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Música
Segunda, 17 de abril de 2006, 12h32  Atualizada às 13h26
Pearl Jam troca críticas por "histórias" em novo CD
 
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Eddie Vedder, que trocou as críticas diretas por narrações no novo disco do Pearl Jam, ri quando recorda os primórdios do Pearl Jam e lembra como o grupo enfrentou as pressões do sucesso: "As pessoas costumam ter dificuldades para crescer, mas nós tivemos dificuldades para encolher".

O álbum de estréia do quinteto de Seattle, Ten (1991), ainda hoje é um dos marcos do rock moderno, tendo vendido 9,4 milhões de cópias nos Estados Unidos. Mas o grupo se sentiu mal com o sucesso repentino e se negou a abrir mão de sua integridade em troca da popularidade. Não fez vídeos nem merchandising, e manteve sua interação com a mídia num nível mínimo.

A banda também optou por lançar uma série de álbuns cada vez mais experimentais, que afastaram todos menos seus fãs devotos. Em seus shows, sessões de improviso de dez minutos de duração, lados B pouco conhecidos e covers ganhavam o mesmo destaque que suas músicas de sucesso.

O guitarrista Stone Gossard observa: "Passamos por um período em que rejeitamos o que é mais fácil para nós, na tentativa de ir além".

Mas em seu oitavo álbum, intitulado apenas Pearl Jam, a banda soa mais à vontade do que nunca. Com 13 faixas, o álbum analisa o custo humano do mundo pós-11 de setembro, por meio de uma rica teia de personagens e narradores. O disco chegará às lojas em 2 de maio pela J Records, o primeiro selo da banda desde que encerrou sua associação com a Epic, em 2003.

Contando histórias
Em lugar dos sentimentos anti-presidente Bush declarados de Riot Act, de 2002, e da turnê Vote for Change, de 2004, o novo álbum traz Vedder novamente contando histórias, como nos clássicos Alive e Black.

"Contando histórias você pode transmitir uma emoção ou observação da realidade humana, em lugar de declarar posições abertamente, como temos visto sendo feito muito ultimamente", diz Vedder.

Stone Gossard, o guitarrista Mike McCready, o baixista Jeff Ament e o baterista Matt Cameron intensificaram o ambiente musical também no punk ofegante de Comatose, no rock instigante de Life Wasted, no intimista e psicodélico Inside Job e em Come Back, uma canção de amor encharcada de rhythm & blues.

Essa receita revitalizou o Pearl Jam nas rádios de rock moderno, um formato que a banda dominou no início dos anos 1990, ao lado de suas irmãs de Seattle Nirvana, Alice in Chains e Soundgarden.

O primeiro single do álbum, World Wide Suicide, chegou à posição número 1 na parada de rock moderno da Billboard em apenas duas semanas, um recorde para a banda. Além disso, a canção foi disponibilizada para downloads uma semana antes de estrear na rádio.
 

Reuters

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