Música

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31 de maio de 2013 • 09h12 • atualizado às 09h15

"Sertanejo não é só bebedeira e pegação", diz nova dupla feminina

Descobertas em um programa de TV, Bruna & Keyla lançam álbum pelo selo da Sony Music e afirmam respeitar as raízes sertanejas

Bruna & Keyla foram descobertas no concurso Mulheres Que Brilham e estão lançando seu primeiro CD com uma gravadora
Foto: Facebook / Reprodução
  • Nathália Salvado
 

Elas são loiras, bonitas, têm corpo bem definido e resolveram se arriscar em um meio musical que há muito tempo é dominado por duplas masculinas: o sertanejo. Seguindo o exemplo de As Marcianas e Irmãs Galvão, que são madrinhas das jovens, Bruna & Keyla se lançam no mercado fonográfico com um álbum produzido pela Sony Music, cheio de baladas românticas, mescladas com forró, pop rock e pouquíssimo sertanejo universitário.

"Antigamente, (o sertanejo) era muito específico, aquela coisa de moda de viola, que tinha muito preconceito, muito pouco espaço nas grandes rádios. Através do trabalho de Zezé di Camargo, Leonardo e tantos outros, foi se tornando mais popular, mas ainda sim vem sofrendo modificações. A gente escuta algumas músicas que falam muito de bebedeira, pegação. Sertanejo não é só isso. A gente chegou num modismo que talvez não seja ideal", opinou Keyla, em entrevista ao Terra, por telefone. 

Se engana quem pensa que as duas caíram de paraquedas no mundo da música, apenas por serem bonitas. Elas cantam desde quando eram crianças. Bruna Braga, 31, era cantora lírica mirim e Keyla Vilaça começou a tocar gaita quando tinha apenas quatro anos, sem que ninguém lhe ensinasse. "Eu e Bruna primamos pela qualidade e a recepção tem sido ótima [...]. Eu toco violão, a Bruna toca piano. A gente prima por essa qualidade musical", contou a loira.

As meninas, que venceram o quadro Mulheres Que Brilham, no Programa Raul Gil (SBT) em 2012, já são comprometidas, para a tristeza do público masculino. "A Bruna é noiva, mas a gente não gosta muito de divulgar isso. Ela tira a aliança e tudo. Bruna Braga tira aliança nos shows (risos). Ela está em outra ligação, se não até perguntava por quê. Mas ela tira e não fica divulgando, para ninguém ficar ciumento também. Eu tenho namorado", disse, sem querer dar muitos detalhes sobre a relação.

Com cabeça feita, Keyla não tem dúvida ao dizer que qual é o maior sonho da dupla: "se consolidar. A gente não quer sucesso, a gente quer ficar. Tudo aconteceu numa hora certa, com a gente tendo várias experiências no ramo da música.  Nosso maior desejo é se consolidar e ficar".

Confira a entrevista completa:

Terra - Como é ter uma dupla sertaneja formada por duas mulheres em um meio dominado por homens?
Keyla - 
É uma novidade. Tem aguçado a curiosidade das pessoas para ouvir, saber se é bom. Tem sido muito bom o nosso feedback. Tem sido positivo. O que acontece é que na década de 80 e 90 as duplas masculinas cresceram muito e, com isso, acabaram vindo algumas mulheres, irmãs até dessas duplas famosas. No final, aconteceu que surgiram as irmãs Galvão, nossas madrinhas, As Marcianas, mas não houve uma continuidade. As irmãs Galvão até falaram para a gente: "que bom que vocês estão fazendo isso, uma renovação para a dupla feminina não morrer".  É um diferencial. Tem sido bom. Inicialmente, a gente ficou daquele jeito, querendo saber como iriam receber duas meninas no palco. Principalmente, o público feminino. Mas foi tudo ótimo. Cerca de 80% do nosso público é feminino. Elas entenderam o que a gente queria passar. Queríamos dar voz às meninas. Representá-las. E conseguimos.

Terra - Já sofreram preconceito? Como é a relação com as outras duplas?
Keyla - 
Nada! A gente recebe um carinho imenso. A gente teve a preocupação de apresentar qualidade, porque sabíamos que teríamos olhares mais atentos em nós. Eu e Bruna primamos pela qualidade e a recepção tem sido ótima. As duplas chamam a gente para fazer participação nos shows. Vêem que temos qualidade. Eu toco violão, a Bruna toca piano. A gente prima por essa qualidade musical.

