| Paulo Marcio/Especial para Terra |
 |
| Dinho Ouro Preto do Capital Inicial que fez um dos shows mais agitados do Pop Rock |
 |
|
|
|
|
Com os ouvidos ainda zunindo do dia anterior, quase 25 mil roqueiros chegaram ao Estádio Independência, em Belo Horizonte, para o segundo dia do Pop Rock Brasil 2003. Com a promessa de cumprir rigorosamente o horário, a organização esperava conseguir maior destaque para as bandas que tocariam por último. A iniciativa estava sendo cumprida à risca até um desentendimento na montagem do palco do Kid Abelha atrasar em mais de uma hora o festival.
Dessa forma, as bandas que tocaram mais cedo encontraram uma multidão mais disposta a suar, pular, curtir e agitar ao som do pop rock nacional. Diretamente de Brasília, o Capital Inicial usou a experiência para atrair o público e fazer com que seu show fosse o de maior destaque nos dois dias de Pop Rock Brasil 2003.
Começando absolutamente dentro do horário, o Squadra fez um show para um Estádio Independência ainda vazio. A banda mineira abriu o show em grande estilo: Enter Sandman do Metallica. Mais rocker impossível. Conduzida pela vocalista Carolina, o grupo agitou seu hard rock em português com um pezinho na cozinha do punk rock clássico no melhor estilo The Clash. Apostando mais em covers, a banda não teve vergonha de abusar das versões. Já empolgado, o público ainda cantou Eu Sei da Legião Urbana e pulou com Sweet Child O' Mine, e como sobremesa, teve os riffs hardcore de Song 2 do Blur.
Em seguida o Ultraje À Rigor assumiu o palco com o rock desbocado de Roger e sua turma. Baseando a apresentação nos clássicos da carreira, o grupo atraiu mais a atenção da platéia acima dos 25 anos. Os mais novos não deixaram por menos, e mesmo desconhecendo muitas das músicas, agitaram do mesmo jeito, aproveitando as canções mais novas como Domingo Eu Vou Pra Praia. Entre as velharias, Ciúmes, Sexo, Inútil e Nós Vamos Invadir Sua Praia que serviram para aquecer a tarde que esfriava rapidamente.
Sob fina chuva, o público do Pop Rock viu Nando Reis fazer um show mais para a MPB do que para o rock ou até para o pop, fruto óbvio de seu último CD, A Letra A. Mesmo assim, o ex-titã foi muito bem recebido pela platéia mineira. Ainda mais com faixas compostas por Reis e que fizeram sucesso na voz de Cássia Eller, como Segundo Sol e Relicário e All Star. Mas o público realmente dançou e cantou com Me Diga, talvez o maior sucesso de sua carreira solo. Procurando evitar lembranças de sua ex-banda, Reis limitou-se a poucas faixas da época de Titãs, e fechou o show com Os Cegos do Castelo.
O rock politizado e suingado do O Rappa foi um dos que lembrou o dia dos pais. O vocalista Falcão entrou no palco com seu filho no colo e pediu paz para a galera, mas convidou todos a agitar durante o show que começou com uma versão potente de Mundo Negro. Com uma pegada visceral na guitarra a banda emendou Lado A Lado B sem muita enrolação. A agitação da platéia elegeu a banda carioca como uma das principais atrações da noite. Ainda divulgando o CD ao vivo Instinto Coletivo, o grupo fez um show que resgatou músicas mais antigas como Tumulto, mas premiou também as canções mais famosas como o hit absoluto A Minha Alma, Me Deixa e Vapor Barato de Waly Salomão.
Exatamente uma hora depois do show anterior, o Kid Abelha acertou os detalhes de um pequeno desentendimento sobre a posição dos equipamentos no palco e conseguiu começar seu show acústico. Com roupagens desplugadas para canções como Nada Sei e Na Rua Na Chuva Na Fazenda, o show de Paula Toller foi tomando ares de um agradável baile adolescente. Até que George Israel e a bela vocalista do trio interpretaram uma versão de Brasil com acordes de uma big band. A letra cáustica destoou um pouco da animada instrumentação, mas não tirou o valor da canção. A produção caprichada do show surtiu efeito e ao som de Te Amo Pra Sempre, o Kid Abelha deixou o palco sob muitos aplausos.
Voltando ao rock distorcido, o Capital Inicial fez sua parte. Tanta intimidade com o festival só poderiaa resultar em uma coisa: sucesso. A banda brasiliense liderada por Dinho Ouro Preto chega à sua sétima participação no Pop Rock Brasil. O repertório escolhido deu vez às novidades do álbum Rosas e Vinho Tinto como Quatro Vezes Você. Mas os clássicos foram cuidadosamente inseridos no programa com canções como a balada Fátima e o punk rock Veraneiro Vascaína. As antigüidades resgatados no projeto acústico da banda também tiveram sua vez. Independência fez nascer na platéia isqueiros que esquentaram ainda mais o clima do show. Mas o ponto alto da apresentação estaria em Primeiros Erros quando o público "demitiu" Dinho e cantou a faixa acompanhado pelo resto da banda.
Mudando novamente os ares do pop rock, o festival recebeu Gabriel O Pensador, num show que contou com um banda completa para segurar as bases, enquanto o músico carioca soltava suas rimas ácidas. As mais famosas, como Cachimbo da Paz e Astronauta, combinaram com novidades como Se Liga Aí e o hit Até Quando do CD Seja Você Mesmo, Mas Não Seja Sempre o Mesmo. Se o estilo de Gabriel não bate completamente com o gênero básico do festival, a simpatia e a veia de showman do rapper segurou a atenção do público que aproveitou o show, apesar do cansaço - resultado das mais de oito horas de som.
O Biquíni Cavadão também está na lista dos veteranos do Pop Rock, e com um set ousado conseguiu a atenção do público que cantou e seguiu as coreografias propostas pela banda. O grupo chegou parecendo que faria um show muito pesado, tanto que a introdução se deu aos acorde de Cochise do Audioslave. Na seqüência, a banda mandou Carta aos Missionários do Uns e Outros, Toda Forma de Poder do Engenheiros do Hawaii, The One I Love do REM, Chove Chuva, de Jorge Benjor, além dos sucessos da banda como Vento Ventania e Zé Ninguém.
Colocando o ponto final na edição comemorativa dos 20 anos de Pop Rock Brasil, o Detonautas Roque Clube provou que experiência e fama não andam de mão dadas. A banda apostou em sucessos como Quando o Sol se For e Eu Quero Ver o Oco dos Raimundos para ganhar a platéia. Nem o problema no microfone principal que interrompeu o show logo no começo esfriou os corajosos da platéia, que permaneceram no Estádio até o fim da festa de aniversário mais rock and roll que alguém poderia prever.
|