Lorena Calabria

Resultado/março2012


A “MALDIÇÃO” DE JOÃO GILBERTO

29 mar

Publicado às 15h17

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O escritor morreu. O mito vive. E a esfinge não foi decifrada. 

Está tudo lá no livro Ho-ba-la-lá – À Procura de João Gilberto, que foi lançado no meio de tantas ofertas natalinas e passou meio batido.
 
A missão de Marc Fischer, escritor e jornalista alemão, se impôs é (quase) impossível: desvendar mistérios e lendas que rondam João Gilberto. Afinal, não existe artista brasileiro mais impenetrável que ele.  Fato.
 

Ho-ba-la-lá está mais pra trama detetivesca do que para jornalismo literário. 
O livro narra a busca pelo ídolo, contando com a ajuda de pessoas próximas a João, sejam músicos como João Donato (impagável o capítulo dedicado a ele) ou o cozinheiro Garrincha, que tinha João Gilberto como cliente. 
 
Como era de se esperar, ninguém abriu o bico de cara. Todo cuidado é pouco para falar de João. 
 
Fischer foi habilidoso e soube driblar as negativas, tirando bom proveito das peças disponíveis nesse jogo de gato & rato. O humor rege toda a trama, o que torna a leitura prazerosa mesmo para quem não é fã de bossa nova.
 
Agora, sabe o que mais me supreendeu em Ho-ba-la-lá? Não foram as esquisitices e perfeccionismos de João Gilberto. Foi a história do próprio autor do livro.
 
 

O alemão Marc Fischer ficou “possuído” pela canção “Ho-bá-lá-lá” (uma das poucas compostas por João Gilberto). Isso foi há mais de quinze anos, em Tóquio. Quem o apresentou a canção foi um amigo japonês, que tem uma espécie de altar envolvendo o LP Chega de Saudade. Vai vendo…

Como jornalista, Fischer transformou sua estranha obsessão em uma saga ao “coração da Bossa Nova” e veio ao Brasil procurar João Gilberto.
Mas o obstinado alemão não queria só conversar com João Gilberto. Ele queria que João tocasse a canção para ele! Só para ele!
 
Se você gosta muito de uma coisa, a ponto de se sentir contaminado por ela, vai entender esse delírio do escritor.  O que não dá para entender é como um cara que escreve com tanto humor, que tem a manha de ir pro Rio de Janeiro procurar “o coração da beleza”, não aguentou o peso do mundo. Marc Fischer se suicidou em abril de 2011, dias antes do lançamento do livro na Alemanha. 
 
Teria ele entregado sua alma a João Gilberto, como sugere no livro? Ou seria Marc Fischer um personagem de si mesmo? 
 
Como diz a canção que o assombrou, “alguém compreenderá seu coração”.
 
“O único e verdadeiro anseio é aquele que ecoa eternamente num espaço infinito. Em nós” – Marc Fischer (1970-2011)
 

SEXO, DROGAS e CHÁ DE BOLDO!

28 mar

Publicado às 11h11

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Estava eu ouvindo o disco novo da Trupe Chá de Boldo, Nave Manha. Tudo cai bem na produção de Gustavo Ruiz (irmão de Tulipa, filho de Luiz Chagas, também guitarrista). Imagino o trabalho que deu equilibrar as ideias musicais de 13 integrantes. 
 
A banda paulista é um coletivo no sentido mais hippie da palavra. São todos amigos antes mesmo de formar a trupe.  
 
O som inicial pendia para marchinhas. Agora vai do rock ao carimbó, do tropicalismo a vanguarda paulista. Tem humor e poesia. E roteiro de cinema que costura as letras no encarte. 
 
Estava eu ouvindo o segundo disco da Trupe até que… 
 
“Não quero gota, quero você gostoso todo na garrafa.
Não quero gota. Eu quero o gosto de te tomar inteiro pra ver se chapa.
 
Não quero ponta, quero você feito fumaça na minha boca.
Não quero ponta, eu quero tanto te fumar inteiro pra ver se chapa.”
 
Essa é “Na garrafa”, a faixa 7, que parece dissonante do resto, mas que é a cara da trupe. Disco music, bateria eletrônica, baixo lá na frente.
 
Fui ejetada na mesma hora para uma pista de discoteca no final dos 70. 
Não só pela sonoridade, mas pelo hedonismo que a letra provoca. 
 
