Lorena Calabria

Resultado/abril2012


INDIEpedia: Graveola e o Lixo Polifônico

27 abr

Publicado às 11h34

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Estreia de outra seção aqui no blog: INDIEpedia.
O quê? Uma enciclopedia do indie? É por aí…
 
A ideia é mostrar um pouco da produção independente brasileira – que vai muito bem, obrigada. Toda sexta uma entrevista apresentando um artista novo. Gente que talvez você ainda não conheça, mas que anda fazendo barulho por aí.
 
E para abrir os trabalhos, Graveola e o Lixo Polifônico.
 
 
Em sua terra natal, Belo Horizonte, o grupo já ostenta um séquito de fãs impressionante. Suficiente para lotar o principal teatro da cidade, o Palácio das Artes, para gravação do primeiro DVD – que deve sair no segundo semestre. Mas o resto do Brasil começou a ser conquistado agora, com o terceiro disco Eu Preciso de um Liquidificador.
 
Minha favorita desse disco é “Desdenha”, com sua fartura de vozes e musicas incidentais, “um samba que nem era samba”, como diz a letra.
 
Além de samba, rock, MPB, bolero e até pagode fazem parte da receita do Graveola. E versos inspirados – sobre cidades, amores, noitadas e outros temas tão caros ao cancioneiro pop. A percussionista Flora Lopes falou sobre a história e as influências do grupo.
 

(Entrevista por Katia Abreu)
 

Graveola e o Lixo Polifônico
 
De onde vem: Belo Horizonte – MG
 
Quem são: Luiz Gabriel Lopes (voz e guitarra), José Luís Braga (voz e violão), Bruno de Oliveira (baixo), Flora Lopes (percussão), Juliana Perdigão (clarinete e voz) e Yuri Vellasco (bateria)
 
 
Para quem curte: Los Hermanos, Novos Baianos e Grupo Rumo

CRIOLO no cinema: com Ney Matogrosso, Alessandro Buzo e Spike Lee

26 abr

Publicado às 14h04

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Criolo no filme do Spike Lee?!? Isso mesmo. O MC brasileiro participa do documentário Go Brazil Go, que o diretor americano está filmando sobre o país, ao lado de nomes que vão de Pelé a presidenta Dilma

Criolo no filme do Ney Matogrosso? Pois é. Com estreia prevista para maio, Luz nas Trevas é a continuação de O Bandido da Luz Vermelha e tem Ney no papel principal. Criolo é figurante no presídio.
 
Criolo como protagonista de longa? Sim. O filme é Profissão MC, de Alessandro Buzo e Tony Nogueira e saiu em DVD.
 
Sem nenhuma experiência anterior, Criolo me conta sobre seu método de atuação: “Conversar com o Buzo a cada momento, ver o que ele queria a cada passagem, saber o que estava na cabeça dele. Aí, eu chegava e fazia”.
 
Profissão MC foi feito na raça, sem lei de incentivo. É uma obra de ficção com registro quase documental e não-atores no elenco. 
 
Tirando proveito de sua experiência como MC, Criolo improvisou bastante. “Tive liberdade total, desde que não saísse do que o Buzo tinha pensado para cada situação. Eu criava no meu linguajar… Não tinha isso de ‘decore essa fala’.”
 
Bem à vontade no papel de um cara da periferia que precisa escolher qual caminho tomar, Criolo até que se safou.  Será que pensa em outros trabalhos como ator?

 
“Como ator, não existo. Existe eu flertando vez ou outra com essa sétima arte, mas sempre de um modo muito brando e com muitas pessoas dando apoio. Você pode ver isso até pelos meus videoclipes, tanto o ‘Subirusdoistiozin’ quanto o ‘Freguês da Meia Noite’. São flertes.”
 
Não só nos videoclipes. É nos palcos que Criolo descarrega sua intensidade dramática.
 
Eu vi João do Vale e Ian Curtis baixando no Criolo. O transe do vocalista do Joy Divison com a gana nordestina do nosso carcará. 
 
