Música

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05 de julho de 2012 • 17h30 • atualizado às 19h04

Katy Perry: shows no Brasil ajudaram a superar separação

O filme estreia nesta quinta (5) nos EUA
Foto: Divulgação
 
Cleide Klock
Direto de Los Angeles

"Quero poder lembrar dos meus vinte e poucos anos e de como eu era louca nessa idade". É assim que Katy Perry, uma das popstars mais badaladas do momento, justifica lançar um documentário sobre sua trajetória nesse momento da carreira, aos 27 anos. Katy Perry: Part of Me, título que o longa divide com uma de suas canções mais conhecidas, estreia nos Estados Unidos nesta quinta-feira (5) e no dia 3 de agosto, no Brasil.

Um modelo de filme à la Justin Bieber com o seu documentário-biografia, Never Say Never, mas com os tons e as fantasias que rodeiam os palcos de Perry. Os fãs brasileiros vão poder ver na tela que o nosso País é parte importante do roteiro, aliás a mais emocionante. Ela fez shows no Rock in Rio e em São Paulo, em setembro de 2011. "Eu estava no palco no final de uma longa turnê de 124 dias. Naquele ponto da minha vida, eu estava começando a desmoronar. Você consegue ver o que estava por vir e eu precisava de algum suporte", disse em entrevista exclusiva ao Terra.

Durante a passagem pelo Brasil, seu casamento com o ator e comediante inglês Russell Brand desmoronou. Eles ficaram casados apenas 14 meses e a crise amorosa é mostrada no documentário. Em cada folga, entre um show e o outro, Katy pegava um avião para ir ao encontro do amado. Porém, pelo menos de acordo com a edição do filme, a relação parecia uma via de mão única, na qual a cantora fazia de tudo por Russell e não tinha a contrapartida. O sofrimento dela, nesse momento que precisava de apoio, e o poder de entrar no palco e fazer uma multidão dançar, apesar de tudo, estão estampados na tela, que também mostra sem pudor a artista de cara lavada, acordando, e toda a parte sem glamour que existe por trás da fama e que poucos famosos fazem questão de mostrar.

A relação familiar também é explorada diversas vezes durante os 97 minutos de filme. Filha de pastores evangélicos, Katy fala sobre sua infância cheia de regras e as dificuldades de driblar os pais para poder ser ela mesma, ao mesmo tempo que deixa claro que as divergências ideológicas não afetaram o relacionamento. Ela começou a cantar no coral da igreja, ainda pequena, e vídeos caseiros revelam a estrela ainda criança, já com toda a pose e desenvoltura de uma pequena artista.

Mas, a maior mensagem de Part of Me é a superação dos obstáculos, como destaca Katy. A história tem todo aquele olhar de como tudo é possível quando se trabalha duro, se tem perseverança e a pessoa não se deixa intimidar pelas pedras do caminho. Com o tom do chamado 'sonho americano', o filme frisa o poder de superação da incansável cantora que bate recordes e escreve parte da história da música nos Estados Unidos: Katy Perry foi a primeira artista a passar um ano inteiro - 52 semanas consecutivas - no top 10 da principal parada da Billboard; com o terceiro álbum, ela emplacou cinco músicas no topo da parada Hot 100 da Billboard, se tornando a segunda artista a conseguir esse feito. Antes dela, apenas Michael Jackson, com o álbum Bad, teve cinco canções simultaneamente nos primeiros lugares das paradas de sucesso, em 1987. Katy Perry contabiliza ainda o Disco de Platina recebido pelas seis milhões de cópias vendidas de seu álbum de estreia One of the Boys.

Os diretores Dan Cutforth e Jane Lipsitz contaram ao Terra que tinham na mão quase 500 horas de material, entre as imagens dos dois cinegrafistas que acompanharam a cantora pela turnê, as entrevistas de apoio e o material de arquivo. Eles foram contratados por Perry - que é também produtora-executiva do filme - e desde o começo a intenção já era compartilhar a relação amorosa, seguida da crise no casamento. Para Cutforth e Lipsitz, as gravações feitas no Brasil (os maiores shows da turnê) revelam a intensidade do amor dos fãs por Katy e os momentos vividos lá são sem dúvida um dos pontos altos de Part of Me.

Katy Perry recebeu o Terra depois de dez horas dando entrevistas para jornalistas do mundo inteiro. Continuava linda, de cabelo roxo, porém já de pés descalços. Confira a entrevista completa:

Terra - Por que você resolveu fazer um documentário nessa fase da vida?
Katy Perry - Fiz o documentário para poder lembrar dos meus vinte e poucos anos e de como eu era louca nessa idade. Eu tive essa ideia de começar a filmar tudo e pude compreender muita coisa e dividir isso com meus fãs. Eu não sabia que fazendo isso eu acabaria compreendendo fatos da minha vida, mas aconteceu. Quando eu estava planejando a minha turnê, eu sabia que ela seria um grande momento para mim, que marcaria minha vida. Sabe aqueles momentos que você grava algo no seu telefone e você não acredita no que gravou e quer colocar no YouTube e dividir isso com o mundo? Essa vontade de compartilhar foi exatamente o que eu senti quando a gente gravou cenas inesperadas que aconteceram durante a turnê, nos bastidores.

Terra - Você acha que é difícil conciliar carreira e trabalho? Acha que é mais difícil para as mulheres?
Katy Perry - Não acho que é o caso. Às vezes é, mas eu sempre tento balancear os dois. Eu gosto de viver tanto quanto de trabalhar. Eu não gosto de apenas trabalhar e não aproveitar a vida. Depois daqui (de trabalhar o dia inteiro) eu vou sair com minha melhor amiga para a gente conversar e se divertir.

Terra - No começo do filme você diz que vive em um conto de fadas...
Katy Perry - Sim, às vezes eu vivo, mas é um conto de fadas esquisito, um daqueles que não exige uma princesa encantadora...

Terra - Você acha que faz parte do conto de fadas sofrer por amor?
Katy Perry - Não, acho que o filme é mais sobre a superação dos obstáculos. Quaisquer que sejam eles ou seja lá de que forma apareçam. Por exemplo, quando eu era pequena, eu vim de uma casa cheia de regras restritivas, o que podia ou não fazer. Já mais tarde, no final da minha adolescência, quando tentava gravar um disco, as gravadoras não queriam deixar eu ser quem eu sou e logo depois então você vê os problemas que tive na minha vida pessoal. Você vê (no filme) que passei por esses três momentos e superei essas situações difíceis.

Terra - Quem assiste ao filme vê que antes de entrar no palco no Brasil você teve problemas no seu casamento, discussão via telefone. Como foi subir no palco naquele dia?
Katy Perry - O Brasil foi um momento muito importante. Eu estava no palco no final de uma longa turnê de 124 dias. Naquele ponto da minha vida, eu estava começando a desmoronar. Você consegue ver o que estava por vir e eu precisava de algum suporte. Estava procurando um refúgio. Eu estava no palco e o público começou a gritar: 'Katy, nós te amamos', e eu não sabia o que eles estavam dizendo, não entendia o significado, mas eu pude sentir aquele apoio que estavam me dando. Pude sentir aquela energia boa, positiva e isso me ajudou a passar por aquele momento, a melhorar minhas emoções.

Terra - Gostou do Brasil?
Katy Perry - Eu amei o Brasil e lá aconteceu esse grande momento do meu filme. Meus fãs brasileiros são muito apaixonados por mim e eu sou muito apaixonada por eles.

Terra - Tem planos de fazer mais shows no Brasil?
Katy Perry - Nunca vou deixar o Brasil fora do meu calendário.

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