Lorena Calabria

Resultado/Renato Russo


LEGIAO URBANA: DIÁRIO DO TRIBUTO

29 mai

Publicado às 17h53

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Uns vão amar; outros vão odiar. Até consigo entender a polêmica. Mas não cultivo nenhuma das reações. Como não sou de ficar em cima do muro, eis o que eu penso do Tributo à Legião Urbana.
 
1) A Legião Urbana não foi reformada e está de volta. É só um especial de TV. A MTV precisa de audiência e também de conteúdo musical. Tá errado?
 
2) Ao invés de um ou mais cantores, chamaram um ator que, além de famoso, é reconhecido por todos pelo talento. E ainda tem uma banda, Sua Mãe. E não vai “imitar” o Renato. Algum problema?
 
3) A Legião já tinha feito um show com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rock in Rio, com vocalistas convidados. Alguém chiou? 
 
4) O show vai ser aberto ao público, com ingressos pagos. Caça-níquel? Ora, vamos deixar a inocência de lado. De graça, dá pra ver na TV, ao vivo e reprises.
 
5) Meu interesse: só curiosidade. Vi shows da Legião o suficiente para saber que ninguém se compara ao Renato. É mais um homenagem, entre tantas que virão.
 
Dito isto, vamos aos bastidores do projeto. Conversei com alguns envolvidos e construi uma história oral, uma espécie de Diário do Tributo. Menos que o resultado em si, me interessa mais como chegaram a ele.
 
 
NUMA PROPAGANDA DE REFRIGERANTE – ONDE TUDO COMEÇOU
 
Setembro / 2011
 
Andre Vaisman (ex-VP Geral de Operações da MTV, hoje sócio-diretor da Flint)
“Eu estava conversando com o produtor Dudu Marote sobre outro projeto quando ele me mostrou um comercial de refrigerante em que Wagner Moura cantava, que passou só no Nordeste. Percebi que o Wagner cantava com entrega, com garra, coisa de crooner mesmo. Depois, assisti ao filme 'Vips' e fiquei mais impressionado com ele cantando 'Será'. O Wagner foi generoso o suficiente pra se transformar no Renato”. 
 
DADO e MTV TOPAM O PROJETO
 
Novembro – Dezembro / 2011
 
Andre Vaisman
“Cruzei por acaso com Dado, pouco antes do show do Jota Quest , em que ele e Bonfá participaram, tocando músicas da Legião. Opa, pensei. Eles estão ainda a fim de fazer algo como Legião. Fiquei com aquilo na cabeça. Até que me veio a ideia do Tributo. Marquei um almoço com Dado, mostrei a ele o Wagner cantando e ele também ficou impressionado”. 
 
Dado Villa-Lobos (guitarrista da Legião)
“Quando o André marcou o almoço comigo, em São Paulo, não fazia menor ideia do que se tratava. Só sabia que seria algo para a MTV. A gente tinha feito o projeto sinfônico Rock in Rio, mas o tributo que o André estava propondo era bem diferente. Adorei, achei instigante. Voltei pro Rio, falei com Bonfá, que também achou muito boa ideia”.
 
Helena Bagnoli (diretora geral da MTV Brasil) 
“Quando o Andre me trouxe a ideia, achei sensacional. Seria um projeto grandioso, mas a MTV sempre construiu encontros inusitados. Já tinha visto o Wagner cantando no filme ‘Vips’ e achei o máximo misturar ele com Legião Urbana. Fomos atrás dele e tinha que ser convincente. Ele topou na hora: ‘Melhor proposta dos últimos tempos. Adoro esses caras. O problema agora é agenda’”.
 
 
WAGNER MOURA, DIRETO DE BERLIM
 
Janeiro / 2012
 
Dado Villa-Lobos
“Tivemos o primeiro contato com Wagner via skype. Ele estava em Berlim envolvido com o filme do Karim Ainouz. Achei ele tão entusiasmado: 'me sinto como um fã que foi pinçado no meio da plateia'. O que faltava mesmo era conciliar as agendas. O curioso é que eu já tinha cruzado com o Wagner bem antes, no camarim do show do Cidadão Instigado, no teatro Rival no Rio. Era o Capitão Nascimento que tava ali (risos). Agora o cara é o vocalista da banda”. 
 
 
 
PRIMEIROS ENSAIOS
 
Fevereiro / 2012
 
Dado Villa-Lobos
“Depois do carnaval, começamos a ensaiar já com Wagner no meu estúdio. Por email, ele já tinha sugerido algumas musicas. Wagner conhecia até músicas que eu nunca tinha tocado ao vivo. Ele veio com 'Fábrica', 'Daniel…'. Mas decidimos que não entraria, por exemplo, 'Eduardo e Monica'. Queríamos algo menos folk". 
 
Marcelo Bonfá 
“O Wagner trouxe uma energia pra banda impressionante. Acabou contagiando todo mundo com isso. Contou que era muito fã da banda e, realmente, conhecia bem nosso repertório. Diferente da peça em que um ator encarnava o Renato com todos os trejeitos, o Wagner vai cantar como ele mesmo, sem imitar o Renato. Achei isso muito bom”. 
 