Era show de lançamento de Memórias Luso-Africanas, de Gui Amabis. Criolo cantou duas músicas do disco que tem letras suas: “Orquídea Ruiva” e “Para Mulatu”. 
 

 
Era o mesmo Criolo que já foi Doido em Ainda há Tempo, disco de estreia? E que já cantou “Samba da Benção” (Baden/Vinicius), de óculos de grau, num especial de TV? O mesmo Criolo que faz de cada show da turnê Nó na Orelha, o segundo disco, um espetáculo de emoção e fúria?
 
Sim, o mesmo. Mas sempre diferente. No modo como ocupa o palco, os gestos, a interpretação de cada palavra, a pausa. Ele pode ser gaiato, sacerdotal, doce, veemente… Criolo é o que a música pede, assim como o ator a serviço do personagem.
 
“Quando eu subo no palco eu nunca sei o que vai acontecer. Não é pensado. Eu não poderia falar nem que é uma atuação. É muito visceral. É espontâneo. Mesmo no momento mais calmo, a cabeça tá a milhão… Eu sei o porquê de ter feito aquelas canções, só isso já me emociona.”
 
O envolvimento de Criolo no filme Profissão MC também é emocional.
 
“Tava todo mundo ali por essa questão. De contribuir com um amigo que sempre fez coisas boas pra cidade de São Paulo, sempre fez coisas boas pro Itaim, sempre levou arte, cultura e entretenimento de várias formas, dando espaço para vários jovens se manifestarem e terem contato com outras artes.”
 
 
Você já deve ter visto o Buzo no telejornal SPTV, onde todo sábado ele apresenta matérias sobre cultura da periferia. Antes disso, ele era responsável pelo quadro Buzão – Circular Periférico, no programa Manos e Minas, da TV Cultura. 
 
Alessandro Buzo é um “Suburbano Convicto”. Deu este nome à sua livraria, que fica no Bixiga, e ao espaço cultural, que mantém no Itaim Paulista, com uma biblioteca permanente e onde realiza oficinas, debates, exibições de filmes e um sarau mensal. Nas ruas do Itaim, ele já organizou, desde 2004, 24 edições do festival de hip hop Favela Toma Conta. Tudo gratuito. Na raça e sem grandes apoios financeiros. 
 
Buzo também é escritor. Tem 9 livros publicados e se prepara para lançar o décimo este ano, baseado no filme Profissão MC, que roteirizou, produziu e dirigiu, ao lado de Toni Nogueira, da DGT Filmes. 
 
O filme conta a história de um rapaz da periferia que desempregado, com a mina grávida, se vê numa encruzilhada: tem de escolher entre a música, seu sonho, e o tráfico, dinheiro rápido. Lançado em 2009, Profissão MC ganhou diversos prêmios e continua sendo exibido em mostras e cineclubes espalhados pelo país. “Está bombando no YouTube e nem fomos nos que colocamos. Vai vendo”, conta Buzo. 
 
No papo abaixo, ele fala sobre as gravações do filme e o que o livro trará de novo nessa história. 
 
 
Como pintou o convite pra escrever um livro baseado no filme Profissão MC? 
 
ALESSANDRO BUZO – Não existia a ideia desse livro, meu último lançamento Dia das Crianças na Periferia (meu primeiro infantil) foi meu nono livro. Sabia que o próximo tinha que ser um baita romance. A editora pintou, garantindo lançamento e com a ideia, aceitei na hora.
 
Você acrescentou outros personagens, situações?
 
ALESSANDRO BUZO –  O livro começa bem antes do filme. Como os personagens, crianças, foram morar no Itaim Paulista. O pai do PRETO (Criolo, no filme) é líder comunitário e graças a ele a favela não foi expulsa na época que o Hipermercado foi construído. A favela em que filmamos é mesmo assim, entre o mercado que tem lá e o trem. 
 
Em que pé está? Qual a previsão de lançamento?
 
ALESSANDRO BUZO – Eu terminei, até no final do mês chega o prefácio do Criolo e orelha do Daniel Ganjaman. Previsão de lançamento, segundo a Editora NVersos, é no segundo semestre de 2012.
 
