Lorena Calabria

Resultado/maio2012


LEGIAO URBANA: DIÁRIO DO TRIBUTO

29 mai

Publicado às 17h53

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Uns vão amar; outros vão odiar. Até consigo entender a polêmica. Mas não cultivo nenhuma das reações. Como não sou de ficar em cima do muro, eis o que eu penso do Tributo à Legião Urbana.
 
1) A Legião Urbana não foi reformada e está de volta. É só um especial de TV. A MTV precisa de audiência e também de conteúdo musical. Tá errado?
 
2) Ao invés de um ou mais cantores, chamaram um ator que, além de famoso, é reconhecido por todos pelo talento. E ainda tem uma banda, Sua Mãe. E não vai “imitar” o Renato. Algum problema?
 
3) A Legião já tinha feito um show com a Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rock in Rio, com vocalistas convidados. Alguém chiou? 
 
4) O show vai ser aberto ao público, com ingressos pagos. Caça-níquel? Ora, vamos deixar a inocência de lado. De graça, dá pra ver na TV, ao vivo e reprises.
 
5) Meu interesse: só curiosidade. Vi shows da Legião o suficiente para saber que ninguém se compara ao Renato. É mais um homenagem, entre tantas que virão.
 
Dito isto, vamos aos bastidores do projeto. Conversei com alguns envolvidos e construi uma história oral, uma espécie de Diário do Tributo. Menos que o resultado em si, me interessa mais como chegaram a ele.
 
 
NUMA PROPAGANDA DE REFRIGERANTE – ONDE TUDO COMEÇOU
 
Setembro / 2011
 
Andre Vaisman (ex-VP Geral de Operações da MTV, hoje sócio-diretor da Flint)
“Eu estava conversando com o produtor Dudu Marote sobre outro projeto quando ele me mostrou um comercial de refrigerante em que Wagner Moura cantava, que passou só no Nordeste. Percebi que o Wagner cantava com entrega, com garra, coisa de crooner mesmo. Depois, assisti ao filme 'Vips' e fiquei mais impressionado com ele cantando 'Será'. O Wagner foi generoso o suficiente pra se transformar no Renato”. 
 
DADO e MTV TOPAM O PROJETO
 
Novembro – Dezembro / 2011
 
Andre Vaisman
“Cruzei por acaso com Dado, pouco antes do show do Jota Quest , em que ele e Bonfá participaram, tocando músicas da Legião. Opa, pensei. Eles estão ainda a fim de fazer algo como Legião. Fiquei com aquilo na cabeça. Até que me veio a ideia do Tributo. Marquei um almoço com Dado, mostrei a ele o Wagner cantando e ele também ficou impressionado”. 
 
Dado Villa-Lobos (guitarrista da Legião)
“Quando o André marcou o almoço comigo, em São Paulo, não fazia menor ideia do que se tratava. Só sabia que seria algo para a MTV. A gente tinha feito o projeto sinfônico Rock in Rio, mas o tributo que o André estava propondo era bem diferente. Adorei, achei instigante. Voltei pro Rio, falei com Bonfá, que também achou muito boa ideia”.
 
Helena Bagnoli (diretora geral da MTV Brasil) 
“Quando o Andre me trouxe a ideia, achei sensacional. Seria um projeto grandioso, mas a MTV sempre construiu encontros inusitados. Já tinha visto o Wagner cantando no filme ‘Vips’ e achei o máximo misturar ele com Legião Urbana. Fomos atrás dele e tinha que ser convincente. Ele topou na hora: ‘Melhor proposta dos últimos tempos. Adoro esses caras. O problema agora é agenda’”.
 
 
WAGNER MOURA, DIRETO DE BERLIM
 
Janeiro / 2012
 
Dado Villa-Lobos
“Tivemos o primeiro contato com Wagner via skype. Ele estava em Berlim envolvido com o filme do Karim Ainouz. Achei ele tão entusiasmado: 'me sinto como um fã que foi pinçado no meio da plateia'. O que faltava mesmo era conciliar as agendas. O curioso é que eu já tinha cruzado com o Wagner bem antes, no camarim do show do Cidadão Instigado, no teatro Rival no Rio. Era o Capitão Nascimento que tava ali (risos). Agora o cara é o vocalista da banda”. 
 
