inclusão de arquivo javascript

 
 

Segundo DVD de Ana Carolina registra emoção

23 de dezembro de 2004 17h13

A cantora encanta o público no DVD  Estampado - Um Instante Que Não Pára. Foto: Virgulando

A cantora encanta o público no DVD Estampado - Um Instante Que Não Pára
Foto: Virgulando

Mineira desconfiada e tímida, Ana Carolina surpreendeu a si mesma ao aceitar a sugestão de Monique Gardenberg. A cineasta combinou que a cantora e compositora iria circular disfarçada no meio de um público de quase dez mil pessoas. A idéia era fazer as primeiras tomadas da gravação do seu segundo DVD, Estampado - Um Instante Que Não Pára (BMG), no Claro Hall (RJ), antes de começar o show. O medo de ser descoberta (o que não aconteceu, apesar da estranheza de alguns olhares em sua direção) procede para quem tem aos seus pés uma platéia tão passional.

A intensa troca de emoções, alimentada pelos gritos repetidos ("Ana, eu te amo!"), está registrada no DVD, que traz sucessos de carreira numa performance ao vivo da artista. "O pior não foi para mim, mas sim para o pessoal da mixagem. Não teve como tirar os gritos do público, que vazaram no meu microfone, pelo canal da minha voz. Mas a gente não repetiu nada em estúdio. Ficou ali o registro de toda aquela emoção em 14 horas de gravação", disse Ana Carolina em entrevista.

Para a cantora, avessa a multidões, o problema foi enfrentar, ainda que no anonimato, uma platéia tão numerosa. "Sou calma pra caramba para subir no palco. Vou tranqüila, sem nenhum estresse. Mas na hora que tive que ir lá pra baixo, sofri um nervosismo incrível", admitiu.

O segundo DVD de Ana Carolina traz na íntegra o show do seu terceiro CD (Estampado), lançado no ano passado. Roteirizado pela própria cantora (que, junto ao seu músico Dunga, assumiu o comando musical) e Enrique Diaz (que também assina a direção executiva), o vídeo digital foi filmado pelas lentes sensíveis da cineasta de Jenipapo e Benjamim. "Gosto muito do trabalho de Monique (Gardenberg), especialmente porque ela preza pela coisa da qualidade, que é comum à minha maneira de trabalhar, de encarar a carreira", justifica o convite feito à diretora.

Curiosamente, algumas situações ligadas à cantora e à gravação do DVD têm uma coincidência com o número nove, como chamou a atenção Ana Carolina. "Havia nove mil pessoas (um pouco mais) na platéia, nove músicos em palco, nasci no dia 9/9, o CD Estampado tem nove canções e eu tenho nove músicas em trilha de novelas", enumerou, admirando os cabalísticos fatos.

O repertório do DVD traz, na sua maior parte, as músicas do CD Estampado e acrescenta canções do seu disco de estréia (1999), que leva apenas o seu nome, e o segundo, Ana Rita Joana Iracema Carolina (2001). Assim, nessa alquimia musical entram coisas como Uma Louca Tempestade (Totonho Villeroy/Bebeto Alves), que abre o trabalho digital "pelo alto-astral dela", Elevador, Hoje Eu Tô Sozinha, Encostar Na Tua e A Canção Que Tocou na Hora Errada, todas de autoria de Ana Carolina.

A adrenalina no show vai crescendo à medida que o roteiro prossegue com o tema da novela Um Anjo Caiu do Céu, Quem de Nós Dois (versão de Ana e Dudu Falcão para La Mia Storia Tra Le Dita) e 2 Bicudos (T. Villeroy), essa última com destaque para os músicos tocando cajon (instrumento de percussão). Misturando pop-rock, baladas, pitacos de música erudita (através de celo e harpa) e samba, Ana Carolina segue com a platéia na mão e soltando sua voz grave em Estampado e no clássico Me Deixa em Paz (Monsueto/ Ayrton Amorim).

O momento romântico do show é representado pela seqüência É Mágoa (dela), Que se Danem os Nós (outra parceria com Villeroy), Pra Rua Me Levar (composta para Maria Bethânia) e Só Fala em Mim (Ana/Villeroy/Celso Fonseca). Para completar o clima, Ana Carolina entra com Nua (de sua autoria) e Outra Vez (Isolda). Para descontrair o ambiente, uma boa pitada de humor não faz mal. É o que se ouve na sua interpretação para Eu Gosto de Mulher (sucesso do Ultrage a Rigor), numa levada de samba, e Mulher Eu Sei (Chico César).

No final, o show, que já estava em alta temperatura, ganha mais fôlego com Sinais de Fogo (Ana/Villeroy) e Garganta (só do segundo). Uma canja no pandeiro, acompanhada dos músicos, era tudo que o ouriçado público esperava. E assim se deu em Vox Populi (dela), em ritmo de samba. Emenda com Ela é Bamba (de Villeroy), mesclada de funk e maracatu.

Correio da Bahia