E a ideia do filme Profissão MC? O Toni estava junto desde o inicio?
 
ALESSANDRO BUZO – A ideia era minha, argumento, roteiro. Trabalhava na DGT FILMES, produtora do Toni. Comecei como FAZ TUDO e GANHA POUCO, a meu pedido. Depois eles começaram a ir filmar meu FAVELA TOMA CONTA. Na sequência pintou da DGT fazer meu quadro no Manos e Minas da TV Cultura, foi um projeto deles, escrito pelo GAG.
 
Passei um ano falando do projeto do filme, como não tinha dinheiro, não era prioridade. De tanto eu falar, um dia o Toni disse: “Esquece a DGT no momento, vamos fazer o filme EU E VOCÊ”. Escalei o elenco e passei a filmar. O Tiago Pastoreli editou, muitas vezes, fora do horário comercial. Ficávamos até de madrugada.
 
 
A gente sabe que o filme não é autobiográfico. Mas o tipo de encruzilhada de que o filme trata acontece muito entre os jovens da periferia, né?
 
ALESSANDRO BUZO – Aconteceu comigo, deve ter acontecido com o Criolo. E tantos outros. Seja no Itaim Paulista, minha quebrada, ou no Grajaú, quebrada do Criolo. Seja em tantas outras… Poucas opções de lazer e cultura. Em bairros como o Itaim Paulista são 450 mil habitantes e investimento zero em cultura.Tento montar lá um espaço permanente de cultura, mas não consigo apoio. O filme é isso na ficção e eu te afirmo que é igual na realidade. Falta muita coisa. A diferença hoje é que os mano tão começando a escrever projeto, edital. Coisa que os boy faz há séculos.
 
Como você escolheu o elenco? Chegou a fazer testes ou algum tipo de oficina com eles?
 
ALESSANDRO BUZO – Zero teste e oficina. Liguei pro CRIOLO expliquei a história do filme, que ele seria protagonista, ele perguntou: “Por que eu?” Respondi que tinha de ser alguém das ruas, o nome PROFISSÃO MC é muito forte, não podia ser um ator, tinha que ser um MC de verdade e das ruas. Ele topou. Disse que ele teria um amigo do bem e outro do mal. Ele sugeriu que o do bem, que levaria ele pro hip hop, fosse o DJ Dan Dan, que já era e é o DJ dele na vida real. Aceitei. O amigo do mal era da quebrada, meu amigo Da Antiga. O que trampou com ele na boca, o Neto, também é da quebrada. Tem uma cena, da moto, que é o irmão do Criolo pilotando. Várias cenas foram filmadas uma única vez, pra facilitar a edição. Como não tínhamos dinheiro, tínhamos que ser práticos. Filmamos só 8 dias: 5 na quebrada, um na Fundação Casa Encosta Norte (Itaim Paulista), outro no Teatro Franco Zampari (Manos e Minas) e ainda um dia na Rinha dos Mc's. Foi pau no gato, vários figurantes entraram na hora. A tiazinha que fala um monte pros bandidos chama mesmo Dona Neide e mora ali debaixo do viaduto (numa casa), onde a cena estava sendo gravada. O carcereiro numa cena é um fotógrafo da FOLHA que tinha ido fazer uma foto pra matéria do AGORA SP.
 
Como foi fazer um filme sem grana e sem experiência? 
 
ALESSANDRO BUZO – Experiência eu tinha de co-dirigir meu quadro da TV Cultura nas ruas – faço isso até hoje na Globo. Sem grana, foi como tudo que eu já tinha feito: eventos, livros… Estava acostumado. Um repórter perguntou no auge do filme: “Quer ensinar os grandes cineastas a fazerem filme sem dinheiro?” Respondi que não, quero aprender com eles a fazer com dinheiro. Lancei em 2009 e até agora nada de dinheiro pro meu segundo filme, tenho dois roteiros.
 
Qual foi a sequência mais complicada de filmar? Tem alguma historia curiosa que rolou durante as filmagens?
 
