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 Em apresentação rara, Egberto Gismonti é aplaudido de pé no Recife
05 de setembro de 2010 03h04 atualizado às 10h27

Arranjador foi aplaudido de pé por público em Recife. Foto: Osmar Portilho/Terra

Arranjador foi aplaudido de pé por público em Recife
Foto: Osmar Portilho/Terra

Osmar Portilho
Direto de Olinda e Recife

Compositor, arranjador e multi-instrumentista, o músico Egberto Gismonti foi uma das grandes atrações do Mimo (Mostra Internacional de Música em Olinda), que começou na última quarta-feira e segue até terça. O pianista subiu ao palco montado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Recife, acompanhado da Orquestra de Sopros da Pro Arte neste sábado por volta das 18h30.

Depois de algumas palavras e elogios ao festival, apontando para o grande número de oficinas que ensinam música para jovens, Egberto empolgou o público que lotou a igreja. Além de ser aplaudido de pé pela plateia, o compositor ainda foi ovacionado pelas pessoas que não conseguiram ingresso e se contentaram em assistir ao show do lado de fora.

Aproveitando-se da acústica única da construção, Egberto desfilou toda sua técnica virtuosa e mostrou que a Orquestra, formada por jovens músicos, está pra lá de afiada. Os integrantes do coletivo, quando não eram regidos por Egberto, mostraram extrema competência ao seguir seus movimentos, mudança de tempos, ritmos e tons dissonantes.

O repertório desta parceria passeou basicamente em cima do disco lançado em 2008 pela orquestra, onde tocam versões de Tom Jobim, Baden Powell e Hermeto Pascoal. Com tamanha maturidade dos instrumentistas, Egberto os aplaudiu ao final da apresentação.

Na hora de se despedir, o compositor foi aplaudido de pé e ouviu o público pedindo um bis. Por outro lado, Egberto Gismonti reapareceu no palco, mas apenas acenou indicando que a apresentação não teria continuidade.

Selmer #607
Pouco tempo depois, que esteve na Igreja da Sé, em Olinda, conheceu o Selmer #607, um coletivo francês especialista e dar roupagens inusitadas em temas já consagrados. O gênero é conhecido como jazz manouche ou jazz cigano.

Formado por Ghali Hadefi, David Gastine, Adrien Moignard, Sébastien Giniaux, Richard Manetti (violões) e Jérémie Arranger (contrabaixo acústico), o grupo mostra uma interação impecável e domínio nos instrumentos. A banda sempre surpreende sua plateia ao pegar temas populares e as rechear com virtuose e fraseados inusitados nos violões, como canções de Miles Davis e John Coltrane. Claro que as batidas dos violões roubam a cena, mas vale uma citação especial ao baixista Jérémie Arranger, sempre preciso nas linhas de seu contrabaixo e praticamente um metrônomo para seus parceiros de banda.

Mimo
Com apoio do Ministério da Cultura e do BNDES, a Mimo segue até terça-feira (7), com shows, oficinas e exibições de filmes e documentários em Olinda, Recife e João Pessoa. A programação ainda conta com apresentações aguardadas, como o show de Tom Zé e do guitarrista Mike Stern.

O repórter do Terra viajou a convite da Mimo.

Redação Terra
  1. O multi-instrumentista Egberto Gismonti se apresentou com os jovens da Orquestra de Sopros da Pro Arte em igreja histórica de Recife

    Foto: Osmar Portilho/Terra

  2. Gismonti puxa a salva de palmas para os jovens e talentosos músicos da Orquestra de Sopros da Pro Arte

    Foto: Osmar Portilho/Terra

  3. O compositor regeu a orquestra no concerto realizado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída em 1630

    Foto: Osmar Portilho/Terra

  4. A Mimo (Mostra Internacional da Música em Olinda) vai até a terça-feira (7), com alguns dos principais nomes da música instrumental

    Foto: Osmar Portilho/Terra

  5. Os franceses do grupo Selmer #607 também se apresentaram nesse sábado (4) durante a Mimo

    Foto: Osmar Portilho/Terra

  6. Franceses que misturam jazz e música cigana se apresentaram na Igreja da Sé, em Olinda

    Foto: Osmar Portilho/Terra

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