 
 
PRIMEIROS ENSAIOS
 
Fevereiro / 2012
 
Dado Villa-Lobos
“Depois do carnaval, começamos a ensaiar já com Wagner no meu estúdio. Por email, ele já tinha sugerido algumas musicas. Wagner conhecia até músicas que eu nunca tinha tocado ao vivo. Ele veio com 'Fábrica', 'Daniel…'. Mas decidimos que não entraria, por exemplo, 'Eduardo e Monica'. Queríamos algo menos folk". 
 
Marcelo Bonfá 
“O Wagner trouxe uma energia pra banda impressionante. Acabou contagiando todo mundo com isso. Contou que era muito fã da banda e, realmente, conhecia bem nosso repertório. Diferente da peça em que um ator encarnava o Renato com todos os trejeitos, o Wagner vai cantar como ele mesmo, sem imitar o Renato. Achei isso muito bom”. 
 
 
FELIPE HIRSCH ENTRA EM CENA
 
Março – Abril / 2012
 
Felipe Hirsch (diretor teatral)
“Eu estava em Los Angeles e o Wagner me ligou de Berlim. Eu ia passar três meses trabalhando fora do Brasil. Impossível conciliar. Escrevi para a MTV de coração partido. Eles não aceitaram, insistiram. O Wagner acabou me convencendo a ir a uma reunião no Rio, apenas pra ver. Pronto.
Quando vi já tava mexendo no set list, propondo umas seis músicas, colocando ordem, uma outra dinâmica. Passei a acompanhar os ensaios, ter envolvimento diário. Depois, tendo a MTV como parceira, fiz também o cenário”.
 
 
ANDY GILL, CONVIDADO ESPECIAL
 
Felipe Hirsch
“A ideia era trazer alguém de quem a banda era fã. Lembrei do quanto o Renato Russo e também o Dado gostavam e citavam sempre Gang of Four (banda inglesa). O Andy topou e vai fazer uma música da Legião, 'Ainda é cedo', e a banda toca uma da Gang”.
 
 
 
O SHOW SURPRESA: CULPA DO STONE ROSES
 
Maio / 2012
 
Felipe Hirsch
“Falei brincando com o Wagner que o Stones Roses, antes da grande volta, fez um pequeno show tocando apenas 11 músicas. O Wagner falou: 'vamos também tocar em algum lugar só 11 músicas'".
 
Alê Youssef (um dos donos do Studio SP)
“O Carlos Caran, produtor da Legião, me procurou. Achei muita coincidência porque eu já estava querendo fazer isso, ter mais shows surpresa. E tinha pensado na Legião, porque já sabia do projeto e o Wagner tocou aqui, o único lugar em que ele fez show com a banda dele, Sua Mãe. Fechamos a data e o compromisso de não divulgar nada. Só a boca pequena e na véspera. No dia, ficamos nos trend topics do Twitter (com a #LegiaoStudioSP). Foi demais o show, o Wagner tem muito potencial como cantor, sabia que ele ia arrebentar. A plateia estava bem misturada. Das 600 pessoas, tinha muita gente que foi sem saber do show".
 
Dado Villa-Lobos (sábado, 26, antes de entrar no palco)
“Vai ser ótimo testar o show num lugar como Studio SP. Um ensaio aberto em um estúdio não teria o mesmo efeito. Com plateia de verdade, dos freqüentadores, de gente que nem sabia que teria um show nosso ali.  Vai ser um aquecimento, de verdade”
 
 
VÉSPERA DO SHOW 
 
Segunda, 28 de maio de 2012.
 
Felipe Hirsch (direto do Espaço das Américas)
"O Andy Gill está com a gente desde domingo, ensaiando. O show do Studio SP foi incrível e deixou a banda com cara de 'banda pequena', como se estivesse começando.Tá todo mundo disposto ao encontro. Queria que as pessoas não tivessem receio, em relação ao fato de não ser o Renato que está ali. É o Wagner e isso é inusitado. Ele é carismático e sabe lidar com as dificuldades. Não é um tributo formal; se fosse, não toparia". 
 