ALESSANDRO BUZO – Histórias foram várias. A Fundação Casa no dia da filmagem ainda não tinha autorizado. O diretor da unidade disse: “Vem, Buzo, filma que eu seguro o BO se tiver”. Fomos e filmamos, esvaziamos uma cela com uns 20 internos e colocamos lá dentro nossos atores, tão inexperientes quanto eu. A exibição debaixo do Viaduto da China (divisão do Itaim Paulista com São Miguel), com telão, foi outro momento mágico.
 
Cena gravada na Fundação Casa Encosta Norte
 
O filme foi todo realizado no Itaim Paulista. Como a comunidade se envolveu?   
 
ALESSANDRO BUZO – A comunidade local, da favela do D'Avo (no livro chama-se D'Tia), entrou de corpo e alma, eu já conhecia a favela, fiz 2 Favelas Toma Conta ali.
 
Quem ainda não viu o filme, como faz? Ainda tem DVD pra vender na livraria Suburbano Convicto?
 
ALESSANDRO BUZO – SIM, R$ 15,00 o DVD e frete R$ 7,00, enviamos pra todo país. Só entrar em contato: suburbanoconvicto@hotmail.com
 
Falando na livraria, como você tem feito pra conciliar essa agenda de agitador cultural e repórter da TV Globo?
 
ALESSANDRO BUZO – Simples: o Buzo da Globo é no dia que eu vou filmar, geralmente final de semana e aos sábados quando vou ao estúdio; resto do tempo sou o mesmo Buzo militante de sempre.
 
Você já vinha retratando a cultura na periferia desde Manos & Minas, na TV Cultura, mas agora ganhou mais visibilidade. Já surgiram ideias para outro filme?
 
ALESSANDRO BUZO – SIM, tem o Profissão MC II, com outra história de superação dentro do hip hop, não a continuação com o CRIOLO. Outro roteiro são quatro curtas baseados nos contos do meu livro Do Conto à Poesia. Juntos eles fazem um longa, tipo 5x Favela. Mas são curtas com direção minha e do francês que mora em São Gonçalo-RJ, Bruno Tomassin.
 
Pra encerrar, o que o hip hop significa na sua vida?
 
ALESSANDRO BUZO – Hip hop é a minha vida.
 

3 x 4 com BRANCO MELLO

24 abr

Publicado às 10h36

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Muita gente conhece o Branco Mello vocalista dos Titãs. Presente desde a formação da banda há 30 anos, hoje Branco assume também a função de baixista. Mas suas atividades artísticas sempre foram além dos Titãs.
 
Se não tivesse sempre com uma câmera na mão, registrando tudo que cercava os Titãs, até os momentos mais prosaicos, não existiria o documentário "Titãs – A vida até parece uma festa”, que ele co-dirigiu.
 
 
Nas folgas da banda, decidiu por em prática uma opera-rock infantil “Eu e Meu Guarda-chuva”, com músicas compostas por ele e Ciro Pessoa (ex-Titãs). O musical também existe em outros formatos: CD, livro e filme. Na TV, Branco já foi diretor musical da série “Aline”. 
 
Projetos paralelos ligados à música também não faltam. Em meados dos anos 90, surgiu a banda Kleiderman, com outro titã Sergio Britto e um disco lançado Con El Mundo a Mis Pies. No início de 2000, montou o S. Futurismo e chegou a tocar num palco alternativo do Rock’n’Rio.
 
E antes de existir Titãs do Iê-Iê, Branco fazia parte do Trio Mamão e as Mamonetes, junto com Marcelo Fromer e Tony Bellotto. Entre as músicas dessa fase, “Keds Azul” é um bom exemplo da bicho-grilice, de uma tal “suavidade ecológica”. No Mamão, cabia também homenagem à Clementina de Jesus, a “Rainha Pretinha da Voz Africana”.
 
Esse Branco Mello inquieto é o que mais aparece. Mas o lado sossegado pouca gente faz ideia. 
 
A seguir, um retrato 3 X 4 do pacato cidadão Joaquim Cláudio Correa de Mello Jr.
 
