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Líder da Smashing Pumpkins brinca com Messi e Maradona

18 nov 2010 - 22h49
(atualizado em 19/11/2010 às 07h15)
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Maurício Boff
Direto de Buenos Aires

Um reencontro de mais de duas horas com uma das principais bandas norte-americanas de rock alternativo dos anos 90, 12 anos desde a primeira e única apresentação no país. O público argentino reviu e ouviu o rock'n'roll melancólico, sincero e visceral da banda Smashing Pumpkins no Luna Park, um das mais tradicionais espaços culturais de Buenos Aires.

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Diferentemente do primeiro espetáculo, realizado em agosto de 1998, nessa noite o reencontro dos fãs se deu com Billy Corgan, o líder, vocalista, guitarrista, compositor, letrista e único remanescente da formação original. Nem o guitarrista James Iha, a baixista D'Arcy Wretzky ou o bateirista Jimmy Chamberlin estão na banda.

Milhares de pessoas lotaram a pista e as arquibancadas da arena portenha para asistir a apresentação do oitavo álbum de estúdio, Teargarden by Kaleidyscope, que é o motivo da recente turnê mundial do quarteto.

A primeira hora

Econômico nas palavras na primeira hora do show, Corban tratou de se comunicar com o público com a distorção de sua guitarra Fender e com a marcante e poderosa voz que tanto agradou os ouvidos de adolescentes de todo o mundo na década de 90.

Em uma mistura sonora entre o novo e o passado, como se uma banda com pouco mais de 20 anos de estrada e algumas interrupções ao longo da carreira pudesse ser qualificada como de outra época, Smashing Pumpkins interagiu com diferentes públicos. Muitos sequer eram adolescentes há 10 anos.

Houve canção para todos os gostos. Além de parte das 44 músicas que fazem parte do novo disco (que vem sendo distribuído gratuitamente pelo site da banda na internet ao mesmo tempo em que é lançado em CD), os fãs escutaram clássicos como Today e I Want You to Me, do disco Siamese Dream (1993), e Zero, de Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995).

"Maradona é melhor com cocaína, certo?"

Na segunda metade do hora depois do início do espetáculo, Billy Corgan, que até então havia pronunciado poucas palavras, resolveu apresentar os componentes da banda. Em meio a "Olé, Olé, Olé... Billy, Billy", o líder da Smashing Pumpkins disse: "Eu sou Messi", em alusão ao jogador do Barcelona que, nessa quarta-feira, anotou o gol da vitória da Argentina contra o Brasil em amistoso internacional.

"Muito obrigado, Buenos Aires... Messi é o melhor jogador do mundo... E Maradona é o técnico da seleção de futebol argentina..." O público respondeu com um "não", em coro. Ele contestou: "Alguém aqui fala inglês?"

"Yeah", gritaram os fãs. "Então, o Maradona não é mais o técnico da seleção? Foi demitido?", perguntou. Vendo a reação do público, disparou: "Maradona é melhor com a cocaína, certo? Vocês sabem..." E o público argentino riu e aplaudiu muito.

Billy Corgan agradeceu a presença de todos no Luna Park e dedicou Spangled, composição do novo álbum, a cada um dos fãs presentes.

A segunda hora

À medida que ganhava em vibração, Billy se mostrava mais melancólico. Em Tonight, Tonight, ele disparou "muito obrigado... esta noite... acredite... esta noite..." O público reagiu; ele agradeceu, juntando as mãos em sinal de oração.

Depois de Shame (do disco Adore, de 1998), o líder da Smashing Pumpkins apontou carinhosamente a todos os pontos do estádio e improvisou um "o amor de vocês é bom todo o tempo".

Irônico, lembrou de outros tempos. "Eu ainda sou o rei", gritou, mas antes que alguém respondesse o que fosse, disparou, sorrindo: "Mas isso acabou". Mais uma vez, a multidão gritou "Olé, Olé..."O bis

Quatro canções - duas delas cantadas sem a banda por Billy, apenas com voz e violão - e duas mensagens finais: dele e dos fãs.

A composição Disarm, apresentada em sua versão acústica, foi autobiográfica, pessoal e interpretada por um músico em comunhão com seus fãs. Entre todas as músicas, foi nela quando mais se ouviu a voz de quem esteve presente, como se eles transmitissem a mensagem de que aquela jornada não era solitária.

Antes de encerrar o espetáculo, o quarteto ainda improvisou a marcada batida de introdção de Love Gun (1977), da banda norte-americana Kiss, fazendo o público argentino vibrar.

A segunda e última mensagem veio com Heavy Metal Machine, um recado cínico e destrutivo em contraponto com Disarm. "Deixe-me morrer pelo rock'n'roll... Deixe-me morrer para salvar minha alma..." Mas os fãs não deixaram. Talvez, o rock'n'roll não tenha deixado.

A Smashing Pumpkins é uma das principais bandas a se apresentar Planeta Terra Festival 2010 neste sábado. Antes de regressar aos Estados Unidos, toca em Santiago do Chile (23/11), Lima (25/11) e termina a tour sul-americana em Bogotá (27/11).

Os fãs argentinos lotaram o Luna Park para ver a banda de Billy Corgan
Os fãs argentinos lotaram o Luna Park para ver a banda de Billy Corgan
Foto: Maurício Boff / Terra
Fonte: Especial para Terra
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