inclusão de arquivo javascript

 
 

Após acidente, MC Marcinho prega amor e música

12 de maio de 2006 13h46

O casal MC Marcinho e Cacau. Foto: Daniela Conti/O Dia

O casal MC Marcinho e Cacau
Foto: Daniela Conti/O Dia

Se um dia a incrível história de Cacau e Marcinho virar filme, a cena vai comover no escurinho: no ano 2000, há três anos separados e vivendo novos casamentos, os MCs foram convidados para um show num presídio. Um não sabia da presença do outro. Na hora, os presos exigiram que cantassem juntos. "Foi sinistro. Três anos sem se ver e o encontro no palco para cantar nossas músicas românticas, olho no olho", lembra Marcinho. O resto da história? "Acabamos unidos pela mão de Deus", diz Cacau.

Veja foto ampliada!

União que acaba de gerar o primeiro filho, o pequeno Márcio, de 2 meses, e o CD Marcinho e Cacau Especial 2006, que conta a história do casal que modificou as letras dos funks em meados da década de 90.

"Há mais de 10 anos falamos de amor", diz Marcinho. "Tinha que ter um livro pra contar", afirma o autor do Rap do Solitário, estouro na época em que o romance entre eles começou com um beijo roubado na van que os levaria para show.

Por ironia perversa, os últimos momentos que passou numa van Marcinho prefere esquecer. Foi há dois meses no acidente onde duas pessoas morreram e que deixou o MC debilitado e próximo como nunca da família.

O novo CD estava começando a ser trabalhado antes do acidente, com tiragem de mil cópias vendidas nos bailes. Agora, o casal busca uma gravadora para o final feliz.

São 17 faixas, como as novas Chamas do Amor, balada romântica que cantam juntos, e Quero Amar, onde afirmam: "Se a vida deu voltas foi para nos ensinar que nosso destino é junto."

Marcinho, 28, e Cacau, 32, começaram a namorar quando ele tinha apenas 16 anos, aproximados através de empresários. Ficaram amigos e passaram a dividir o palco. "Paramos para jantar num restaurante e passamos a nos olhar de forma diferente", lembra Marcinho.

Após um Carnaval na Bahia onde o MC, inspirado, rabiscou num caderno a letra de Por Que Te Amo, disco que marcou em 96 o estouro de ambos, vieram as difuculdades, sempre superadas com música.

"A gente brigava, pedia camarim separado e eu ia escondido ver o show dela", conta Marcinho. No dia 19, o MC será homenageado pelo mundo funk na quadra da Beija-Flor e o médico liberou: vai cantar e emocionar.

Vida é mais importante que os shows
Após o acidente, Marcinho pretende tentar conscientizar as pessoas em seus futuros shows sobre os perigos da direção. "O governo faz campanhas, mas parece que não adianta", diz o MC, que agora fará no máximo dois shows por noite.

E o recado aos funkeiros, que têm se envolvido em acidentes em série, é claro: "O que adianta fazer cinco shows por noite e morrer?". Após o show do dia 19, Marcinho vai realizar no dia 23 a oitava cirurgia para um enxerto ósseo no fêmur.

Em 10 de junho voltará em show no Ceará, ainda na cadeira de rodas, e em novembro vai retirar os últimos pinos da perna. Tem feito três sessões semanais de fisioterapia e se dedicado às aulas de violão.

O acidente na Via Dutra, quando o MC seguia para show em Penedo, aconteceu na véspera de seu filho completar um mês. "Saí de casa planejando a felicidade e aconteceu a tragédia. Renasci e agradeço a Deus por ter me deixado ver de novo o filho", disse Marcinho.

O Dia
O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.