 

 

JACK, O AGITADOR

23 abr

Publicado às 11h30

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Jack White gosta de fazer barulho. E não é só com a guitarra. 
Basta lembrar de quando veio ao Brasil com o White Stripes, em 2005.
 
Alem dos shows no Rio e em São Paulo, agendou uma apresentação em Manaus – considerada por ele um dos melhores de sua vida – e aproveitou para se casar com a modelo e cantora Karen Elson, em uma cerimônia indígena no encontro dos rios Negro e Solimões. E, ano passado quando decidiram se separar, marcaram uma festa para celebrar o momento – no dia em que a união completaria 6 anos. 
 
 
Também em 2011, ele foi ao festival South By Southwest com um furgão amarelo, que abriga loja, um pequeno estúdio e serve de apoio de palco para showcases, batizado The Third Man Rolling Record Store.
 
Depois de estrear no festival texano, a plataforma móvel da gravadora seguiu por diversos festivais e ruas de cidades nos EUA com o objetivo de aproximar as pessoas dos discos – já que, segundo o vídeo de lançamento do projeto, uma pesquisa indicou que 97% dos adolescentes nunca haviam estado numa loja de discos.
 
Aos 36 anos, Jack White está lançando agora seu primeiro álbum solo, Blunderbuss. Mas ostenta um currículo admirável com várias formações e parcerias. 
 
 
São seis discos – e um hit mundial (“Seven Nation Army”) – com o White Stripes, que durou quase 15 anos. Mais dois álbuns ao lado de Brendan Benson, no Raconteurs. Outros dois com o The Dead Weather, grupo que formou com Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (Queens of the Stone Age) e Jack Lawrence (também do Raconteurs). 
 
Produção de uma série de discos de outros artistas, dentre os quais as divas Wanda Jackson e Loretta Lynn; e colaborações com Beck, Rolling Stones, Jeff Beck, Alicia Keys, Bob Dylan. Um dos trabalhos que mais gosto é o disco Rome, projeto de Danger Mouse com Daniele Luppi, em que Jack White cantou e fez letras fora do seu ambiente musical: as composições remetem às trilhas de western italiano. 
 
Calma, tem mais. Ele também está no DVD It Might Get Loud, documentário sobre a história da guitarra elétrica, contada a partir dos estilos de três grandes instrumentistas: Jimmy Page, The Edge e… Jack White! 
 
Jack já ganhou até reconhecimento do poder público. No ano passado, o prefeito de Nashville, Karl Dean, o nomeou como Embaixador Musical da cidade – na qual está baseada sua gravadora, a Third Man Records, que tem o lendário Jerry Lee Lewis em seu cast. O local abriga também uma loja de discos e virou ponto turístico.
 

É com a Third Man que Jack White tem feito verdadeiros happenings para promover seus produtos.  Ainda mais quando fogem do formato tradicional. Já saíram vinis multicoloridos, com líquido psicodélico dentro…
 
O primeiro single de Blunderbuss, “Freedom at 21”, por exemplo, foi lançado em… balões. Da sede da gravadora, no dia 1 de abril, soltaram mil cópias dos vinis flexi disc amarrados em balões de gás hélio. Imagina: dezenas de bexigas azuis subindo pelo céu de Nashville.
 
Segundo comunicado postado junto com o vídeo no canal da Third Man no YouTube, a estimativa era de que 10% dos balões fossem encontrados por alguém. Ou seja, apenas 100 sortudos, em algum lugar do mundo, puseram as mãos nos disquinhos. 
 
Poucas bolachas foram encontradas até agora. Uma delas foi parar no eBay e após muitos lances no leilão virtual foi vendida, no último dia 17, por U$ 4238,88!

 

Não deixa de ser curioso: na mesma semana em que só se falava da aparição holográfica de Tupac Shakur no festival Coachella e os milhões gastos para realizar o feito, Jack White vem com sua brincadeira de quermesse, de baixo orçamento, low-tech.  
 
