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Os artistas se apresentaram de graça nos shows do Live 8 e foram avisados pelos organizadores que teriam de deixar o ego na porta e recolhê-lo na saída, numa menção à falta de regalias que muitas estrelas teriam de enfrentar.
O mesmo, porém, não vale para os jornalistas cobrindo o evento no Hyde Park. Uma grande estrutura foi montada para a imprensa, com todas as facilidades de comunicação, além de comida e bebida fartas e de graça.
Até por volta das 18h (horário de Londres, 14h do Brasil), foram consumidos pela imprensa cerca de 2,5 mil pães de hambúrguer, 3 mil bifes de hambúrguer e salsichas, e três cordeiros assados. O quarto estava sendo assado nesse horário.
Até a mesma hora, haviam sido consumidas cerca 370 garrafas de vinho e um número de garrafas de cerveja que os organizadores não souberam estimar.
Ironia
Clare Singers, uma das relações públicas do evento, disse que os organizadores não estão gastando nada com a comida e a bebida fornecidas aos jornalistas.
Mas Singers não informou quem tinha feito as doações. Ela disse que é natural que se ofereçam boas condições de trabalho aos profissionais.
"É importante, quando se trabalha 12 horas em um dia, que os jornalistas recebam comida, bebida e instalações apropriadas", disse. Mas a ironia não escapava aos olhos de ninguém.
"Eu só vi coisa parecida em reuniões do G-8 e da União Européia", disse Angel Franco, correspodente da Rádio Nacional da Espanha em Londres.
"Enquanto na África muitos passam fome, aqui os hambúrgueres queimam na grelha."
"Eu nunca vi nada disso. E eu acho ótimo", disse uma jornalista que não quis se identificar.
Ela argumentou que o evento é muito longo e que era necessário que os organizadores se preocupassem com o bem estar dos jornalistas.
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