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"Queria eu ser brasileira", diz Karen Souza, revelação do jazz mundial

29 ago 2011
08h10
atualizado às 14h54
David Shalom
Direto de São Paulo

O nome não podia ser mais brasileiro. O sotaque, carregado, muitas vezes quase incompreensível, aliado ao jeito tímido, nervoso, também parecia identificar uma conterrânea nossa, cujos cabelos loiros e a pele clara poderiam ser originários de alguma descendência europeia, algo comum em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Até a escolha das canções para seu disco de estreia, Essentials, que inclui uma composição de Tom Jobim, serviria como pista para cravar a origem tropical dessa cantora. No entanto, Karen Souza, de idade não revelada, é norte-americana - ou quase isso. "Queria eu ser brasileira", disse bem-humorada ao Terra, em entrevista realizada a poucos dias de seu primeiro show no País, nesta segunda-feira (29), às 21h, no Teatro Bradesco, em São Paulo.

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Nascida na cidade de Nova Jersey, onde nunca viveu por precisar estabelecer residência em diversas partes do mundo devido ao trabalho de seu pai, Karen vem sendo considerada a nova revelação do jazz mundial desde o lançamento da coletânea Jazz and the 70´s, em 2008, que incluiu versões jazzisticas para canções pop interpretadas por ela e outros artistas. De lá para cá, participou de outros dois trabalhos da mesma série, desta vez abordando as décadas de 1980 e 1990 - lançados em mais de 20 países, os três discos venderam mais de 1,5 milhão de cópias. Entre as releituras feitas pela loira de olhos claros, estão faixas como Billie Jean, de Michael Jackson, Every Breathe You Take, do Police, e New Year´s Day, do U2.

"O álbum Essentials é uma compilação de todas essas canções que gravei naqueles discos, com grandes sucessos que as pessoas já conhecem e têm a oportunidade de relembrar sob um olhar diferente", explicou Karen, desmistificando o suposto preconceito de admiradores de jazz em relação aos grandes hits da música pop. "Se a música for boa, você pode interpretá-la como bossa nova, jazz ou qualquer outro estilo".

Além das releituras para canções tocadas à exaustão pelas rádios nas décadas passadas, o disco traz um cover para Corcovado, de Antônio Carlos Jobim, músico bastante admirado pela cantora, que, apesar de se dizer grande fã da bossa nova, demonstrou certa dificuldade em nomear um artista específico do estilo, algo de fato bastante comum em relação a praticamente todos os temas com os quais foi confrontada durante a conversa. "Não conheço com tanta profundidade a bossa nova. Mas, se você puder me dar alguma dica, com certeza irei atrás para conhecer", explicou. "Além disso, tenho uma memória muito ruim".

Diva
Se há algo que Karen parece ter de sobra é a confiança em seu trabalho. Afinal, não é todo dia que uma cantora jovem, intérprete de canções originalmente compostas para ser tocadas nas pistas de dança, ganha o título de principal revelação do jazz dos últimos anos. "Não sinto nenhuma pressão. Na verdade, toda vez que entro no estúdio ou subo em um palco, é simplesmente adorável", garantiu, citando a importância de sua música como forma de atrair admiradores jovens para um estilo considerado por muita gente como de "velho". "Minhas apresentações têm como objetivo fazer as pessoas felizes, trazendo um pouco de jazz do passado e presente. Sinto-me tão tranquila, que quero ver a plateia com a mesma sensação de relaxamento e arrepio que tenho quando interpreto minhas músicas".

O grande sucesso alcançado com Essentials acabou ainda dando à cantora a segurança tão necessária para trilhar caminhos mais arriscados, como o da composição. "Estou cantando jazz profissionalmente há mais ou menos uns cinco anos. Por enquanto, só apresento esses covers que amo tanto, mas estou começando a escrever algumas coisas para lançar futuramente".

Apesar de ter iniciado a carreira como colaboradora em discos de colegas da música eletrônica - nos quais assinava seu nome com pseudônimos -, Karen afirmou ter sido ouvinte voraz de jazz desde a infância, quando conheceu, através dos discos de seu pai, grandes nomes como Miles Davis e Frank Sinatra. E mesmo com o repertório que apresenta atualmente e com aquele com o qual deu o primeiro passo para sua carreira, disse não ver nenhuma graça em artistas modernos, como ela mesma os chama. "Não ouço nada que passe da década de 1960. Claro que adoro as canções que canto, além de tantas outras dos anos 1980, 1970, mas, quando estou sozinha em casa, ainda opto pelo jazz clássico".

A cantora norte-americana se apresenta nesta segunda-feira, às 21h, no Teatro Bradesco
A cantora norte-americana se apresenta nesta segunda-feira, às 21h, no Teatro Bradesco
Foto: Divulgação
Fonte: Terra

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