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"Ainda fico muito nervoso antes de subir ao palco", diz Daniel

9 nov 2012
15h20
atualizado às 15h27
David Shalom
Direto de São Paulo

Três décadas atrás, Daniel era só mais um entre tantos adolescentes que sonham alcançar o sucesso na música. O tempo passou, o jovem sonhador se tornou uma das mais conhecidas vozes do Brasil, e, hoje, aos 44 anos, já pai de duas crianças, comemora sua trajetória em dois shows no Credicard Hall, em São Paulo, nesta sexta-feira (9) e no sábado (10). No entanto, apesar do longo tempo de estrada e dos mais de 13 milhões de discos vendidos, o sertanejo afirmou, em entrevista exclusiva ao Terra, que ainda fica muito nervoso antes de subir ao palco.

"É engraçado, porque esse sentimento parece aumentar a cada dia. É um nervoso de procurar fazer direito, fazer o melhor", explicou Daniel durante a passagem de som para seu novo show, Daniel 30 Anos - o Musical, que estreia na capital paulista. "Essa sensação aparentemente já deveria ter sumido da minha carreira, mas ela parece tão inevitável. Ainda mais em uma estreia como esta, que traz uma proposta totalmente diferente. É impressionante. Não sei se estou mais sensível pela questão da idade, mas depois de todas as etapas que passei em minha vida, me sinto, hoje, muito diferente em cima do palco, e a responsabilidade parece maior em tudo o que faço."

O novo show é, de fato, diferente de tudo o que o músico já fez. Com uma banda formada por cerca de 20 músicos, um grupo de 14 atores/cantores/bailarinos e uma cenografia extensa, composta por uma série de painéis de LED, o espetáculo conta, ao longo de 1h30 e de forma cronológica, toda a trajetória do cantor - organizada por meio de diálogos entre os artistas contratados, que ajudam a contextualizar cada canção. "O grande diferencial deste show é que tem uma pitada de musical, o que está sendo um desafio para nós. É preciso adequar um monte de coisas, pois há historinhas, diálogos, interatividade dos dançarinos/cantores comigo. Outra novidade é a banda distante do palco, o que não estamos acostumados, pois normalmente os músicos estão aqui, bem pertinho da gente", disse.

Para celebrar a data, o sertanejo natural da pequena cidade Brotas (SP) ainda planeja, para 2013, os lançamentos de um livro contando sua biografia, o de um documentário, já em produção, e o de um DVD, provavelmente trazendo um registro do novo espetáculo. "Poder chegar aos 30 anos de carreira, com tanta coisa que já passou, que ficou para trás, e ter a oportunidade de ficar diante de um público maravilhoso, que ama a minha música, é um grande presente."

Confira a entrevista a seguir:

Terra - Qual é o sentimento de chegar a 30 anos de carreira?
Daniel - É muito, muito bom. Principalmente porque, mais do que nunca, posso fazer o que gosto, um privilégio para qualquer ser humano. A verdade é que cantei durante a vida inteira e as coisas aconteceram naturalmente. Claro, existe um planejamento para tudo, mas o começo da minha carreira, por incrível que pareça, foi muito natural, porque ingressei justamente onde desejava, onde gostaria de estar e naquilo que esperava ser. Mas poder chegar aos 30 anos de carreira, com tanta coisa que já passou, que ficou para trás, e ter a oportunidade de ficar diante de um público maravilhoso, que ama a minha música, é um grande presente. Passei por tantas fases, ao longo de tantas décadas, e o público continua se renovando. Não tenho palavras para descrever isso. É uma questão do pai e da mãe serem fãs e passarem essa admiração ao filho e à filha. Isso proporciona uma renovação constante de público em meus shows. Assim, tenho sempre o pessoal das antigas, que me acompanha há anos, e pessoas jovens comparecendo a eles.

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Terra - Qual é a memória mais marcante que você tem dessas três décadas de música?
Daniel - Ah, são tantas. Mas dá para citar alguns pontos primordiais, que inclusive são abordados neste novo show, em comemoração à data. Por exemplo, teve um samba que gravamos (Daniel e João Paulo) bem no comecinho, que a Eliana de Lima também gravou, e eu e o João Paulo estávamos com um pé para fora da gravadora, pois simplesmente não vendíamos discos. No entanto, lançamos aquela música em uma versão um pouco diferente e tivemos a possibilidade de pagar as contas dentro da gravadora, garantindo nossa continuidade nela. Foi com a gravação de Desejo de Amar, em 1989, mais ou menos. Noventa mil discos foram vendidos na ocasião. Depois disso veio Estou Apaixonado, que, acredito, foi o divisor de águas desses 30 anos de carreira. Lançamos a música e simultaneamente ela se tornou tema de novela (Explode Coração, de 1996), o que acabou sendo impressionante para nossas vidas. Já vínhamos em uma crescente, com vendagens de 400, 500 mil discos, e este trabalho (João Paulo & Daniel Vol. 7) chegou a um milhão de cópias. Infelizmente, logo em seguida, em 1997, aconteceu algo que é impossível não citar: o acidente do João Paulo, na época em que produzíamos nosso oitavo projeto juntos, após 15 anos de estrada lado a lado. Na retomada, depois do choque, vejo como um dos pontos primordiais Adoro Amar Você (lançada em 1998) e, agora, mais recentemente, a participação em um filme, O Menino da Porteira, que me deu um Grammy Latino por sua trilha-sonora, um grande presente para mim. Mas foram muitos os acontecimentos marcantes, que se eternizaram em minha memória.

