Butch Vig operando a lendária mesa de som de Sound City</p>
Butch Vig operando a lendária mesa de som de Sound City
Foto: Divulgação

Neve 8028
Talvez a fama “o cara mais legal do rock” de Dave Grohl se dê por conta de sua paixão pela música. Mais do que o líder do Foo Fighters e baterista que já tocou o Nirvana, Grohl deixa transparecer a todo o momento que é fã de todos os entrevistados em Sound City. Sempre entusiasmado ao lado de lendas, ele leva o projeto além quando decide comprar a mesa de som Neve 8028 para montá-la em seu estúdio, o 606. De certa forma, Sound City permanece vivo por meio daquela mesa de som. “Quando me venderam, eles sabiam que eu não ia colocá-la em um depósito”, diz.

Já instalada na casa dos Foo Fighters, jam sessions com Rick Springfield, Krist Novoselic, Trent Reznor e Paul McCartney tomam conta do estúdio. O resultado de todas essas parcerias poderá ser visto na trilha sonora do documentário: Sound City: Real to Reel, prevista para ser lançada no dia 12 de março deste ano. Cut Me Some Slack, com Paul McCartney, e From Can to Can’t, com Corey Taylor do Slipknot, já foram disponibilizadas no You Tube.

Fonte: Terra
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