 
_Serviço:  
 
MTV ao Vivo – Tributo à Legião Urbana 
Data: 29 e 30 de maio
Abertura da casa: 21h
Local: Espaço das Américas – Rua Tagipurú, 795 – Barra Funda – São Paulo
Valor do ingresso: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)
Classificação indicativa: 18 anos (acima de 12 anos acompanhado dos pais ou responsáveis)
 
Fotos: MTV / Divulgação
 
 

GAL COSTA – MUITO MAIS QUE IMPERFEITA

28 mai

Publicado às 11h37

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Foi o show mais tenso que eu vi na vida. Gal Gosta, quinta- feira, no HSBC. Show de lançamento de Recanto, seu trabalho mais recente, composto, produzido e agora dirigido por Caetano Veloso.
 

 
E eu não estava sozinha. Tenso foi a palavra que eu mais ouvi no final da apresentação. Sim, porque durante o show,  ninguém relaxou, muito menos ousou comentar. 
 
O motivo de toda tensão, como já foi divulgado, era a voz de Gal.  Rouca, não atingia os agudos, desafinou em vários momentos, deixou até de cantar alguns versos. 
 

 
Na plateia, as pessoas se entreolhavam, como se uma dúvida pairasse no ar: como Gal vai chegar ao fim do show? E pior: será que vai conseguir chegar?
O que todo mundo buscava era uma explicação para aquela “tragédia”
 
E a explicação veio, pela própria voz rouca e defeituosa: “estou me recuperando de uma faringite, laringite… Mas vamos fazer um show bonito”, disse Gal. 
 
Pronto. Bastou abrir o jogo, encarar o problema de frente, para deixar todo mundo um pouco aliviado. Gal teve peito para assumir suas falhas. Muito mais peito do que quando mostrou os seios em cena, sob a direção de Gerald Thomas em 1994. Quem lembra? 
 
Foi então que Gal jogou a tensão para os ombros de outra pessoa. Olhando para a primeira fila, disparou: “Caetano também está nervoso. Se ele está, imagina eu?”, rindo aflita.
 
Ah, não. Agora minha tensão aumenta pensando no sufoco que Caetano passa. O cara compõe um disco inteiro pra Gal, produz (junto com o filho, Moreno) e ainda dirige o show. Qualquer um ficaria preocupado. 
 
A voz da sua musa não está tinindo. E todo o resto estava. Pra mim, foi uma boa surpresa. Gostei mais de Recanto ao vivo. Mais orgânico, abandona a frieza da eletrônica. Contribui para isso a banda formada por Pedro Baby, Bruno di Lullo e Domenico Lancellotti. 
 
O que realçava mais ainda a tensão dos dois, Caetano e Gal, criador e criatura, era o maldito repertório. Maldito porque era primoroso na escolha de músicas, de várias fases de Gal, que davam a dimensão de sua voz cristalina, inconfundível e inigualável.
 
 

Desde “Da maior importância”, que Caetano teria feito inspirado numa atração por Gal, na volta do exílio, até “Meu bem, meu mal”, a seleção é uma declaração de amor àquela voz, daquela mulher.

Fora as músicas que falavam diretamente do cantar, do que há de divino, maravilhoso nisso. Cada vez que o assunto “voz” era explicitado na letra de uma musica, a plateia prendia a respiração. 
 
Mas foi exatamente no meio do show que o placar mudou. Em “Autotune Autoerótico”, Gal conseguiu domar suas dificuldades e se entregou a canção, uma das mais difíceis da noite por depender muito da voz dela. 
 
Foi tão arrebatadora  sua interpretação que, ao final, Gal foi aplaudida de pé! A partir daí, os defeitos passaram a ser estímulos para uma performance de alta carga emocional e menos técnica. 
 
Se tudo tivesse perfeito com a voz de Gal, sairíamos dali felizes, como é óbvio. Mas com rouquidão e os agudos comprometidos, vimos uma Gal imperfeita. Mas uma Gal que foi obrigada a sair da zona de conforto e correr atrás da bola, até virar o jogo.
 
