Como Gaby Amarantos consegue, eu não descobri. Mas que ela está em todo lugar, está. Nos últimos meses, virou figura obrigatória em revistas, jornais e programas de TV, cumprindo a rotineira divulgação do seu primeiro disco, Treme.
Além de emplacar “Ex-Mai Love” na abertura de Cheias de Charme, inspirou personagens e deu palestra pra equipe da novela.
Já estava de bom tamanho, mas aí lá vem Gaby bailando no Domingão do Faustão, candidata do Dança dos Famosos.
Sua agenda virou uma gincana. Aproveitei uma de suas vindas a São Paulo e solicitei uma entrevista com Gaby em algum lugar que ela mesma escolhesse.
E eis que me encontro a caminho de um salão de beleza. Chegar mais cedo e pegar Gaby “desmontada” era meu plano. Falível, claro. Às sete da noite, virei refém do trânsito paulistano. “Fica tranquila”, me disse sua assessora Luiza, “Gaby ainda vai fazer o cabelo”.
O tempo passando, o carro parado e eu imaginando quantos cachos da cabeleira de Gaby eu ainda tinha de crédito. Chego esbaforida e Gaby abre seus braços, com o quem recebe uma amiga de infância. “Calma, ainda falta terminar o cabelo”.
Em 10 minutos, ela volta e vamos para uma sala reservada, longe do zunido dos secadores. Gaby parece muito mais uma menina do que o mulherão que encarna quando sobe num palco, com leds e vários adereços.

A palavra over não é suficiente para descrever seu visual, agora já assimilado pelo público. A Gaby de hoje em nada lembra a Gaby que começou cantando MPB em barzinhos.
Quando se deu a transformação, afinal? “Eu era meio cobaia da minha mãe, que costurava, vendia produtos de beleza e ia testando tudo em mim. Os primeiros apliques que usei eram de cabelo de boneca”.
Eu estava lá quando o público do Rec-Beat saudou Gaby com gritos de “diva! diva!”, no carnaval perambucano de 2010. Foi quando ela cantou pela primeira vez “Xirley Xarque”. O mais incrível foi que Gaby não sabia nem a letra.
“Eu tava numa van quando ouvi essa musica no radio, e ela ficou na minha cabeça. Na hora do show puxei só o começo, que eu lembrava, e a plateia cantou tudo comigo. Aí, me toquei que ela tinha tudo a ver com tecnobrega, isso de roubar, samplear”.
Gaby ficou conhecida também com o “Beyoncé do Pará” por conta de uma versão de “Single Ladies”, e há quem a veja como uma “nova Ivete Sangalo”. Gaby passa por cima das comparações.
“Acho divertido isso, e até vejo como elogio. É bom quando me identificam com pessoas que já tem um nome, uma carreira. Eu tô começando, mas não quero que esses rótulos colem em mim. Vim pra ficar e fazer o meu caminho”.
Mesmo com carreira em ascensão e mil compromissos Brasil afora, Gaby mantém seu porto seguro, tendo como base sua cidade natal.
“É lá que eu me sinto realmente em casa. Ainda tem muito que quero fazer pela minha cidade”, diz referindo-se a trabalhos sociais. “Quero também me envolver com outras causas, não ficar restrito só ao meu bairro”.

Produção básica no salão de beleza para a menina-mulher Gaby
E foi lá mesmo, em Jurunas, que Gaby montou o show registrado por Vincent Moon, diretor francês, em parceria com Priscila Brasil. “Sai pelas ruas em um carro chamando as pessoas pro show, com um megafone. Na hora do show, o Vincent não acreditou na multidão na frente da minha casa”.
Gaby Amarantos ainda encontra tempo para se misturar com outros artistas. Em Treme convidou Fernanda Takai, Catarina Dee Jah e Dona Onete para gravar com ela. No palco, já foi da Orquestra Imperial a Emicida, com quem ela diz manter uma ligação muito forte mesmo antes de dividirem o palco. “Conhecemos bem a periferia, que no final é a mesma em todo canto. Acho ele um cara muito inteligente, trocamos muitas ideias”.
Depois que Emicida participou do show de Gaby, foi a vez de ela retribuir, aceitando o convite para atual no clipe “Zica, vai lá!”. Na hora de definir seu papel, Gaby dá uma gargalhada e solta: “Faço papel de gos-to-sa!!! Como que não ia aceitar?”