Terra - Nesta semana, inclusive, você fez outra gravação em vídeo, para o 12º volume da série de DVDs Xuxa Só Para Baixinhos. Como foi isso?
Daniel - Foi muito legal. A Xuxa vem me convidando há tempos para participar desse projeto e, até este ano, eu não havia tido a oportunidade de fazê-lo. O mais bacana foi que pude levar minha filha, a Lara, que vai fazer 3 anos agora, no final deste mês. Nós fizemos uma música country e a Lara deu uma travadinha no começo, mas foi se soltando aos poucos, virando até amiga da Xuxa. De fato, ela é muito fã da Xuxa, tem todos os CDs e DVDs, mas não a conhecia pessoalmente, então acabou sendo uma alegria só para ela. São realmente fascinantes essas coisas que estão acontecendo comigo, todas essas mudanças na minha vida. Hoje tenho duas filhas, a família está crescendo, a carreira continua em alta, com um público cada vez mais renovado...é muito bom.

Terra - Após tantos anos de estrada, você ainda fica nervoso antes de subir ao palco?
É engraçado, porque isso parece aumentar a cada dia. É um nervoso de procurar fazer direito, fazer o melhor. Estava até comentando isso com as pessoas no camarim, essa sensação que aparentemente já deveria ter sumido da minha carreira, mas que parece tão inevitável. Ainda não consigo trabalhar esse psicológico. Antes de subir ao palco, em todo e qualquer show, fico muito, muito nervoso. Ainda mais em uma estreia como esta, que traz uma proposta totalmente diferente. Talvez, por isso, o nervosismo seja até redobrado. É impressionante, uma coisa que cresce a cada dia. Não sei se estou mais sensível pela questão da idade, depois de ter me tornado pai, e, por causa disso, a coisa ficou mais à flor da pele. Depois de todas as etapas que passei em minha vida, me sinto, hoje, muito diferente em cima do palco, e a responsabilidade parece maior em tudo o que faço. Talvez pelo fato de ter me tornando uma referência, se tornou necessário um cuidado muito maior em tudo o que realizo.

Terra - E como vão ser os shows de sexta-feira (9) e sábado (10), e, São Paulo, em comemoração aos 30 anos de sua carreira?
Daniel - Fizemos um grande apanhado da minha carreira, mas de um modo completamente novo. De forma cronológica, trazemos toda a história desses 30 anos, através da música. Há até uma parte em que entra um garotinho, representando a mim quando jovem, cantando um trecho de uma canção. O grande diferencial dos shows é que eles têm uma pitada de musical, o que está sendo um desafio para nós. É preciso adequar um monte de coisas, pois há historinhas, diálogos, interatividade dos dançarinos/cantores comigo. Outra novidade é a banda distante do palco, o que não estamos acostumados, pois normalmente os músicos estão aqui, bem pertinho da gente. A formação da banda também é maior, com cordas, um naipe de sopros, fora o que temos costumeiramente em meus shows. São 14 dançarinos, cerca de 20 músicos e, com a parte técnica, mais todo o resto, temos pelo menos 80 profissionais envolvidos no espetáculo. É muita gente! E a cenografia é grande, extensa, temos vários painéis de LED representando o cenário. Vai ser um show bem diferente.

Terra - Este show ganhará uma turnê?
Daniel - Sim. Minha intenção é levá-lo para a estrada de algum jeito, moldá-lo de uma forma que consiga viajar pelo Brasil. Temos que estudar tudo isso ainda, para ver como vai ser a logística para um giro.

Terra - Além do show comemorativo, você já tem como certos para o ano que vem os lançamentos de um livro, um DVD e um documentário. Fale-me um pouco sobre esses projetos.
Daniel - Queremos fazer algo grande para marcar a data. O livro está sendo elaborado por algumas pessoas, contando minha biografia, e pretendemos lançá-lo em paralelo ao documentário, que já está sendo produzido pelo Jeremias Moreira. Pretendemos concluir tudo isso até o final do ano que vem. Quanto ao DVD, temos uma vontade muito grande de fazermos, de amadurecermos esse show da forma ideal para que possamos gravá-lo ao vivo, com toda esta produção atual.

Terra - Você está com 44 anos e muitas de suas fãs, adolescentes no início de sua carreira, já são mães, mulheres maduras. Ainda sofre assédio?
Daniel - Graças a Deus tem esse assédio do público. Mas é um assédio bom, que te fortalece. Se não existir isso, não existe nosso combustível. Isso nos impulsiona, nos dá uma certa injeção de ânimo.

Cantor de 44 anos durante passagem de som para o show que estreia nesta sexta, no Credicard Hall
Cantor de 44 anos durante passagem de som para o show que estreia nesta sexta, no Credicard Hall
Foto: Bruno Santos / Terra
Fonte: Terra

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