Terra - Como se conheceram e resolveram ser uma dupla? Foi para o Mulheres Que Brilham (quadro patrocinado pela Bombril e exibido no Programa Raul Gil, no SBT)?
Keyla - O Mulheres Que Brilham aconteceu. Mas vou te contar nossa historinha. Nós cantamos desde crianças. Eu, por influência do meu pai. A Bruna era cantora lírica mirim! Depois, ela foi cantar axé, sentia que precisava se enveredar por esse meio popular para ter liberdade, diferente do canto lírico. Ela tem muita energia. Cantava axé e já fazia o sertanejo elétrico, misturando com axé. Eu sempre fiz barzinho, voz e violão. Tocava quatro horas por noite. Imagina! Coitado dos meus dedinhos. Fazia todos os ritmos. Tinha que ter ali uma saladinha musical. Cantei em baile, a Bruna também. A gente só viveu de música até hoje. A Bruna é jornalista e eu fiz Tecnologia da Informação, tranquei faltando dois semestres para acabar, porque coincidiu com a gravação do CD.  A gente sempre correu atrás. Na mesma época, a gente sentiu que precisava de um fôlego novo. Nos conhecemos por meio de um amigo músico em comum. Quando ela retornou de Salvador, Bruna comentou com ele que precisava de alguma coisa diferente, uma dupla, alguém que tivesse essa coisa de mexer com a massa. Ele disse que conhecia uma menina, passou meu contato. Ela me ligou e a gente se encontrou. Foi uma identificação imediata! Fizemos três músicas no mesmo dia. Coisa de Deus mesmo! Eu digo que as duas estavam meio murchas, meio apagadas e Deus nós juntou para melhorar. Foi tudo natural. Sentimos vontade de trabalhar juntas. Nós nos conhecemos há apenas dois anos.   Fizemos um CD independente e esse, pela Sony, é o segundo das nossas vidas. A partir daí, começamos a fazer nossos shows. Queríamos aparecer na TV. Quando teve a oportunidade do Mulheres Que Brilham, fomos sabendo que era difícil, mas decidimos tentar e mostrar uma dupla sertaneja feminina. E foi surpreendente. Saímos vencedoras.

Bruna & Keyla foram descobertas no concurso Mulheres Que Brilham e estão lançando seu primeiro CD com uma gravadora
Foto: Facebook / Reprodução

Terra - Por que fazer Tecnologia da Informação?
Keyla - 
A Tecnologia da Informação veio porque teve um momento da minha vida que eu já estava com 25 anos e vi todas as pessoas da minha idade, amigas e tal, com emprego, trabalhando. Senti a necessidade de ter uma faculdade. Queria um plano B, mas a música sempre foi o pilar da minha vida. Foi com ela que eu paguei minha faculdade. E eu pensei na TI porque era uma coisa diferente, gostava de mexer em computador, sempre fui curiosa para saber como as coisas funcionavam. Entrei na faculdade e, faltando dois semestres para acabar, tranquei.

Terra - Pretende terminar o curso?
Keylar - 
Pretendo. Mas a prioridade é Bruna & Keyla.

Terra - Você cantou na igreja? É verdade?
Keyla - 
Comecei a tocar gaita com 4 anos, ganhei do meu pai. Comecei a tocar acompanhando as músicas que tocavam no rádio. A primeira música que tirei foi Evidências, do Chitãozinho e Xororó. Aí, viram que eu tinha um ouvidinho bom. Meu pai sempre tocou violão.  Então, a gente sempre teve uma ligação musical grande. Já tinha voz boa, afinadinha e comecei na igreja, com sete anos. Era uma paixão.

Keyla Vilaça com sua gaita, primeiro instrumento que ganhou do pai
Foto: Facebook / Reprodução

Terra - Você ainda toca gaita?
Keyla - Quero tocar no show, mas fico meio engessada, porque toco violão, canto e tenho que interagir com a plateia. Mas a partir de agora já estou ensaiando meus solos de gaita e começando a ver como vou levar isso para o show.

Terra - Como é o assédio do público? Tem fãs mais atirados?
Keyla - É impressionante, porque é tudo com muito respeito. Não sei se eles ficam intimidados, por serem duas mulheres, cantando no palco. A gente recebe recadinho dizendo que a gente é bonita, linda, mas nada ofensivo, nunca. Têm muitos casais que vêm falar com a gente também. A namorada que diz: mostrei vocês para o meu namorado. Agora a música de vocês faz parte da trilha do nosso namoro. É muito legal.

Terra - Vocês namoram? São casadas?
Keyla - A Bruna é noiva, mas a gente não gosta muito de divulgar isso. Ela tira a aliança e tudo. Bruna Braga tira aliança nos shows (risos).

Terra - Mas por que ela tira a aliança?
Keyla - Não sei. Ela está em outra ligação, se não até perguntava por quê. Mas ela tira e não fica divulgando, para ninguém ficar ciumento também. Eu tenho namorado. Eles estão com a gente desde antes. Acompanharam tudo. Estão felizes com tudo o que está acontecendo para a gente.

Terra - Eles são ciumentos?
Keyla - Não. De jeito nenhum. Já tinha um assédio antes, em proporção menor, mas já tinha. Os homens querem se aproximar, mas é tudo com muito respeito.

Terra - Você foi finalista do Ídolos, em 2007. Pensou em desistir quando não venceu? Ou foi importante para sua formação?
Keyla - Foi super importante. Cada experiência dessas vem sempre muito carregada de expectativa. A gente tem aquele sonho de ganhar. Eu encarei como experiência. Achei que cantar era só abrir a boca e descobri que não é, que tem que saber falar, se portar na televisão, escolher um repertório. A Bruna foi caloura do Raul Gil também. É um longo caminho mesmo. Ninguém nasce e estoura assim do nada. Com a mesma rapidez que a pessoa sobe, ela cai. Talvez se tivesse acontecido antes, para mim ou para a Bruna, a gente não tivesse maturidade.

