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Picassos Falsos retornam com ótimo álbum

16 de julho de 2004 20h05

A banda carioca Picassos Falsos teve vida curta nos anos 80. Lançou apenas os álbuns Picassos Falsos (1987) e Supercarioca (1988), mas sua mistura de rock, samba e ritmos nordestinos tornou-se cult para o público underground da época, jornalistas e futuros artistas da década seguinte, como Chico Science.

Separados, os Picassos foram pintar outros quadros na vida. O vocalista Humberto Effe lançou um injustamente esquecido álbum solo (em 1995, pela Virgin) e colaborou com Toni Platão, Frejat, Dado Villa-Lobos (na trilha de Buffo e Spalanzani) e Skank (em Cosmotron, divide Pegadas na Lua com Samuel Rosa).

O guitarrista Gustavo Corsi acompanhou ''ene'' artistas (Marina Lima, Fernanda Abreu, Gabriel O Pensador, Ivo Meirelles, Cláudio Zoli, Kátia B...), o baixista Romanholli dedicou-se ao jornalismo e o baterista Abílio Rodrigues abriu uma loja de instrumentos, estudou música e formou-se professor de Filosofia.

Em 2001, os quatro começaram a pensar na idéia de reativar o grupo. "Foi uma grande pena a banda ter acabado", diz Abílio. "Fiquei um pouco cético. Após tanto tempo sem estar todo mundo junto, não sabia o que ia dar. Demorou alguns meses de laboratório para a gente se reencontrar", recorda Humberto Effe.

O CD Novo Mundo (Psicotronica) mostra que o ceticismo era infundado. Os Picassos retomam a sua história sem que, diferentemente da maioria das bandas de sua geração que foram reativadas, soem como vampiros do passado. O amadurecimento musical é usado para atualizar a estética do grupo em 12 boas canções.

O quarteto brilha quando explora a influência do samba: Porta-bandeira, Pra deixar de ficar só, Rua do desequilíbrio e Zig zag 2, que começa evocando a batida de uma caixinha de fósforo e os acordes do clássico da bossa Garota de Ipanema. Mas luzes também iluminam o baião elétrico Presidente Vargas, a romântica faixa-título e a roqueira Eletricidade. Um ótimo disco.

Correio da Bahia