E ela ainda teve presença de espírito para brincar no final: vou voltar para outros shows e botar um aviso: “Gal Costa, agora sem faringite”.
 
Foi pensando na importância da imperfeição para os mais que perfeitos, que me lembrei  de “Frank Sinatra está resfriado”,  escrito por Gay Talese, pioneiro e um belo exemplar do jornalismo literário. Talese não conseguiu entrevistar o cantor mas descreve como Sinatra ficou nessa situação: mal humorado, irascível, furioso.
 
Posso falar? E não é que Gal Costa com faringite se saiu melhor do que Frank Sinatra resfriado?
 

INDIEpedia: Banda Gentileza

25 mai

Publicado às 12h00

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Música caipira, bossa nova, bolero, samba e sons do leste europeu com uma base rock. Esse é o mosaico sonoro da Banda Gentileza.
 
Após alguns EPs gravados ao vivo, em 2009 o sexteto chamou o produtor Plínio Profeta (que já trabalhou com Tiê, Lucas Santtana e Lenine) para gravar seu álbum de estreia homônimo. 
 
A performance festiva e as letras inteligentes garantiram elogios e despertaram a curiosidade pelos próximos passos do grupo curitibano. 
 
A seguir, eles comentam as mudanças na formação da banda e avisam que logo  devem soltar duas músicas novas. 
 

(Entrevista por Katia Abreu)
 

Banda Gentileza
 
De onde vem: Curitiba – PR
 
Quem são: Heitor Humberto (voz, guitarra, violino), Diego Perin (baixo, concertina), Artur Lipori (trompete, baixo), Lucas Lara (guitarra, viola caipira), Tuna Castilho (bateria) e Jota Borgonhoni (sax)
 
 
Para quem curte: Cake, Gogol Bordello e Móveis Coloniais de Acaju
 

NA CAPA COM MADONNA

24 mai

Publicado às 11h47

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Desde que a música passou a ser divulgada virtualmente, sem necessitar de suporte físico, ainda é importante impactar com uma capa de disco? No caso de uma artista como Madonna, muita.
 
Tanto é que a imagem da capa do disco mais recente MDNA virou notícia quando “vazou” na web.
 

 
E mais adiante, inventaram até um aplicativo que permite qualquer mortal se transformar em Madonna, colocando sua foto com o mesmo efeito fragmentado que foi criado para a capa do disco.
 
Imagem sempre foi tudo para Madonna, não há dúvida. E se reinventar já virou lugar comum quando se fala na (ainda) Rainha do Pop.
 
E como reinventar a imagem de quem está há décadas fazendo isso? Desafio encarado com tranquilidade por Giovanni Bianco.
 
Ele é o brasileiro que faz arte com Madonna. Descendente de italianos, nasceu no Rio e hoje vive em Nova York, de onde comanda o Studio 65, responsável por campanhas publicitárias de Versace, Dolce & Gabana, Miu Miu, entre outras marcas top do mundo da moda.
 
 
Giovanni se define como um “cidadão do mundo”. Criativo, detalhista e, assumidamente, perfeccionista conquistou a diva Madonna, com quem trabalha há 8 anos. 
 
O contato com Maddie começou quando ele trabalhou ao lado do fotógrafo americano Steven Klein no livro "X-STaTIC PRO=CeSS", com imagens da exposição/instalação apresentada por Madonna e Klein em 2003. 
 
A partir daí, Giovanni assina a direção de diversos projetos da cantora, como os livros de turnê e as capas de seus últimos três álbuns: Confessions on The Dance Floor, Hard Candy e MDNA, além de singles extraídos destes discos. 
 
 
Na entrevista abaixo, Giovanni conta como é trabalhar com uma das maiores artistas do mundo e fala também dos astros brasileiros com quem tem colaborado, gente como Ney Matogrosso e Marisa Monte… Não tá fraco o rapaz, né? 
 
 
Como você conheceu a Madonna e começou a trabalhar com ela?
 
