Arranjador foi aplaudido de pé por público em Recife
Foto: Osmar Portilho/Terra
- Osmar Portilho
- Direto de Olinda e Recife
Compositor, arranjador e multi-instrumentista, o músico Egberto Gismonti foi uma das grandes atrações do Mimo (Mostra Internacional de Música em Olinda), que começou na última quarta-feira e segue até terça. O pianista subiu ao palco montado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Recife, acompanhado da Orquestra de Sopros da Pro Arte neste sábado por volta das 18h30.
Depois de algumas palavras e elogios ao festival, apontando para o grande número de oficinas que ensinam música para jovens, Egberto empolgou o público que lotou a igreja. Além de ser aplaudido de pé pela plateia, o compositor ainda foi ovacionado pelas pessoas que não conseguiram ingresso e se contentaram em assistir ao show do lado de fora.
Aproveitando-se da acústica única da construção, Egberto desfilou toda sua técnica virtuosa e mostrou que a Orquestra, formada por jovens músicos, está pra lá de afiada. Os integrantes do coletivo, quando não eram regidos por Egberto, mostraram extrema competência ao seguir seus movimentos, mudança de tempos, ritmos e tons dissonantes.
O repertório desta parceria passeou basicamente em cima do disco lançado em 2008 pela orquestra, onde tocam versões de Tom Jobim, Baden Powell e Hermeto Pascoal. Com tamanha maturidade dos instrumentistas, Egberto os aplaudiu ao final da apresentação.
Na hora de se despedir, o compositor foi aplaudido de pé e ouviu o público pedindo um bis. Por outro lado, Egberto Gismonti reapareceu no palco, mas apenas acenou indicando que a apresentação não teria continuidade.
Selmer #607
Pouco tempo depois, que esteve na Igreja da Sé, em Olinda, conheceu o Selmer #607, um coletivo francês especialista e dar roupagens inusitadas em temas já consagrados. O gênero é conhecido como jazz manouche ou jazz cigano.
Formado por Ghali Hadefi, David Gastine, Adrien Moignard, Sébastien Giniaux, Richard Manetti (violões) e Jérémie Arranger (contrabaixo acústico), o grupo mostra uma interação impecável e domínio nos instrumentos. A banda sempre surpreende sua plateia ao pegar temas populares e as rechear com virtuose e fraseados inusitados nos violões, como canções de Miles Davis e John Coltrane. Claro que as batidas dos violões roubam a cena, mas vale uma citação especial ao baixista Jérémie Arranger, sempre preciso nas linhas de seu contrabaixo e praticamente um metrônomo para seus parceiros de banda.
Mimo
Com apoio do Ministério da Cultura e do BNDES, a Mimo segue até terça-feira (7), com shows, oficinas e exibições de filmes e documentários em Olinda, Recife e João Pessoa. A programação ainda conta com apresentações aguardadas, como o show de Tom Zé e do guitarrista Mike Stern.
O repórter do Terra viajou a convite da Mimo.
- Redação Terra








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