É aí que a coisa pega. “Na garrafa” fala de desejo usando metáforas. Drogas que se fumam e que se bebem.  Sexo implícito.  E também escancarado. Nada de mixaria, tem que ser tudo. Todo. Gostoso.
 
“Na garrafa” é o contraponto da pureza e recato dos novos compositores. Milhares de músicas falando de amor e de loucuras que se faz em nome dele, mas nada de sexo. O que aconteceu com nova MPB? Ninguém transa, só lê Machado de Assis? Ou “fogo e paixão” era só com o Wando?
 
“Na garrafa” vai direto ao ponto: o prazer começa pela boca. Da garrafa. Beber e fumar alguém por inteiro. Pra ver se chapa. 
 
O amor é uma droga que dá barato.
 
Baixe o disco gratuitamente no site da banda: trupechadeboldo.com

O VIDEOCLIPE MORREU! VIVA O VIDEOCLIPE!

27 mar

Publicado às 14h25

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O videoclipe não está mais entre nós. 
Morreu.
 
Aquele que já foi a ferramenta mais importante no lançamento de um disco. Que era um investimento de grana e talentos artísticos. Que ganhava ares de superprodução em pouco mais de 3 minutos. Que tinha espaço na TV e prêmios em várias categorias. 
 
Tudo isso fazia parte do auge do videoclipe. Tudo isso já era. Ruiu com a indústria musical
 
Eu vi a cultura do videoclipe nascer no Brasil. E ainda embalei a “criança”, apresentando o “Clip Clip”, em 1986, na Rede Globo. Imagina um programa inteiro dedicado a videoclipes nacionais e gringos, na emissora de maior audiência do país.
 
A MTV só chegou aqui em 1990. Também trabalhei lá e acompanhei o crescimento do videoclipe. A essa altura, já vinha com mil efeitos, criando e ditando moda. Hoje, qualquer piada ou reality show é mais cobiçado que um clipe
 
Mas o videoclipe está vivinho da silva. Baixou o orçamento, aumentou a criatividade. O que atiçou ainda mais a vontade de fazer vídeos em sintonia com revolução digital. O canal de TV é a web. 
 
O plano de marketing quem define é o artista. Quando e como lançar. Youtube, Facebook, site. Não é a gravadora que vai contratar um diretor premiado. Agora é quase uma ação entre amigos. Todo mundo trabalha de graça (ou quase). Porque o videoclipe é uma forma de se exercitar longe da publicidade, de onde vem o sustento da maioria dos novos diretores. Daí o apuro técnico. Até os clipes mais toscos são uma opção estética, não um defeito.
 
O videoclipe também mudou no formato, na linguagem. A tal “edição clipada”, cheia de cortes alucinantes, que deixava tudo com “cara de clipe”, foi dando lugar a um ritmo mais próximo da narrativa cinematográfico em cortes, planos, enquadramentos. Se parecem mais com curta-metragem do que com vinheta promocional
 
Nas últimas semanas, uma série de vídeos foram lançados. Alem de tudo que citei acima, o que chama a atenção é que nenhum deles se prende a “historinha” sugerida pela letra, um vício do velho videoclipe. Ah, e podem chamá-los só de vídeos
 
Vanguart – Mi Vida Eres Tu
Um moleque que sonha com a vida adulta. E dança loucamente, de pijama, na frente do espelho. Quem nunca?
 
Kassin – Fora de Área
Lembra do Matt, aquele cara que percorreu o mundo fazendo dancinhas esquisitas, gravou tudo e viralizou? Olha aí o Kassin dando rolê sempre com fones no ouvido. Só mudam as paisagens.
 
Mallu Magalhães – Baby I'm Sure
O olhar apaixonado de Marcelo Camelo mostra Mallu por aí: nos bastidores do clipe anterior ("Velha e Louca"), na praia, brincando com o cachorro. Um registro afetivo em sua simplicidade e despretensão. 
 
Pequena Morte – BOM!
Numa festa, a moça se fazendo de difícil pro cara, até ver que ele é vocalista da banda que anima o baile… Se eles ficam juntos, só vamos saber no próximo episódio dessa triologia de clipes (a sequência será estrelada por outra banda, a Fusile…)
 
Lucas Santtana – O Deus Que Devasta Também Cura
Lucas “atua” como o homem urbano enfrentando a força da natureza. Como maestro do caos, rege as ondas que o engoliram. Bela fotografia e planos abertos captam a atmosfera reflexiva de seu mais recente trabalho. 
 
