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Backstages têm interação entre bandas e cenas excêntricas

6 nov 2011
04h57
atualizado às 14h09
Fernando Diniz
David Shalom
Direto de São Paulo

Se é no palco que ocorrem os shows, principal motivo da presença de todo o público ao Playcenter, é atrás dele, onde se concentram as bandas, que surgem os detalhes mais pitorescos em relação aos artistas. Por exemplo, quem iria imaginar o Nação Zumbi se tornando o centro das atenções de alguns músicos estrangeiros no Planeta Terra? Ou um guitarrista canadense se aquecendo com o uso da técnica do "air guitar" antes de fazer sua performance?

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Justin Peroff, baterista do Broken Social Scene, não parou de ir e voltar do camarim durante o show dos pernambucanos, sempre com uma cerveja à mão e um olhar curioso no rosto. "Nunca imaginei que veria uma banda de samba/metal na minha vida", comentou às gargalhadas. "Isso é ótimo. Hoje em dia os estilos musicais estão se colidindo de tal forma que acabam fazendo surgir novas formas de fazer música".

Coincidência ou não, o excêntrico guitarrista que brincava pouco depois de "air guitar", às vezes dando até pequenos saltos no ar, era seu colega, o guitarrista Andrew Whiteman, cujo depoimento foi um dos mais curiosos de todo o dia nos bastidores. "Há uns oito anos, uma suíça louca me chamou para ir a Recife e João Pessoa para tocar com o Chico César" contou entre um gole e outro de tequila. "Eu fui e, claro, ele não estava lá. Acho que ela me queria como seu homem".

Do outro lado do parque, Chaz Bundick, mais conhecido como Toro y Moi, se empolgou com o fato de estar num parque de diversões, saiu sozinho dos bastidores do Claro Indie Stage antes de sua apresentação e foi direto para o Looping Star, montanha-russa localizada bem em frente ao palco. Simpático, cumprimentou o sujeito que se sentava ao seu lado, e, demonstrando grande gosto pelo brinquedo, ainda retornou a ele mais tarde para uma nova volta, dessa vez junto de seus colegas de banda.

A prática foi repetida por outras bandas, como a brasileira The Name e a britânica Bombay Bicycle Club. Esta última chegou a ir assistir ao show da Broken Social Scene, no palco principal. "Amamos o show. É minha banda preferida", resumiu o baixista Ed Nash, mostrando-se satisfeito também como espectador.

Mais próximos do anonimato, os protagonistas do Claro Indie Stage circulavam bastante em meio ao público e conversavam tranquilamente a caminho do palco. O grupo Gang Gang Dance se destacava pela excentricidade. Um dos integrantes carregava um coco enquanto jurava querer ficar no Brasil. Outro, gripado, passeava com uma toalha enrolada na cabeça. Mais reclusos, Alison Goldfrapp e Will Gregor pouco interagiram com outras bandas, indo direto para o camarim.

Nos bastidores do Main Stage o clima foi amigável durante todo o dia, com as bandas andando livremente pelo espaço. Até o vocalista Liam Gallagher, que chegou a rechaçar a possibilidade de subir ao palco com alguém à sua volta, se mostrou bem-humorado, acenando às câmeras quando subia as escadas para ir de encontro ao público.

As coisas só mudaram um pouco com a chegada do The Strokes - primeiramente, os quatro instrumentistas em uma van, escoltada por três policiais da Rocam e, depois, do vocalista Julian Casablancas, em um carro de luxo, acompanhado por outros cinco homens da PM paulista. Com muitos dos artistas já fora do espaço, os norte-americanos permaneceram enclausurados no camarim até o momento de entrar no palco e trouxeram um clima mais "rockstar" ao backstage, com controle rígido de assessores para evitar contatos.

Os integrantes da banda Nação Zumbi se tornando o centro das atenções de alguns músicos estrangeiros no backstage do Planeta Terra
Os integrantes da banda Nação Zumbi se tornando o centro das atenções de alguns músicos estrangeiros no backstage do Planeta Terra
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Fonte: Terra
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