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Música
Quinta, 11 de agosto de 2005, 08h53 
"Garotos bons" do metal vêm ao Brasil pregar amor a Deus
 
Fernão Silveira
 
Divulgação
Troy Thompson, do Bride, em show na Alemanha, em 2003
Troy Thompson, do Bride, em show na Alemanha, em 2003
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    Heavy metal, um gênero musical geralmente associado a abusos e promiscuidade, é o meio escolhido há 20 anos pela banda norte-americana Bride para pregar a palavra de Deus. Em uma nova fase, com direito a álbum novo - e independente - no mercado, o quarteto faz uma extensa turnê pelo País em agosto para "evangelizar" o público jovem brasileiro.

    "Nosso trabalho atinge justamente as pessoas que mais precisam da música de salvação. Não se pode continuar gostando de gospel sem ser tocado pela palavra de Deus", afirmou ao Terra, com exclusividade, o guitarrista Troy Thompson.

    Ele e o irmão, o vocalista Dale Thompson, estão na estrada há duas décadas "levando o Evangelho" para os jovens por meio do rock pesado - um estilo de heavy que convencionou-se chamar de "white metal", em oposição ao "black metal", praticado por aqueles que se dizem simpáticos ao satanismo.

    "Eu e o meu irmão até gostamos de música gospel tradicional e participamos de uma banda assim. Mas, quando eu sento para tocar a minha guitarra, percebo que Deus me deu o dom do rock n' roll. Até gostaria de tocar de outra forma, mas não consigo. Sei que há muitos músicos bem melhores do que eu. E há muitas bandas melhores do que o Bride. Mas nós somos o que Deus quer que nós sejamos", afirmou Troy.

    Apesar de o "white metal" ser pouco conhecido e executado no Brasil, o gênero tem tradição nos Estados Unidos. E o próprio Bride já flertou com um certo sucesso comercial, no início dos anos 90, graças ao hit Everybody Knows My Name, que conseguiu extrapolar os limites do restrito universo gospel. Mas, segundo Troy, as "tentações" jamais desviaram a banda daquilo que seus integrantes acreditam ser o objetivo primordial de suas vidas - a pregação religiosa por meio da música.

    "Podemos ter mais ou menos projeção nas TVs, revistas e rádios, mas nós nunca mudamos. Poderíamos ter tido sucesso comercial se sacrificássemos nossos ideais, mas optamos por seguirmos fiéis a nossas crenças. Deus olhou por nós e nos abençoou por 20 anos", afirmou Troy.

    A fase artística que o Bride experimenta neste momento tem relação com essa fidelidade que Troy faz questão de enfatizar. Após lançar nove álbuns sob a tutela de gravadoras, a banda rompeu com o selo que lhe acompanhava até então, a Absolute Records, para conceber o independente This Is It, CD que vem mostrar nesta nova turnê pelo Brasil.

    "Sentíamos que o compromisso estava afetando a nossa criatividade. Não precisamos mais de uma gravadora para vender os nossos discos. Partimos para esse trabalho independente e foi tudo muito mais fácil. As gravadoras não vivem o dia-a-dia da banda, não sabem do que ela realmente precisa. Não fazem música, enfim", explicou co-líder do Bride.

    Bons moços
    Troy assegura que o Bride pratica fora do palco tudo aquilo que prega em suas músicas. Segundo ele, os integrantes da banda jamais se deixaram levar pelas "tentações" que aparecem para quem consegue projeção no mundo do rock.

    "Nós descobrimos o caminho desde cedo. Nunca usamos drogas ou consumimos álcool. Já vimos muitos de nossos 'roaddies' se acabarem em drogas e bebidas. Também nunca andamos cercados por 'grouppies' (garotas que vivem na cola de astros da música). Quando terminam nossos shows, somos procurados por jovens que nos seguem e admiram nosso trabalho. Também não vamos a festas. Nossa rotina é fazer o show, voltar para dormir no hotel e só sair de novo para fazer outro show. Digamos que nós não nos colocamos em situações de tentação", explicou o guitarrista.

    Troy, assim como a esmagadora maioria dos roqueiros que desembarcam no País, também diz "amar" o Brasil e seu povo caloroso. Mas o que impressiona esse americano de Kentucky é a sintonia dos fãs daqui com os ideais do Bride. "Os brasileiros são sempre muito animados e receptivos ao espírito de Deus. Vejo que todos são tocados pelas palavras do Senhor."

    Admirador assumido do Brasil, Troy já prevê o que o Bride vai encontrar em seus shows pelo País. "Nossa audiência terá uma mistura de jovens que seguem a religião com fãs de rock pesado. O público brasileiro é o melhor do mundo para se tocar. É possível ver, do palco, que as pessoas estão consumidas pela música que nós tocamos."

    A turnê do Bride pelo Brasil é extensa e passa por cidades pouco freqüentadas por bandas estrangeiras que vêm tocar por aqui. Depois de passar por Natal (dia 3), João Pessoa (4), Salvador (5), Recife (6), Rio de Janeiro (8) e Londrina (10), o Bride se apresenta na noite desta quinta-feira em São Paulo, no Via Funchal. Mas a agenda dos "metaleiros de Deus" inclui ainda espetáculos em Brasília (12), Vitória (13) e Ipatinga (14).
     

    Redação Terra
     
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