Emicida – Dedo na Ferida
Imagens reais para rimas que denunciam a violência do Estado. EMICIDA enfiou os dois pés na porta com este clipe, do qual já falamos aqui.
 
Si Próprio – Wado
Minimalista ao extremo. Wado toca violão e canta para a câmera. Cigarras ao fundo e alguns detalhes de natureza. A música prevalesce sobre qualquer imagem. 
 
 
E vocês? Viram mais algum vídeo bacana por esses dias?
 

CHICO BUARQUE: TEM COMO NÃO GOSTAR?

26 mar

Publicado às 9h33

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Na sexta-feira passada, fui ao show do Chico Buarque. 
 
O show é bonito, com tudo a seu favor. Banda, cenário, público. No repertório, canções do novo disco se misturam às clássicas, principalmente as em que ele assume um personagem feminino. 
 
E é em “Geni e o Zepelim” que Chico se dá placidez e controle do espetáculo. Foi a melhor da noite. Porque vi ali um Chico com energia punk, com sangue nas veias, com fogo nas ventas. Geni, a prostituta excomungada, banida, maldita. Mas Geni, quando interessa, é a salvação da pátria. Cismei que Chico cantou essa música – composta no fim dos anos 70, mas só agora levada ao palco – porque se sente um pouco Geni
 
Há pouco tempo, jogaram “pedra”em Chico Buarque na internet. Foi durante a gravação do disco Chico, com alguns vídeos documentando o processo, que Chico tomou conhecimento do que falavam dele na web. Rindo muito, descobriu que não era uma unanimidade. “Me chamam de velho bêbado”.  Se isso não é jogar bosta… 
 
Como Geni, Chico já  foi censurado, julgado, expiado.  
 
Tem como não gostar de Chico? Tem. Aqueles que cobram do Chico o mesmo brilhantismo do passado. Que acham que ele envelheceu. Que fazem piada do seu novo amor. Que estão de olho em outro membro da família de Hollanda.
 
Eu prefiro gostar. Ninguém pode ser igual ao Chico de antes. Nem mesmo Chico. Se ao compor não tem a mesma inspiração de antes, é normal. Talvez tenha colocado toda energia na literatura. Talvez.
 
Mas só há um motivo para Chico estar ali no palco: a música faz algum sentido para ele. Ainda. E ver Chico Buarque ao vivo é um grande prazer. Ainda. 
 
Podem jogar pedra em Chico Buarque. Ele não liga? Mentira… Bendita, Geni!
 

MARCELO CAMELO: SOZINHO E DE MUDANÇA

23 mar

Publicado às 17h29

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Marcelo Camelo mudou. De casa. 
Para um cara que passou os últimos anos dividido entre Rio e São Paulo, isso faz muita diferença. 
Marcelo agora trabalha fora. De casa. Ele tem um “escritório” pra isso. “Eu precisava de um canto só para trabalho”. Ele me conta animado, mas já estudando a melhor hora de voltar para casa sem penar no trânsito, como qualquer trabalhador.  
Marcelo Camelo está enfim, sozinho. No palco. Sem banda. Só voz e violão. E essa talvez seja, no momento, a maior mudança na vida dele.
 
Depois da estreia do show acústico em São Paulo, em janeiro no Auditório do Ibirapuera, com ingressos esgotados em poucas horas, o músico programou outras apresentações, acompanhado do rabequeiro Thomas Rohrer. A próxima acontece neste sábado, em Curitiba. 
 
Nossa conversa aconteceu enquanto ele acertava os contratos de aluguel e afinava os detalhes do DVD que está gravando, com direção do californiano Jack Coleman. 
 
A meu pedido, Marcelo enviou alguns retratos que revelam seu lado fotógrafo, cada vez mais exposto. Seu mais recente feito foi o vídeo da canção “Baby I’m Sure”, de sua mulher Mallu Magalhães, filmado e editado por ele.
 
 

 

Até que você demorou um pouco para fazer um show voz e violão. Depois da lotação em SP, vieram outros. Estavam nos planos?
MARCELO – Eu queria fazer um apenas, pra ver como era. A carreira solo dá essa possibilidade. De você levar a cabo suas vontades, sem precisar negociar com  ninguém. Já tinha vontade de fazer voz e violão há um tempo. Mas não achava que era o momento por causa do repertório.
 
