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Após inquérito, MC Melody tira bojo e quer ser Anitta aos 8

Após investigações do Ministério Público, os discursos mudaram. Com músicas de duplo sentido, MC Pikena também se afasta do funk sensual

30 abr 2015
17h08
atualizado em 12/5/2015 às 21h10
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Uma garotinha de apenas 8 anos esteve presente nos noticiários das últimas semanas, virou alvo de inquérito no Ministério Público do Trabalho em São Paulo e até de uma petição online - que reuniu mais de 23 mil assinaturas pedindo a intervenção e investigação de tutela do Conselho Tutelar de São Paulo. Seu nome? Gabriela Abreu, a MC Melody, filha de Thiago Abreu, o MC Belinho. A cantora mirim de funk chocou e reacendeu a discussão sobre erotização infantil após dançar quadradinho de oito e sensualizar em vídeos do You Tube.

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Quatro dias depois de o procurador do Trabalho Dr. Marco Antônio Ribeiro Tura iniciar investigações contra o pai da funkeira - já que ele foi acusado de estimular a sexualização da filha -, os discursos de Thiago e da menina mudaram. Agora, MC Melody tem um empresário, tirou o “MC” do nome artístico, não pode mais dançar e quer ser uma nova Anitta.

Na última terça-feira (28), a família e o novo empresário abriram as portas para o Terra de um tecnológico estúdio musical em São Paulo para se “desculpar à sociedade” – mesmo depois de ter gravado no último dia 25 um vídeo com o mesmo propósito -, e falar sobre os próximos passos da garota.

Melody posa durante entrevista exclusiva ao Terra em um estúdio em São Paulo na última terça (28)
Melody posa durante entrevista exclusiva ao Terra em um estúdio em São Paulo na última terça (28)
Foto: Éder Triton / Divulgação

“Se desculpar do quê? Acho que de repente quando a gente falava que as pessoas tinham recalque da gente nas redes sociais, por exemplo. Eu me alterei diversas vezes e acabei gravando vídeo xingando, mas falei para três ou quatro pessoas que queriam nos prejudicar. Como acabou me prejudicando de verdade, e eu estou sendo investigado pelo MP por conta da guarda dela”, disse o pai de Melody.

Segundo trecho de uma das representações do inquérito do MP ao qual Thiago se refere, a garota “canta músicas obscenas com alto teor sexual e faz poses sensuais bem como trabalha como vocalista em carreira solo, dirigida pelo seu genitor”. Sobre as apresentações, Thiago nega a acusação e afirma nunca ter ganhado dinheiro com a funkeira. “Não existiram shows dela até o momento”, falou ele e acrescentou que algumas coisas na “carreira” da menina irão mudar.

Em diversos vídeos do You Tube, a menina aparece vestindo blusas com bojo (enchimentos que imitam seios) e roupas curtas. Thiago conta que tudo não passou de uma brincadeira e em inspirações na cantora Anitta, mas “promete que isso não acontecerá novamente”.

“A Melody vai continuar do mesmo jeito, só vão mudar algumas coisas, como: o figurino. Daqui para frente, o figurino será de acordo com ela, para que não seja nada sensualizado. As músicas não pretendo mudar porque já é isso. Vamos focar mais no estilo mirim e mais pop, que é o que ela gosta”, explicou ele, que conta também que a criança terá aulas de canto e violão duas vezes por semanas e contará com uma coreógrafa que lhe ensinará danças apropriadas a sua idade e que não explorem a sensualidade. No entanto, espera uma liberação judicial ao lado do empresário e produtor musical Éder Triton para iniciar a tão desejada vida musical de sua filha.

Thiago diz que ainda não recebeu nenhuma notificação da Justiça, mas que já contratou um advogado para defendê-lo. “Estamos preparando a defesa em sigilo, mas posso adiantar que a alegação será feita com base da realidade, ou seja, que a Melody é uma criança que estuda, bem cuidada, brinca e tem uma vida apropriada à idade dela”, explicou.

