O Broken Social Scene é uma das bandas do cenário indie do Canadá
Foto: Fernando Borges/Terra
- David Shalom
- Direto de São Paulo
Enquanto aguardava para subir no Main Stage do Planeta Terra, o guitarrista do Broken Social Scene protagonizou uma cena no mínimo curiosa nos bastidores do palco. Andando de um lado para o outro com um copo longo de tequila na mão, Andrew Whiteman remexia o corpo, balbuciava palavras e movia os braços ao ritmo das batidas do White Lies, que se apresentava no local, fazendo uma espécie de "air guitar".
"Essa é minha forma de aquecer antes de tocar. Vou brincando com os acordes da banda de abertura, mas sem a guitarra em mãos", afirmou, negando que a tequila fizesse parte do processo de preparo para os shows. "Sou um cara de vinho tinto, mas, como estava na Argentina até ontem (sexta, 4), tomando os melhores vinhos do país, acabei optando por essa maravilha mexicana".
Whiteman comentou ter ficado impressionado com os grafitis que viu cravados nos muros das ruas entre o aeroporto e o Playcenter, onde o festival ocorre, com formatos de letras que afirmou nunca ter visto antes em nenhuma parte do mundo. "Nunca havia visto nada do tipo nos muitos lugares em que estive durante minha carreira. É tão interessante. Não há nada parecido em Montreal, onde moro".
Caindo no xaveco
Apesar de ser a primeira vez do Broken no Brasil, o guitarrista contou já ter vindo ao País há cerca de oito anos, para uma viagem a trabalho. No entanto, o serviço acabou sendo mais uma espécie de golpe de "uma suíça louca", como a classificou, do que aquilo que estava esperando, o previamente combinado.
"Passei uma semana em João Pessoa e Recife para, teoricamente, tocar com o Chico Cesar", contou rindo sem parar. "Ela me falou que havia esse trabalho, mas, quando cheguei aqui, naturalmente não havia nada. Não me lembro do nome dela, senão lhe falaria, mas deduzo hoje que ela apenas me queria como seu homem".
Whiteman ainda falou sobre a banda que mais lhe havia agradado no festival até esse momento, e se disse bastante surpreso com a qualidade do Nação Zumbi, cuja apresentação havia ocorrido minutos antes no palco principal. "Foi sensacional! Eu realmente gostei da música deles. A mistura de sons que eles fazem é incrível".
O guitarrista ainda elogiou o fato de o conjunto pernambucano ter tocado uma canção de Jorge Ben Jor na apresentação e demonstrou estar bastante familiarizado com a música brasileira. "Conheço um pouco de bossa nova e samba, estilos que sempre me agradaram. Claro que não tenho a habilidade de vocês para executá-las, mas até consigo tocar alguma coisa no tamborim e no pandeiro".
- Terra


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