| Marcelo Pereira/Terra |
 Marcelo D2 conta com participações de cantores de peso do samba em seu novo CD |
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A brisa que Chico Buarque soprou pela legalização da maconha, Marcelo D2 aspira há muitos anos. Em seu novo disco, da faixa-título de abertura Meu Samba é Assim ("joga na seda aquele do bom") aos agradecimentos do encarte ("a todos que passaram no estúdio pra apertar um"), ele sempre toca no assunto.
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Por carregar e dar toda essa bandeira, D2 paga caro. Já foi preso, teve dezenas de shows cancelados, é réu em 23 processos e tem que assinar termos de responsabilidade a cada referência que faz às drogas, mesmo as mais sutis e remotas. E não vê avanço no fato de o tema ser abordado por Chico. "A gente precisa do aval é do Bush", ironiza.
Musicalmente, D2 aprofunda o gênero que criou, uma união de samba e hip hop, proposta em seus dois discos anteriores.
"Há muito o que explorar por aí ainda. Tenho uma coisa que ninguém tem. Um som só meu. Quem vier atrás, vai estar fazendo a minha parada", diz.
Além de muitos prêmios, o trabalho lhe rendeu "uma moral" para agora poder contar com Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho presenteando-lhe com uma música inédita, cantada por ambos: Dor de Verdade. Ou Alcione, soltando o vozeirão em Pra que Amor?.
"Dizem que a Marrom tá namorando? É mesmo? Não sou eu. Gostaria muito, mas sou casado" , brinca.
Outros pontos a que D2 se mantém fiel são os da autoreferência (nunca alguém falou tanto de si nos próprios discos) e da soletração.
"Sou ouvido por muita gente que não tem a cultura do rap e não entende que é assim mesmo, auto-afirmativa e soletrada. Além disso, soletrar é bom, porque ajuda o pessoal no português."
Em Falador, ele demonstra seu íncomodo com a fofoca, mal do qual padece, desde que ganhou dinheiro.
"Quem pede emprestado é que mais fala mal. O cara leva tua grana uma vez, duas. Na terceira, você diz não e vira um capitalista filho daspu... Pelo amor de Deus, tirem o oho do meu dinheiro! Vai ficar em cima do Garotinho, que tá roubando todo mundo."
D2 só deve dinheiro a Roni, que virou co-autor de Nega sem ser consultado.
"Tirei aquela base de um compacto dele que achei no sebo, Roni e Central do Brasil. Procurei este cara, que não conheço, e não encontrei. A grana dele vai ser depositada em juízo".
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