GIOVANNI – Foi através do fotógrafo Steven Klein, trabalhando no projeto do X-STaTIC PRO=CeSS, em 2003, e depois fazendo fotos para a turnê Re-Invention 2004. 
 
Como é a dinâmica de trabalho com ela? Ela te passa um briefing? Ou, pela proximidade que você já tem com ela, sua criação é mais livre?
 
GIOVANNI – Madonna é uma das raras artistas que sabe muito bem o que quer. Os briefings podem ser diferentes em cada projeto, como uma boa conversa, um texto, me fazendo escutar uma música, cantando algo importante ou mesmo dançando. Já tivemos diferentes tipos de formato de briefing, todos muito claros e objetivos. Após 8 anos trabalhando juntos, sim, hoje tem um pouco mais de liberdade. 
 
Qual foi a inspiração para a capa do disco MDNA? Essa foi a primeira ideia?
 
GIOVANNI – MDNA: Betrayal, revenge, transgression, redemption, celebration and love, a girl gone wild. [Traição, vingança, transgressão, redenção, celebração e amor, uma garota enlouquecendo]
 
O seu trabalho tem que estar muito afinado com o fotógrafo, não? Nesse caso, foi com a dupla Mert & Marcus. Como funciona?
 
GIOVANNI – Muito rápido. Por trabalharmos muito juntos em outros projetos de moda, temos uma cumplicidade muito grande. Amo trabalhar com eles. 
 
Como você separa o Giovanni fã, o amigo e o profissional? 
 
GIOVANNI – O que me salva é o fato de eu ser maníaco com trabalho. Então, a melhor maneira é trabalhar, trabalhar duro. Assim não dá tempo de pensar que na minha frente, aquela ali, é a Madonna. É hard.
 
 
E com os outros artistas com quem já trabalhou (Marisa Monte, Marina Lima, Lulu Santos, Ney Matogrosso, Mariana Aydar, Roberta Sá): o processo de criação é similar?
 
GIOVANNI – Todos são bem diferentes, cada um com uma característica e uma dinâmica. Acho que a Marisa é a mais parecida com a Madonna: já sabe absolutamente o que quer. Única diferença é que a Marisa não ama muito moda. O Lulu tem o mesmo processo de criação e imagem, em que a música é uma imagem. O Ney tem um brilho tão grandioso, que em poucas palavras você entende o que ele quer para o seu mundo. A Marina tem muita personalidade e te dá mais liberdade. A Roberta e a Mariana são as minhas garotinhas. Curto dividir com elas todo o processo criativo, elas são maravilhosas. 
 
Existe diferença entre fazer capa para álbuns ou para singles? 
 
GIOVANNI – Sim e não. Acho um saco fazer single, pois só tem a capa e fica um gostinho de quero mais. 
 
Você sempre imprime glamour e sofisticação nos seus trabalhos. Quais são as tuas principais referências?
 
GIOVANNI – Talvez por não pensar em glamour e muito menos em sofisticação… Eu penso em acabamento, eu penso no todo, porém me dou conta, por amar moda e arte, que acabo tocando no glamour. E por não ser uma pessoa sofisticada (ao menos não penso que eu seja, pois minha vida é a estrada), esse meio sempre imprime, porque amo acabamento. Talvez seja minha mania de perfeição que acabe dando no cheiro de sofisticado. 
 
A música também influencia o seu trabalho? 
 
GIOVANNI – Totalmente. No trabalho, como na vida pessoal. Ultimamente, só consigo ir ao trabalho escutando meu amado Zeca Pagodinho. 
 
Você identifica traços de brasilidade no seu trabalho? Acha importante manter uma identidade mais "local" como diferencial no disputado mercado internacional? 
 
GIOVANNI – Não sei e nunca entendi bem esse negócio de brasilidade. Eu sou carioca na alma e no coração. Talvez isso apareça no meu trabalho, através dessa minha energia. O Rio é, sem dúvida, minha vida, apesar de eu ser um cidadão do mundo. Acho que tem muito carioquês no meu mundo, graças a Deus!
 

