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Música
Segunda, 28 de março de 2005, 22h15 
Canastra mistura rock, jazz e sambinhas em estréia
 
Monstro Discos/Divulgação
A banda Canastra foi uma das revelações de 2004
A banda Canastra foi uma das revelações de 2004
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Lançado no segundo semestre de 2004, e apontado por muitos jornalistas com uma das revelações do ano, o álbum Traz a Pessoa Amada em 3 Dias, do quarteto carioca Canastra, exibe a busca de uma banda pela tão sonhada originalidade. "A inspiração maior é primeiramente tentar fazer uma música razoavelmente original", diz Renato Martins, principal compositor da banda, em entrevista ao Terra.

Ouça Diabo Apaixonado com o Canastra

Traz a Pessoa Amada em 3 Dias é o primeiro disco do Canastra, e foi lançado pelo selo independente Monstro Discos. A banda foi formada em 2000, logo após o fim do Acabou La Tequila, banda anterior de Renatinho, e influência e inspiração confessas para o pessoal do Los Hermanos.

"Eu comecei a fazer umas músicas que não eram bem a cara do (Acabou La) Tequila", conta Renato. "Ao mesmo tempo, essas músicas apresentavam uma unidade entre si. Percebi então que seria necessário montar uma banda para explorar melhor essas idéias", explica o músico, que formou o Canastra ao lado de Marcelo Callado (bateria), Bruno Levi (guitarra) e Edu Vilamaior (baixo acústico).

"Ficamos um tempo mais voltados para a formação do repertório e da identidade estética da banda, que na minha opnião é diferente de tudo que rola por aí. Em novembro de 2002 tocamos no Festival Goiana Noise e a partir daí as coisas começaram a efetivamente acontecer", resume.

O som da banda se inspira no dixieland e no jazz de New Orleans e nos sambinhas elegantes da MPB, contando ainda com country, rock e surf music. Para Renatinho, daria para se resumir de forma bem simples: músicas do tempo da vovó. "Eu, particularmente, que sou o principal compositor da banda, gosto de tudo que é tipo de música, mas me identifico mas com as canções mais antigas, tipo músicas do tempo da vovó. Não é culto a nostalgia. É que eu acho que elas são mais verdadeiras e menos comprometidas com o mercado", explica.

Essa paixão por "sons antigos" de maneira alguma faz do som do Canastra algo datado. Ao contrário. Traz a Pessoa Amada em 3 Dias mostra que é da mistura do antigo com o novo que surgem os melhores momentos da música brasileira na atualidade. O disco abre com Diabo Apaixonado, cuja letra traz o diabo de joelhos por uma... mulher. Na seqüência, a banda fala sobre seu melhor amigo em Meu Cappucino. A arte gráfica, assinada por Tita Nigri, é um show à parte, em um disco excelente.

O Canastra esteve, recentemente, apresentando suas canções no festival Vivo Open Air, em São Paulo. "Achei maravilhoso. Som bom, pessoas bonitas e inteligentes. Cervejinha no camarim. Parafraseando o grande gênio visionário Carlos Eduardo Miranda: 'Só alegria, véio!'", brinca o guitarrista, que também abriu o show do O Rappa, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. "Qualquer show que apresente uma estrutura digna e que o público compareça é importante. Músico tem que tocar, fazer show. É o mais importante de tudo", acredita.

Para fechar, uma pergunta natural em se tratando de uma banda independente: Como está o cenário carioca para novas bandas? E no resto do País? "Cara, sempre me perguntam isso e a resposta que eu tenho é sempre a mesma: blá blá blá. Mas hoje eu vou responder diferente: Recentemente conheci uma garota muita bacana e estou apaixonado. E isso me faz ter forças pra vencer qualquer tipo de dificuldade. É isso que eu acho que falta no cenário no Rio ou no Brasil: Paixão", encerra, com muita propriedade, Renatinho.
 

Redação Terra
 
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