Onde vai chegar a bizarrice do rapper fantasma? A lugar nenhum. Já os balões do roqueiro com cara de fantasma apontam para um caminho bem mais interessante: para inovar num mercado cambaleante (o de discos físicos) basta uma boa ideia e uns trocados. 
 
Nisso, Jack White tem se mostrado tão genial quanto é na guitarra.
 

O QUE VOCÊ (AINDA) NÃO SABE SOBRE LOS HERMANOS

20 abr

Publicado às 15h35

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Eu gosto do Los Hermanos. Além das músicas, gosto da postura da banda. Começam sem nenhuma pretensão, estouram um sucesso nacional, buscam outro caminho, saem da gravadora, voltam pro underground, não emplacam nenhum megahit, conquistam público na raça, crescem de novo e abandonam o barco. No auge, quando chegam ao posto de banda brasileira mais influente do começo do século XXI.
 
Poderiam ficar enrolando, com disco ao vivo, disco de versões etc., deixando a banda no piloto automático e cada um com seus projetos paralelos. Nada disso. Saem de cena, mantendo a amizade e a sanidade. 
 
Por isso, voltam a se reunir de tempos em tempos. E deixam sempre a dúvida no ar: músicas novas, disco novo, a banda volta? Incógnita até mesmo para os integrantes da banda. Marcelo Camelo já falou sobre isso em entrevista aqui no blog.
 
Começa neste fim de semana uma turnê de reencontro. O primeiro show da “volta” dos Los Hermanos é nesta sexta (20), no festival pernambucano Abril Pro Rock, que, no final dos anos 90, revelou a banda ao mundo. 
 
Depois, seguem para Fortaleza, Manaus, Belém, Brasília, Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (veja as datas no site oficial). 
 
Não, o Los Hermanos, que decretou hiato em 2007, não tem planos de gravar novo disco e nem de voltar a tocar com frequência. Mas isso você já deve ter lido em muitos lugares. 
 
Eu fui atrás do que pouca gente sabe sobre a banda: curiosidades, detalhes, histórias de bastidores. Quem fez esse exercício de memória foi o tecladista da banda, Bruno Medina
 
O primeiro show desta turnê de reencontro será no Abril Pro Rock. Tem alguma lembrança especial da primeira apresentação por lá em 1998?
 
BRUNO MEDINA: Sim. Além do show, claro. A banda passou uma semana em Olinda, numa casa emprestada por um colega da faculdade. A casa virou uma linha de produção de fitas demo para venda nos shows, o que envolvia colorir uma rosinha com pilot no encarte e grampear e recortar as folhas do livreto. Nesses dias “A Flor” foi composta.
 
Teve muitas roubadas dos primeiros shows?
 
BRUNO MEDINA: Muitas. Desde cara da van tentando dar uma volta na gente num show em Volta Redonda até um fatídico show de dia das bruxas no Garage, quando tocamos fantasiados, mas para apenas 6 pessoas. Teve também uma vez que fomos fazer um show em BH que tinha sido contratado por uma menina de 17 anos, que, pra piorar, chamou a gente achando que era outra banda (gravaram a outra banda no lado B de uma demo nossa e foi o que ela ouviu). 
 
Quem tocou na banda antes da formação oficial?
 
BRUNO MEDINA: O André Nervoso fez alguns shows com a gente no underground, isso na época em que o Barba teve hepatite. O que pouca gente sabe, inclusive, é que no clipe de Anna Júlia quem está na bateria é o Rapudo, que era nosso roadie na época.
 
 
Na gravação do primeiro disco, vocês tiveram algum contratempo?
 
BRUNO MEDINA: Após terminar a seção de gravação de bateria de todas as músicas, percebemos que tínhamos esquecido de uma, “Bárbara”. A bateria já estava desmontada e sem os microfones. Por conta disso, o som da bateria nessa faixa soa diferente das demais.
 
E as versões de “Anna Júlia”, qual a mais absurda?
 
BRUNO MEDINA: A em espanhol foi gravada pela gente. A versão (letra) é muito boa, mas a gravação ficou meio engraçada. Talvez a mais estranha mesmo seja a versão em Italiano, porque ficou com aquela cara de pop italiano.
 