CHINA POP SHOW

23 mai

Publicado às 12h33

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Ele canta, dança e faz piada. É um verdadeiro showman, como há muito não se via. Estou falando de China, nome artístico de Flávio Augusto Dornelas Câmara. 
 
Músico e compositor pernambucano, China é também produtor e dono de selo musical.  Além do atual trabalho solo, é vocalista da banda Del Rey (só repertório de Roberto e Erasmo). Jornalista, já apresentou alguns programas na TV local. E, mais recentemente, revelou-se VJ na MTV Brasil.
 

 
No palco, China coloca em prática o que foi burilando com os anos de showbiz. Quem lembra dele no Rock in Rio 3 com o Sheik Tosado, sua banda nos anos 90, não imagina que ele virou um performer de amplo espectro.  
 
Capaz de ir da alta voltagem punk a mais sincera doçura. China é o cara que faz música em homenagem aos filhos e chora ao cantá-la (preste atenção em “Anti-Herói”).
 
Do rock a balada, do frevo ao bolero, China está sempre em movimento. O menino dança. E como dança
 
A coreografia é frenética, gingada. Mexe e remexe com o corpo todo. Cabeça, ombros, quadril, pés e até dedo em riste entram no jogo. China, literalmente, não perde o rebolado. 
 
Se você nunca viu a performance do rapaz,  pense num cruzamento de Jay Kay (Jamiroquai) com Iggy Pop. Não, ele não imita nenhum dos dois. Mas se expressa corporalmente – e de forma única – como eles.
 
 
Na quinta passada, China fez o lançamento em vinil de  Moto Contínuo, seu terceiro trabalho solo. Com a plateia sentada no SESC Vila Mariana, China tratou logo de relaxar o clima solene
 
“Obrigado por terem vindo. Deixaram de ver a novela para ver meu show. Se eu não estivesse trabalhando, estaria agora assistindo Carminha” 
 
Pronto. Gargalhada geral. E mais adiante: “meu disco já está à venda. Quem comprar, está participando do Criança Esperança. Sim, tenho dois filhos pra criar. Com a seguinte vantagem: vocês não precisam nem telefonar pra número nenhum”.
 
Gaiato até na hora de batizar a banda: H. Stern Band. Pegou emprestado o nome da famosa joalheria. Por que? Ora,  porque sua banda “só tem jóias, músicos de 18 quilates”.
 

 
E provoca: “como todo artista, queria que minha música tocasse nas rádios. Mas veja, a música mais moderna que toca na Nova Brasil FM é Chico Buarque, de 82”
 
O curioso é que o mesmo cara que faz essas graças compõe versos ultrarromânticos, como “Costure seu coração no meu/ Abra uma casa no meu peito/ Pois você já mora mim” (“Overlock”, com vocal de Pitty no disco).
 
Surpresa mesmo foi ver China cantando “Alguém me disse” (Jair Amorim/Evaldo Gouveia). Um clássico dos anos 60 na voz de Anísio Silva, inúmeras regravações, incluindo Gal Costa. 
 
“Alguém me disse que tu andas novamente/ de novo amor, nova paixão/ toda contente”.
 
Bolero típico com dor de cotovelo no grau máximo. China segura a onda de crooner, não cai no deboche fácil. 
 
Quando precisa, China deixa a brincadeira (e o rebolado) de lado. 
 
E como todo showman de respeito, também sabe dividir o palco. No caso, com Jorge du Peixe (Nação Zumbi) para um dueto em “Prato de Flores”.
 

 
Saracoteando por diversos gêneros, sem perder o passo.  China está sempre muito a vontade, como se o palco fosse sua sala de estar
 
Mais um sentido para o verso que ele canta com candura: “minha casa é para onde vão meus pés”. Onde quer que China vá, a performance vai de bônus.
 
Fotos e vídeo por Lorena Calabria
 

perfil do autor

Lorena Calabria

Jornalista cultural desde os anos 80, Lorena Calabria foi editora na Revista Bizz e comandou os programas de TV Clip Clip, Metrópolis e Ensaio Geral. Apresenta o Terra Live Music, toda quinta, às 16h.




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