Keyla Vilaça
Foto: Facebook / Reprodução

Terra - Como foi gravar Vem Me Completar com Eduardo Costa?
Keyla - 
Quando a gente recebeu essa música, achamos tão bonita, mas é um dueto que precisava de uma voz masculina. Logo pensamos nele. Ele canta o amor como ninguém. Pensamos imediatamente nele. Fizemos o convite e ele aceitou de bom grado. Amou a música. Ficou muito especial e é por isso que é o carro chefe desse novo trabalho.

Terra - Com quem vocês sonham em fazer uma parceria?
Keyla - Sonhar a gente sonha que é uma beleza. Gostamos muito de Zezé di Camargo & Luciano, Victor e Leo, Fenando e Sorocaba, que até fizemos participação em show. Estamos curtindo muito os acontecimentos. Mas acho que Zezé e Luciano seria especial. O dia que ele chamar nós estamos indo.

Terra - Sertanejo sempre foi a preferência musical de vocês?
Keyla - 
Sempre foi a preferência. Como a gente viveu só de musica, tinha que cantar de tudo um pouco. Então, a gente canta de tudo. O coração fala mais alto para o sertanejo, que sempre fez parte da minha vida, da vida da Bruna. Nossas famílias são do interior. Nossos pais e nossos avós ouviam no rádio. A gente já tem essa coisa do sertanejo, mas precisamos saber nos reiventar também. Quando eu a conheci, vimos que tínhamos isso em comum e apostamos.

Terra - Como fica o tempo para a beleza? São muito vaidosas? 
Keyla - 
A gente não têm tempo para fazer muita coisa. Não temos um ritual de beleza. O tempo é escasso e isso tem sido o de menos. A gente faz academia. Temos luzes. Essa coisa de ser loira exige atenção e cuidado. Maquiagem é a gente mesmo que faz. Fora isso, nada além de malhação, que é essencial para manter o corpo e ter condicionamento no palco também.

Terra - Dizem que os homens preferem as loiras, isso se comprova?
Keyla - Não sei o que os homens pensam, mas se fosse morena também não ia ter problema não, acho (risos). Mas eles gostam, claro. A gente sente que eles olham um pouco mais. Aquela coisa de: "uau! Duas loiras de uma vez". Mas tem um outro lado também. Nossa banda é só de homens. Aí eles dizem toda hora: "vamos contar uma piada para ver se elas vão entender". Então, tem esse lado das piadinhas de loira. Acaba virando brincadeira. Somos loiras de luzes, não temos olhos azuis, nada disso. Os fãs também fazem essas piadinhas de loiras.

Terra - Vocês tem alguma cirurgia plástica?
Keyla - Não tenho. No momento, não faria, mas se o negócio despencar faria, sim. Sem problemas. A Bruna só tem silicone.

Terra - Qual o maior sonho de vocês como cantoras?
Keyla - Se consolidar. A gente não quer sucesso, a gente quer ficar. Tudo aconteceu numa hora certa, com a gente tendo várias experiências no ramo da música.  Nosso maior desejo é se consolidar e ficar.

Terra - Quais as influências musicais de vocês?
Keyla - Fernando e Sorocaba, as irmãs Galvão, Sérgio Reis. A gente adora a Paula Fernandes, porque ela abriu portas para as cantoras sertanejas também.

Terra - Alguns sertanejos não aprovam muito essa onda de sertanejo universitário? Vocês são mais fiéis às raízes?
Keyla - 
O sertanejo universitário é uma nova linguagem e ele é popular por causa disso. Antigamente, era muito específico, aquela coisa de moda de viola, que tinha muito preconceito, muito pouco espaço nas grandes rádios. Através do trabalho de Zezé di Camargo, Leonardo e tantos outros, foi se tornando mais popular, mas ainda sim vem sofrendo modificações. A gente escuta algumas músicas que falam muito de bebedeira, pegação. Sertanejo não é só isso. A gente chegou num modismo que talvez não seja ideal. Mas, hoje em dia, crianças e adolescentes gostam de sertanejo e o universitário faz parte disso. É muito popular. Mas acho que a gente não pode esquecer nunca das raízes. Nosso show tem homenagens, “sucessões” de Sérgio Reis. Acho que temos que manter o respeito.

Terra -  O que jamais fariam para serem famosas?
Keyla - 
Nosso amor é pela música. A gente não busca a fama. O sucesso não é só aparecer na TV. Podemos ter sucesso até sem aparecer na TV. A gente busca levar a emoção para as pessoas. Através de uma composição que tem sentimento, que vai tocar o publico. A gente não busca a fama.

Bruna e Keyla com Eduardo Costa, com quem gravaram a música 'Vem Me Completar', primeiro single da dupla
Foto: Facebook / Reprodução
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