| Bruno Maestrini/Terra |
 Fernanda Takai anima gaúchos em show |
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Os gaúchos e o Pato Fu começaram a matar as saudades nesta quinta, com o show que deu início à turnê pelo Estado do novo CD da banda mineira, Toda Cura para Todo Mal. Em duas horas de show, John Ulhoa, Fernanda Takai, Xande Tamietti, Ricardo Koctus e Lulu Camargo mostraram o novo trabalho e "testaram a memória" da platéia - que cantou sílaba por sílaba hits como Eu, Perdendo dentes e Canção pra você viver mais, além de algumas das músicas novas. O clima foi de reencontro de velhos e queridos amigos.
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Toda Cura para Todo Mal é o oitavo disco do grupo, o primeiro com músicas inéditas depois de um intervalo de quatro anos - entre outras coisas, Fernanda e John tornaram-se pais. John abriu o show com Estudar pra quê? ("quem tem computador não precisa de estudo"), contundente e irônica do novo disco, e ao final da música entrou Fernandinha fazendo todo mundo cantar. Seguiu-se Anormal. Na terceira canção, Eu, a vocalista saudou a volta ao palco do Opinião e agradeceu a presença do público, fidelíssimo. "A primeira história da gente foi aqui, a gente tava devendo um show... Os anos passam e vocês continuam com o Pato Fu, muito obrigada", disse. E atacaram de Amendoim, também do disco novo.
Alguém jogou uma faixa de papel no palco. Estava escrito "Toca Costello", um pedido para John. "Só aqui em Porto Alegre alguém faria uma coisa dessas", riu Fernanda, exibindo a faixa. A seguir Perdendo dentes veio como um presente ("antigas canções também contam, e essa vocês vão conhecer"). Fernanda ficou quieta e deixou o público cantar. Depois, fez todo mundo pular ao som de Gol de quem?, com o aviso: "a gente tá testando a memória de vocês, né?" E mais uma das antigas: Antes que seja tarde - "na verdade continuo sob a mesma condição, distraindo a verdade e enganando o coração".
A canção seguinte, Deus, foi dedicada por John a um amigo gaúcho, o músico Arthur de Faria, que assistia ao show. Outros muitos amigos na platéia: Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, a dupla de maestros do espetáculo Tangos e Tragédias, o pessoal da Wonkavision - banda gaúcha cujo CD foi produzido por John, Sady Homrich (baterista do Nenhum de Nós) e outros.
Momento tecno-ternura do show: um robô canta que "quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia", de Simplicidade. O robozinho é manipulado por Fernanda, vestida num modelito "Teletubbie" preto no palco todo escuro. O sucesso é total, total. Mais músicas do novo disco, outro tanto de canções mais antigas, brincadeiras - Fernanda entrevistou Lulu Camargo, Xande e Ricardo no palco -, recados, lembranças. Fernanda Takai chegou a tocar bateria - e bem, segundo Xande. "Dá um tempo que ela vai arrebentar na bateria", disse ele. John falou em Arnaldo Baptista (outro de seus trabalhos de produção enquanto a banda dava um tempo) e cantaram Ando meio desligado, dos Mutantes.
Fernanda lembrou a Jovem Guarda e disparou: "o pessoal não tem muito tempo pra ouvir as coisas novas que eles (Erasmo, Vanderléa) fazem, mas eu quero chegar aos 65 anos cantando bem como eles". Contou que mandaram uma cópia do CD novo para Erasmo Carlos, porque Agridoce, uma das faixas, tem esse clima Jovem Guarda. Depois, Made in Japan e o "peso" do Capetão 66.6 FM. "Esta foi a sessão de descarrego do Pato Fu. Aconteceu alguma coisa, algum garfo entortou? Não sejam tímidos, contem o que aconteceu", pediram John e Fernanda.
Seguiram-se Sorte e Azar e O filho predileto do Rajneesh. Fernanda saudou os fã-clubes da banda e decretou que viria "o momento dançante". Uh uh uh, Lá lá lá, Ié ié encerrou o show. Tradicionais grito de "mais um, mais um" e a banda voltou ao palco para tocar Canção pra Você viver mais e (não podia faltar) Sobre o Tempo. Então, boa noite, mesmo!
No camarim, depois do show, descontração total. Fernanda lamentando a saudade da filha Nina - "Cara, ficar uma semana sem ver a carinha dela dói" -, Ricardo combinando jantas e viagens e ensaios, John atendendo os fãs, petiscos e muita alegria. Os caras são de uma simpatia inacreditável, e de uma paciência e dedicação que pouca gente tem: o show começou às 23h25 e terminou por volta de 1h30. Passava das duas e meia da manhã quando a reportagem do Terra saiu do Opinião e ainda havia bem umas vinte pessoas na fila aguardando o momento de pegar um autógrafo, ver a banda de perto. E pode ter certeza: todas seriam atendidas.
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