Peraí. Como assim, o repertório? Música não falta, né?
MARCELO – Não queria fazer tipo barzinho, com as pessoas cantando junto e só. Queria que fizesse sentido esteticamente no violão, queria algo que por si fosse legal.
 
Sei, você não queria juntar sucessos do Los Hermanos e tocar ao violão. Mas do primeiro disco solo pro segundo já dava, não?
MARCELO – Sim, o primeiro é bem violão e na turnê também era meio assim. Toquei em muito lugar com a platéia sentada. Agora ficou mais antagônico. Ainda assim, nos shows com banda, tem um momento em que fico só, com voz e violão.   
 
Mas agora é diferente; é show inteiro. Como foi encarar esse “monólogo”? O que você imaginava?
MARCELO – Imaginei a coisa mais próxima do estado relaxado, como se fosse eu tocando em casa, pra mim mesmo. Na prática, foi tudo o oposto. Nas primeiras músicas, toquei com a mão tremendo. 
 
O que foi? Nervosismo, ansiedade? 
MARCELO – Nem fiquei tão nervoso, mas o pouco se manifesta na ponta dos dedos, a parte do corpo que você mais precisa. Percebi a necessidade de outro preparo que não o técnico, mas o afetivo. 
 
Mudou a sua relação com o violão depois dessa experiência?
MARCELO – É uma relação antiga, intrínseca. O que fiz foi resgatar o violão como meu primeiro instrumento, através do qual me iniciei, e trazer à tona. Minha dificuldade sempre foi encaixar, dentro da dinâmica do concerto de rock, o violão, delicado, silencioso
 
Mas você não está totalmente só com o violão no palco. De onde tirou essa rabeca, Marcelo?
MARCELO – Pra trazer uma cor. Como nunca tinha feito, veio o receio de ficar monótono. Chamei o Thomas (Rohrer) porque ele toca de um jeito que se mistura, é da escola do improviso. Sabia que não entraria só uma rabeca e ponto. Cheguei a pensar em clarinetista, trombonista. A ideia era ter uma alternância. Mesmo eu, que gosto de violão, sinto falta. A nossa cabeça desacostumou.
 
Como montou o repertório? Separou músicas que se encaixavam nesse formato ou escolheu as que queria tocar e foi adaptando?
MARCELO – Meu critério era as que ficavam mais bonitas ao violão. Algumas músicas tem uns trejeitos, uns caminhos. É da natureza da composição: umas vão bem, outras não, ao violão. As que vem mais rock precisam da força coletiva de uma banda de rock, empurrando.
 

 
Você aproveitou também pra incluir músicas suas, gravadas por outros e que você não costuma tocar. Por exemplo, a música que o Erasmo gravou, “Para falar de amor”.
MARCELO – Essa eu nunca tinha tocado.  Fiz pensando nele. Tem outras tantas que não consegui tocar ao vivo, mas a gente guarda com carinho. Difícil esquecer uma música. Esse show é também um jeito de tocar essas músicas. 
 
E você ainda colocou uma inédita. Já tá pronta? 
MARCELO – (silêncio) É bonita essa, hein? (risos)
 
Sim. E já pegou fácil…”Luzes da cidade”… Perguntei se estava pronta porque lembrei do Marcelo Jeneci, que mostrou só um trecho de um canção nova…
MARCELO – Legal isso, tem a ver com vários aspectos da vida. O ineditismo tem uma função. Pra mim é como a porta do compartimento que só deve se abrir quando está pronto. Que nem o bolo, sabe? Se abrir antes, pode “solar”.  (risos)
 
Tá entendendo de bolo, hein Marcelo? Vamos falar da sua voz. Na banda, tem um peso diferente. Agora, sozinho com o violão, como fica?
MARCELO – Estou adorando cantar neste formato porque sobra espaço para interpretação. É mais gostoso, parece com cantar no chuveiro (risos). Você pode evocar tudo através do canto. E na banda, a voz é quase uma outra guitarra. 
 