Melody e o pai, Thiago Abreu, também conhecido como MC Belinho
Melody e o pai, Thiago Abreu, também conhecido como MC Belinho
Foto: Éder Triton / Divulgação


“Quero ser famosa”
Com cabelos longos e sorriso estampado no rosto, Melody quer que sua carreira decole rápido. Mesmo com pouca idade e jeito traquina de criança, ela fala com convicção que seu sonho é ser uma popstar. “Eu quero ser cantora e ser famosa. Para mim, ser famosa é ganhar muito dinheiro, cantar bastante e ser uma estrela”, disse ela, que, ao mesmo tempo, fala com tristeza sobre o que enfrenta na escola após sua aparição nos noticiários. (Assista detalhes na reportagem em vídeo) .

Para tentar superar as inúmeras críticas das últimas semanas, o empresário diz que decidiu tomar conta da carreira de Melody e “passar uma borracha em tudo”. Ele afirma que a menina terá acompanhamento psicológico e deixa claro que não é conivente com a forma que ela dança ou mesmo é exposta em seus vídeos.

“Eu disse para o pai dela: ‘Se você quer ajuda, vai ter que me ouvir.’ Ele veio e me mostrou tudo que estava acontecendo. Eu, automaticamente, discordei de tudo o que ele estava fazendo e disse: ‘Por mais que você ache que tenha razão, você não tem. Na visão de todo mundo, você está explorando a sua filha. Eu sei que não é isso’. Veio uma bomba em dez dias que revirou a vida dele e dela”, explicou o empresário.

De acordo com a psicóloga Vanessa Tamiello, essa reviravolta pode ser “extremamente prejudicial” para o futuro da criança. Já que a menina não deveria ter passado por casos de grande exposição e erotização. “O acompanhamento psicológico é essencial no sentido que isso vai trazer repercussões emocionais que a criança não está preparada para lidar com essa situação e também cabe um incentivo de terapia para os pais - de modo que eles saibam falar não e mostrar o melhor caminho”, alertou ela.

Já a partir da liberação para fazer shows, terá início um processo de profissionalização de Melody. No entanto, o empresário ressalta que não quer tirar a naturalidade da menina “para não ficar um produto fabricado”. “Os shows serão realizados durante o dia, em domingueiras, matinês e aniversários. Ela não se apresentará em casas noturnas, ela não pode fazer isso na condição de menor e tudo será feito de acordo com a lei”, afirmou Éder.

Conhece a MC Pikena?
Aos 12 anos, Ângela De Aguiar começou no funk cantando o seguinte refrão “Espelho, espelho meu, existe alguém que senta melhor do que eu?”. Hoje, aos 14, ela também canta o mesmo teor de duplo sentido, mas quer estar em novelas .

MC Pikena já foi criticada por cantar músicas de funk de duplo sentido
MC Pikena já foi criticada por cantar músicas de funk de duplo sentido
Foto: Arquivo pessoal

“Agora eu gosto de Anitta e Ludmilla porque sei que assim vou conseguir algo mais comercial. Infelizmente, existe muito preconceito por eu ser menina e que canta funk”, falou a garota, que tem o acompanhamento do empresário, Jefferson Mesquita, que trabalha só com funk na F10 produtora.

Questionado se há limites para uma criança cantar funk, ele declara que todos podem fazer o ritmo. “A música não tem limites pode ser uma criança de cinco anos ou uma senhora cantar funk, sertanejo e se a pessoa tiver o dom, bola pra frente”, explicou Jefferson, que pretende realocar a MC Pikena dentro do funk. “Ela vai seguir os passos da Anitta, mas sempre dentro do ritmo. Não pensamos em colocá-la em outros ritmos, mas, se você pedir para ela cantar MPB, ela canta”.

A mãe Patricia Aguiar, por sua vez, incentiva a garota e acredita que, para fazer sucesso atualmente, a maioria dos funkeiros precisa começar cantando músicas com duplo sentido. “Isso sempre acontece. Esses cantores passam por isso e muitas vezes sofrem preconceito, mas depois passa. Veja pelo MC Gui e pela Anitta. Todo início é mais difícil”, afirmou ela, que não recebeu bem a notícia quando sua filha começou a fazer shows de funk.

Foto: Arte Terra

Fonte: Terra

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