 
FELIPE HIRSCH ENTRA EM CENA
 
Março – Abril / 2012
 
Felipe Hirsch (diretor teatral)
“Eu estava em Los Angeles e o Wagner me ligou de Berlim. Eu ia passar três meses trabalhando fora do Brasil. Impossível conciliar. Escrevi para a MTV de coração partido. Eles não aceitaram, insistiram. O Wagner acabou me convencendo a ir a uma reunião no Rio, apenas pra ver. Pronto.
Quando vi já tava mexendo no set list, propondo umas seis músicas, colocando ordem, uma outra dinâmica. Passei a acompanhar os ensaios, ter envolvimento diário. Depois, tendo a MTV como parceira, fiz também o cenário”.
 
 
ANDY GILL, CONVIDADO ESPECIAL
 
Felipe Hirsch
“A ideia era trazer alguém de quem a banda era fã. Lembrei do quanto o Renato Russo e também o Dado gostavam e citavam sempre Gang of Four (banda inglesa). O Andy topou e vai fazer uma música da Legião, 'Ainda é cedo', e a banda toca uma da Gang”.
 
 
 
O SHOW SURPRESA: CULPA DO STONE ROSES
 
Maio / 2012
 
Felipe Hirsch
“Falei brincando com o Wagner que o Stones Roses, antes da grande volta, fez um pequeno show tocando apenas 11 músicas. O Wagner falou: 'vamos também tocar em algum lugar só 11 músicas'".
 
Alê Youssef (um dos donos do Studio SP)
“O Carlos Caran, produtor da Legião, me procurou. Achei muita coincidência porque eu já estava querendo fazer isso, ter mais shows surpresa. E tinha pensado na Legião, porque já sabia do projeto e o Wagner tocou aqui, o único lugar em que ele fez show com a banda dele, Sua Mãe. Fechamos a data e o compromisso de não divulgar nada. Só a boca pequena e na véspera. No dia, ficamos nos trend topics do Twitter (com a #LegiaoStudioSP). Foi demais o show, o Wagner tem muito potencial como cantor, sabia que ele ia arrebentar. A plateia estava bem misturada. Das 600 pessoas, tinha muita gente que foi sem saber do show".
 
Dado Villa-Lobos (sábado, 26, antes de entrar no palco)
“Vai ser ótimo testar o show num lugar como Studio SP. Um ensaio aberto em um estúdio não teria o mesmo efeito. Com plateia de verdade, dos freqüentadores, de gente que nem sabia que teria um show nosso ali.  Vai ser um aquecimento, de verdade”
 
 
VÉSPERA DO SHOW 
 
Segunda, 28 de maio de 2012.
 
Felipe Hirsch (direto do Espaço das Américas)
"O Andy Gill está com a gente desde domingo, ensaiando. O show do Studio SP foi incrível e deixou a banda com cara de 'banda pequena', como se estivesse começando.Tá todo mundo disposto ao encontro. Queria que as pessoas não tivessem receio, em relação ao fato de não ser o Renato que está ali. É o Wagner e isso é inusitado. Ele é carismático e sabe lidar com as dificuldades. Não é um tributo formal; se fosse, não toparia". 
 
 
_Serviço:  
 
MTV ao Vivo – Tributo à Legião Urbana 
Data: 29 e 30 de maio
Abertura da casa: 21h
Local: Espaço das Américas – Rua Tagipurú, 795 – Barra Funda – São Paulo
Valor do ingresso: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)
Classificação indicativa: 18 anos (acima de 12 anos acompanhado dos pais ou responsáveis)
 
Fotos: MTV / Divulgação
 
 

MORRISSEY BOSSA NOVA

7 mar

Publicado às 12h22

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Renato Russo era muito fã do Morrissey, todos sabem. Rodrigo Amarante, do Los Hermanos , já declarou que aprendeu inglês só pra entender as letras dos Smiths. Pitty e Martin, no recém-lançado projeto Agridoce,  gravaram uma de suas favoritas da banda de Manchester.

Agora, Helio Flanders, 26, cantor da banda Vanguart, não é muito pirralho pra ser fã do Moz? Pois é, Helinho morava ainda em Cuiabá quando ouviu (e pirou com) Smiths pela primeira vez. Onde? No rádio!

Helio Flanders canta e compõe desde os 12. Com o Vanguart gravou dois discos de estúdio e um ao vivo. Nada lembra o som dos Smiths, nem a obra solo de Morrissey. Existe, afinal, alguma influência?

Além do Vanguart, Hélio Flanders tem uma banda de covers dos Beatles, a Vang Beats, mas nunca tocou Smiths ou Morrissey em seus shows. A pedido do blog, fez uma singela homenagem a Morrissey. Singela mesmo: gravada no sofá de casa, com voz e violão. “Versão bossa nova”, como ele diz.

A escolhida? “There’s is a light that never goes out”, do álbum The Queen is The Dead (1986). 

No domingo, Hélio Flanders vai se juntar a centenas de outros fãs que verão Moz pela primeira vez.

 

O Terra vai transmitir o show do Morrissey, às 21h, direto do Espaço das Américas, em São Paulo. Antes, às 20h30 eu comando o pré-show, conversando com o músico Thiago Pethit e os jornalistas Marcelo Costa e Camilo Rocha.

perfil do autor

Lorena Calabria

Jornalista cultural desde os anos 80, Lorena Calabria foi editora na Revista Bizz e comandou os programas de TV Clip Clip, Metrópolis e Ensaio Geral. Apresenta o Terra Live Music, toda quinta, às 16h.




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