Pelo que vi do show “voz e violão”, acabou virando um karaokê coletivo. Isso te atrapalha?
MARCELO – Tenho dúvida pessoal sobre essa relação. Por um lado, a  platéia cantando é um terceiro elemento, vai somando. Não chega  a atrapalhar. E penso que é proibido proibir as pessoas de se emocionar.  Jamais vou fazer esse papel. Minhas músicas são assobiáveis, cantaroláveis. Isso desde os primórdios do Los Hermanos, nos shows do Empório (bar underground da zona sul carioca). Por isso, aceito tudo que vier. 
 
Como você vai fazer para conciliar show voz e violão, a turnê Toque Dela e a turnê com Los Hermanos, a partir de abril?
MARCELO – Queria ter feito mais voz e violão no verão. Se pintar mais convites, a gente faz. Ainda estou voltando a algumas cidades com Toque Dela. E em abril, ensaio direto com Los Hermanos. 
 
 
Sinto que você está cada vez mais interessado na linguagem visual. Fotos, vídeos e até mesmo o cartaz de divulgação do show voz e violão. Vai assumir esse avatar de uma vez? (risos)
MARCELO – Vou lançar uma grife. (risos) Foi a Mallu (Magalhães) que fez o camelinho. Tudo que cerca a música, visualmente, é uma eterna descoberta. É um hobby brincar com a imagem. 
 
Isso fica evidente com os vários vídeos que saíram do Toque Dela. É um outro modo de voltar ao disco…
MARCELO – Sabe que eu já cheguei a odiar esse disco? Mas aí, outro dia na rua, um amigo tava ouvindo o disco com fone e quando eu botei nos meus ouvidos, soou tão bem ali na rua. Fiquei tão feliz.
 
Você pegou bode do próprio disco? Não entendi…
MARCELO – É que a dificuldade não é fazer música. Difícil é fazer algo que eu goste.
 
E de outros músicos, o que você gosta entre os novos?
MARCELO – O Criolo é uma figura que eu acompanho com muito interesse. Conheci na época em que gravei no El Rocha (estúdio de SP) 
 
Você tem colaborado com Marcelo Jeneci, Wado, artistas de outras cidades. 
MARCELO – Sim, e tenho ouvido também o Silva (artista capixaba), gostei muito. Tem aquela (começa a cantarolar um trecho de “12 de maio) “quando ela não está se arrastando pelo som da batucada…” E tem o Cícero que abriu meu show.
 
 
Bom, vamos falar de Los Hermanos. Alem da turnê, vai ter livro de fotos, documentário… Ainda sai coisa desse baú?
MARCELO – O filme é iniciativa de outra pessoa, da Maria (Ribeiro, atriz/diretora). Ganhou na insistência, há muito tempo. O livro ainda não é realidade. É uma idéia; se ficar legal…
 
E no que esse encontro difere dos outros?
MARCELO – Cada reencontro é uma incógnita. Tomara que a gente consiga fazer coisa nova.  É como um lance de dados. Temos a missão de atravessar nosso repertório com clareza. Além disso, pode vir um sopro de ideia, que seja música nova, ou do Little Joy (banda do Rodrigo Amarante) ou do Bruno (Medina, tecladista) ou um cover. E vai diferente porque boa parte da plateia vai ver a gente pela primeira vez.
 
E disco novo, você já está planejando? Ou não tem essa de fazer planos?
MARCELO – Planejo totalmente. Minha mudança foi para isso. Tem que planejar tudo, porque leva tempo pra fazer, gravar, preparar show, turnê. É um acender da vontade. Pra mim, o disco já começou com a mudança de casa. 
 
Em que estágio está este terceiro disco?
MARCELO – Bem inicial. Estou compondo sempre, nunca paro. Agora estou vendo a direção do barco, para onde ele vai.
 
Falando em planos, você e Mallu tem muita afinidade musical. Já pensaram em gravar um disco em dupla, por exemplo?
MARCELO – (risos) A gente compõe pouco juntos. E temos um respeito pelo momento de composição do outro. Quando eu vejo a Mallu compondo, eu pego o gravador e deixo ali. Mas o dia que a gente puder fazer isso, vai ser muito lindo. Acho que afinidade é o termo. Eu produzo o disco dela; ela canta no meu. Dá pra ver a influencia de um no outro. 
 

perfil do autor

Lorena Calabria

Jornalista cultural desde os anos 80, Lorena Calabria foi editora na Revista Bizz e comandou os programas de TV Clip Clip, Metrópolis e Ensaio Geral. Apresenta o Terra Live Music, toda quinta, às 16h.




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