Gary Bartz e McCoy Tyner durante entrevista em Olinda
Foto: Osmar Portilho/Terra
- Osmar Portilho
- Direto de Olinda
Por volta dos 18 anos, McCoy Tyner já assumia uma responsabilidade e tanto: ser braço direito de ninguém menos que John Coltrane. Tendo tal "professor", como ele mesmo se refere ao saxofonista, o resultado não poderia resultar ser diferente. Aos 71 anos, o pianista é referência no estilo e segue inquieto musicalmente admitindo que não consegue parar de compor. "Eu escrevo música todos os dias", disse. "Também ajuda nos royalties", brincou.
Antes de subir ao palco montado dentro da Igreja da Sé, em Olinda, McCoy conversou com jornalistas sobre sua passagem pela Mimo 2010 (Mostra Internacional de Música em Olinda) e se mostrou empolgado com o formato do festival, que toca em lugares diferenciados e abertos ao público. Por outro lado, ele e o saxofonista Gary Bartz não se impressionaram com o fato da apresentação ser em uma igreja, já que nos Estados Unidos as missas musicais são algo culturamente comum. "A maior parte de nós começou a tocar em igrejas. Meu primeiro solo foi em uma. É uma volta ao início", contou Gary.
Jazz moderno
Com cinco prêmios Grammy na bagagem e mais de 80 álbuns na carreira, McCoy sempre experimentou influências em diversos gêneros, mas foi fiel ao jazz. Para ele, parte da nova geração se prende muito na parte técnica da musicalidade e acaba deixando de lado os longos improvisos recheados de feeling que moldaram o estilo. "Acho tudo muito técnico hoje em dia. A música deve sair de dentro", contou.
"Técnica é uma ferramenta somente. Não adianta você colocar na cabeça que vai tocar rápido, é preciso sentir e ter feeling", disse. "Há muita gente por aí fazendo matemática só tocando as notas que estão no papel", completou.
Esse tipo de feeling é notável na química entre McCoy e Gary, que se entendem no palco trocando poucas palavras sob os olhares atentos dos outros músicos. "Temos uma mistura cultural muito grande. Cada um influencia o outro. Gary é um cara muito criativo", disse o pianista sobre o parceiro.
McCoy credita parte desse aprendizado ao "professor" Coltrane, que o recrutou para integrar sua banda quando o pianista tinha apenas 18 anos. "Ele era uma ótima pessoa. Ele nunca mandava você fazer algo de cara. Te mostrava os acordes e fazia você ouvir. Apenas ouvir para aí saber o que fazer", explicou.
Igreja da Sé
No alto das ladeiras de Olinda, McCoy Tyner subiu ao palco montado na Igreja da Sé. Algumas horas antes o público já havia esgotado as senhas mostrando que o local com certeza estaria lotado. Com a parte interna cheia, muitos se aglomeraram do lado de fora para assistir ao show no telão montado.
Sempre sorridente, o pianista passeou por temas que compos ao longo de seus 55 anos de carreira. Em improvisos cheios de mudanças de compassos e notas precisas em seus solos, McCoy também manda o recado para os "matemáticos" quando solta fraseados melódicos que "brecam" a banda e conduz seus músicos para setores mais introspectivos.
Mimo
Com apoio do Ministério da Cultura e do BNDES, a Mimo segue até terça-feira (7), com shows, oficinas e exibições de filmes e documentários em Olinda, Recife e João Pessoa. A programação ainda conta com apresentações aguardadas, como o show do guitarrista Mike Stern, que encerra o festival.
O repórter do Terra viajou a convite da Mimo.
- Redação Terra



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