Como souberam que George Harrison ia gravar “Anna Júlia?”
 
BRUNO MEDINA: Na verdade ele foi chamado pelo Jim Capaldi (do Traffic) para gravar a música no disco solo que lançou em 2001. O George foi lá de amigão, dar uma força. Os outros amigões eram o Ian Paice e o Paul Weller. Tá bom, né? O Jim conheceu a música no Brasil, porque é casado com uma brasileira.
 
Por onde anda Anna Julia?
 
BRUNO MEDINA: Anna Julia trabalha na TV ZERO, eu acho. Vez em quando a gente se esbarra por aí.
 
E aquela confusão com a gravadora na época do Bloco do Eu Sozinho, como foi?
 
BRUNO MEDINA: Pois é, fomos "demitidos" e depois contratados de novo, com a condição de remixar o disco. Foi tudo meio louco, rolou um receio do disco ficar pra sempre na geladeira. Enfim, hoje eu teria feito as coisas diferente, mas tínhamos 20, 21 anos, era meio difícil enfrentar tanta pressão sem saber ao certo que consequência teria em nossa carreira.
 
E na gravação desse disco, rolou algum imprevisto? 
 
BRUNO MEDINA: O final de “Adeus Você” tem um naipe de cordas meio fora de lugar, no contratempo. Isso só virou uma ideia porque o Chico Neves (produtor do disco) deixou o naipe jogado lá no fim da música para depois encaixar. Acabamos gostando e deixamos do jeito que estava.
 
O que a banda se recusou a fazer?
 
BRUNO MEDINA: De mais acintoso assim foi um convite surreal pro Marcelo fazer o quadro banheira do Gugu (risos). Possivelmente muitos playbacks. 
 
Que outros títulos os discos poderiam ter tido?
 
BRUNO MEDINA: O Ventura ia se chamar Bonança, mudou no subir dos créditos.
 
E teve músicas que ficaram fora dos discos gravados?
 
BRUNO MEDINA: O Los Hermanos nunca foi de ter muitas composições, elas eram feitas sobre medida para os discos, sem muitas sobras. 
 
 
Alguma curiosidade sobre os clipes oficiais?
 
BRUNO MEDINA: No dia em que gravamos o clipe de “Primavera” eu estava com muita febre. Mesmo assim tive que saltar, dar cambalhotas e etc. porque era um clipe de circo. Mas acho que além do mico de me vestir de homem-bala tive que pegar a roupa toda suada usada pelo dublê para fazer os saltos que eu não conseguia (risos). Nesse clipe também chegamos a fazer 2 semanas de escola de circo.
 
No clipe de “Cara Estranho”, o final, meio poético, envolve uma calda cauda de peixe nadando, sem dorso. Acontece que era noite, na serra de SP, e o ator que fazia o homem peixe estava praticamente entrando em estado de hipotermia. A solução foi criar o take, sem a participação dele.
 
O clipe de “Fingi na Hora Rir” é uma remontagem da festa de 15 anos da irmã de um amigo meu. Desde que vi aquele vídeo clássico dos anos 90 não consegui esquecer.
 
 
E de quem foi a ideia do vídeo alternativo de “O Vencedor”?
 
BRUNO MEDINA: A ideia foi minha com o Márcio Pimenta. Tivemos e já fomos gravar no mesmo dia. Saímos de carro, onde tivesse uma locação curiosa a gente parava e gravava qualquer coisa. A banda só viu o clipe pronto mesmo (risos). A ideia era ter uma opção alternativa para veicular na internet e também uma forma de matar o tempo de um fim de semana.
 
Já tinham pensado em dar um tempo na banda antes de 2007?
 
BRUNO MEDINA: Não, nunca tivemos nenhuma conversa nesse sentido. Foi uma solução que apareceu.
 

perfil do autor

Lorena Calabria

Jornalista cultural desde os anos 80, Lorena Calabria foi editora na Revista Bizz e comandou os programas de TV Clip Clip, Metrópolis e Ensaio Geral. Apresenta o Terra Live Music, toda quinta, às 16h.




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